Déficit no atendimento oftalmológico
O Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) realiza quarta-feira, dia 3 de dezembro, no Senado Federal, o Seminário Mais Acesso à Saúde Ocular, com o objetivo de discutir estratégias para ampliar o acesso à assistência oftalmológica. Dados do Censo Oftalmológico 2014, realizado pela entidade, apontam que o país tem um especialista para cada 11.604 pessoas, índice bastante superior ao recomendado pela OMS, de um para cada grupo de 17 mil habitantes.
Apesar do número positivo, a concentração de profissionais em determinadas regiões, especialmente nas capitais do Sul e Sudeste, deixa quase um quarto da população desassistida, já que 85% dos municípios carecem de oftalmologistas.
Para tentar reverter o quadro, o CBO protocolou junto ao Ministério da Saúde o projeto "Mais Acesso à Saúde Ocular". O documento aponta 15 ações, entre as quais a inserção do oftalmologista na atenção primária. A mão de obra necessária, além do contingente já existente, viria dos residentes, que, em vez de cumprirem como clínicos gerais os dois anos de trabalho obrigatório no SUS, já atuariam com oftalmologia básica nesse período.
“Pretendemos levar para a rede pública os 17 mil oftalmologistas brasileiros e a imensa quantidade de equipamentos disponíveis no país. Isso aumentará exponencialmente o número de atendimentos e facilitará a formação de novos especialistas”, explica Marcos Ávila, coordenador do evento e ex-presidente do CBO.
Prejuízo social
O presidente do CBO, Milton Ruiz, acrescenta que, além dos efeitos diretos na saúde, o déficit de atendimento também exerce um significativo prejuízo social. O motivo são os erros de refração — miopia, hipermetropia, presbiopia e astigmatismo —, que respodem por 20% dos episódios de baixo rendimento escolar e favorecem a evasão dos alunos e dificultam a maior qualificação profissional. “Precisamos proporcionar o acesso a exames e avaliações que permitam a prevenção e correção de enfermidades oftalmológicas desde os primeiros anos de vida. Médicos não faltam, precisamos levá-los às áreas prioritárias”, afirma.
Como forma de incentivar esses profissionais a migrarem para a periferia e áreas rurais, o CBO sugere instituir planos de carreiras federais, que contemplam remuneração diferenciada, ajuda de custo para moradia e deslocamento, bem como bolsa supervisão ou tutoria para os que acompanharem residentes. A construção de Unidades de Atenção Especializada, onde procedimentos de alta e médica complexidade poderiam ser feitos, também consta na proposta.
