Moradores da Região Metropolitana de BH reclamam de frequente falta de chuva Minas Gerais

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Moradores das periferias da Região Metropolitana de Belo Horizonte têm convivido com a falta d'chuva frequentemente nos últimos meses. O problema ocorre, principalmente, em bairros localizados em pontos altos de quatro cidades: Santa Luzia, Ribeirão das Neves, Juatuba e Pedro Leopoldo.

Nesse último município, a situação é tão grave que a prefeitura entrou com uma ação na justiça contra a Companhia de Aprovisionamento de Minas Gerais (Copasa). Por lá, a escassez de chuva perdura por vários dias da semana, desde setembro. Muro de metade da população da cidade é impactada de alguma forma, segundo o secretário municipal de gestão, Helder Santos.

"Tem bairro em que há o desligamento da chuva em um dia, sem prévio aviso, e só volta um ou dois dias depois. Tem região, porquê o bairro Teotônio, que fica cinco dias sem chuva. Somando todos esse bairros de diferentes regiões, nós temos entre 30 e 35 milénio habitantes prejudicados", disse.

Na cidade de Juatuba, também na Grande Belo Horizonte, moradores dizem que os desabastecimentos ocorrem com frequência há mais tempo: desde o rompimento da barragem da Vale, em janeiro do ano pretérito, em Brumadinho. Juatuba recebia a chuva que era captada do Rio Paraopeba. Mas, porquê o rio ficou poluído pelos rejeitos de minério, a Copasa passou a utilizar um outro reservatório da região.

Rio Paraopeba em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte — Foto: Thais Pimentel/

A dona de morada Lilian dos Santos, moradora de Juatuba, relata que está armazenando chuva em uma piscina inflável, para prometer que não falte para os serviços mais básicos.

"Tem semana que liberam a chuva de manhã, quando dá 10h já não tem chuva. Eu estou levantando às 6h para lavar roupa porque eu sei que a chuva vai ser retirada. Daí, quando a chuva vem, eu encho uma piscina para eu fazer minhas coisas", relatou.

Em resposta, a Copasa alegou que a falta de chuva, em regiões periféricas da Região Metropolitana de Belo Horizonte, está ocorrendo devido ao emergência de novas ocupações urbanas irregulares, e, também, porque o calor e sedento fizeram o consumo escadeirar recordes.

A captação da Copasa na região subiu 15% nos últimos meses, atingindo o nível mais cimeira da história: quase 17 milénio litros por segundo.

O superintendente da Unidade de Negócio Metropolitana da companhia, Sérgio Pacheco, garantiu que os desabastecimentos não têm relação com a pouquidade da captação no Rio Paraopeba. Ele disse que os casos de falta de chuva estão sendo resolvidos com melhorias no sistema de bombeamento. Mas, quando questionado, o superintendente não deu um prazo para regularizar a situação e admite que o problema pode voltar a ocorrer.

"Vai depender muito da evolução da temperatura daqui para frente. No momento, nós estamos com um problema em Santa Luzia, numa região mais distante, que é mais em função dessas ocupações que estão ali retirando chuva, e aí a gente tem que fazer manobra para equalizar o sistema. Às vezes, a gente tem que conviver com isso porque não tem jeito de trinchar essa chuva, até por conta da pandemia. De resto, acredito que a gente está de maneira satisfatória", afirmou.

  • Moradores fazem manifestação contra a Vale após mineradora identificar trincas no que restou da barragem em Brumadinho

Em setembro, a mineradora Vale deveria ter finalizado uma obra de uma nova estação de captação de água para a Grande BH, no trecho do rio Paraopeba que não foi poluído no rompimento da barragem. O prazo havia sido determinado na Justiça. A empresa respondeu que não conseguiu fazer a entrega devido a uma série de fatores, como as restrições provocadas pela pandemia. A nova previsão é que a estação comece a funcionar parcialmente em dezembro e esteja totalmente pronta em janeiro de 2021.

O coordenador do projeto Manuelzão da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que acompanha a situação dos rios que banham a Grande BH, Marcus Vinícius Polignano, concorda que a Região Metropolitana não necessita do Rio Paraopeba para garantir o abastecimento. Mas, ele aponta que a Copasa precisa implementar um plano de segurança hídrica a longo prazo.

"Tem sempre que fazer perspectivas de construção de planos de investimentos de novos projetos no sentido de ampliar tanto a distribuição, quanto fazer novas captações e mesmo organizar melhor essas áreas onde historicamente já são comprometidas no abastecimento".

A Copasa afirmou à CBN que a Grande BH não corre risco de um desabastecimento generalizado até o ano que vem, mesmo sem a estação do Paraopeba. Os outros reservatórios da Região Metropolitana estão com mais de 80% de sua capacidade, de acordo com a estatal.

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