TRAUMAS E BLOQUEIOS: PROBLEMAS PARA APRENDER?
... e conversando sobre o português brasileiro com professores e jornalistas, reflito sobre o ensino de uma língua.
Muitos dizem ter dificuldade para aprender outros idiomas com a seguinte justificativa: "nem sei português direito, quanto inglês ou espanhol!"
Outros falam: "Eu tenho trauma de inglês! Só me ensinaram o tal verbo "to be" e até agora nem entendi isso direito"
E ainda tem os que dizem: "Não adianta, eu travo mesmo. Tenho bloqueio pra aprender outra língua."

Convido a todos para refletirem comigo. O problema para alguém aprender está no conteúdo das frases que coloquei acima? Ou o problema está na forma como, desde criança, a maioria tem contato com os idiomas?
Tenho uma tia que casou jovem e foi morar na Alemanha. Ela nunca estudou a respeito de línguas. Mas, depois de algum tempo, já estava falando alemão. E olha que o alemão é complexo do ponto de vista estrutural, em comparação ao inglês, por exemplo.
Com certeza todos que estão lendo esse texto conhecem alguém que foi morar em outro país e, em pouco tempo, pelo menos já se comunicava bem. Conheço amigos que foram pra Rússia e, em menos de um ano, estavam até escrevendo com o alfabeto cirílico.
Você pode pensar: "É claro professor! Quando a pessoa vai para o país falante daquela língua, é outra coisa."
É verdade, tem toda razão! Entretanto, meu ponto de vista é: se a pessoa aprendeu a "tal língua difícil", mesmo que seja em outro país, significa que o problema não está nela, mas sim na forma com que ela anteriormente teve contato com o idioma.
Obviamente, estar em um país falante acelera o entendimento. E esse ponto é bem claro. Porém, quero instigá-lo a refletir sobre os supostos traumas, bloqueios, dificuldades e problemas de aprendizagem. A pessoa que é travada ou é a forma de ensinar que não gera resultados?
E isso também vale para a própria língua. Será que você tem problemas para aprender o "super difícil" português? Ou será que a dificuldade está na forma com a qual você tem contato com os padrões gramaticais, ortográficos e textuais?
Insisto desde que começamos a dialogar aqui no blog: vamos parar de apenas decorar regras! Precisamos, sim, entendê-las e usá-las. Enquanto você decorar tudo, continuará com traumas e bloqueios em português, inglês, espanhol, italiano, francês, alemão, russo e japonês.
No momento em que você virar a chave para o entendimento, tudo começa a fazer sentido. Regras são importantes? Muito! Elas são fundamentais para a existência de uma língua! Padrões são importantes? Com certeza, sim! Afinal, você vai precisar deles em situações formais de uso.
A questão é: devemos escrever textos, colocar as regras em prática e viver o idioma! E esse viver significa falar, acertar, errar, escrever, questionar, refletir, errar de novo, ler, falar, escrever e assim vai. Tudo isso em situações formais e informais. Aprender uma língua não é, APENAS, "recitar conjugações verbais"! Mas vale lembrar: entender dá trabalho, pois é preciso estudo e dedicação.
Portanto, daqui pra frente, você escolhe! Ou continua reclamando e procurando justificativas para os problemas de aprendizagem ou busca novas formas de entendimento e reflexão. Qual será sua escolha?
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Fonte: Português de Brasileiro