Mineradoras de menor porte tiram projetos da gaveta – Economia

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Sustentada pelo ciclo de subida de preços do minério de ferro no mercado internacional, uma série de projetos começa a transpor da gaveta em Minas Gerais, tradicional região produtora da commodity no País. O que aproxima esses investimentos é o vestimenta de que todos são liderados por pequenos e médios produtores.

“Nossa intenção é açodar tudo para aproveitar o preço”, afirma o sócio-fundador da Atlântica Minas Mineração, Maurício Índio do Brasil. Fundada em 1996, a companhia tem hoje o recta de explorar um totalidade de 60 áreas, mas só quatro delas estão em operação. Pelos novos planos, mais duas áreas vão debutar a ser exploradas nos próximos meses e outras 18 já entraram em período de estudo pelos órgãos responsáveis para obtenção de licenciamento. 

Previstos para cidades porquê Morro do Ferro, Barão de Cocais, Bom Jesus do Esteio e Santa Luzia, cada projeto desses da Atlântica, que serão ainda expandidos, tem capacidade para gerar muro de 30 milénio toneladas anuais – praticamente, um grão de minério perto das cifras superlativas das gigantes do ramo. Só a Vale prevê produzir 310 milhões de toneladas neste ano. Porquê a logística costuma ser o grande entrave para os pequenos exportarem, a venda é feita localmente para as grandes mineradoras e siderúrgicas ou, logo, para os guseiros – que são aqueles que transformam o minério em ferro-gusa, material-prima para a produção de aço. 

Índio do Brasil conta que no ano pretérito vendeu no mercado interno a tonelada do minério, em média, a R$ 180; hoje, o valor já chegou a R$ 600. Localmente, os mineradores não conseguem conquistar o prêmio de qualidade que as grandes mineradoras conseguem vendendo diretamente na China.

Porquê a teoria é pisar no acelerador, no término de 2020 a mineradora negociou o aporte financeiro de um fundo para bancar os investimentos. A Atlântica não divulga o nome do fundo nem o valor investido. Neste momento, segundo Índio do Brasil, duas outras negociações do mesmo gênero estão em curso. 

“Estamos vendo projetos menores que começaram a transpor do papel, projetos que se viabilizaram com a atual taxa de câmbio e preço do minério”, comenta Fernando Setti, sócio que comanda a espaço de mineração do escritório Azevedo Sette. Segundo ele, esses projetos, em média, têm uma capacidade de um milhão de toneladas a cinco milhões de toneladas.

Outro exemplo vem da Herculano Mineração, que deverá transpor de uma produção de 4,2 milhões de toneladas, no ano pretérito, para um totalidade de 5 milhões neste ano. “Esse atual aumento de preço (do minério no mercado internacional) compensa toda a dificuldade que já passamos. Teve ano que a conta não fechava”, afirma o presidente da mineradora, Marco Aurélio Herculano, que fundou a empresa em 1992 ao lado dos dois irmãos.

De olho no salto dos negócios, a companhia já apresentou pedido de licenciamento para uma novidade lavra e prepara um segundo. A expectativa é que a produção seja iniciada em até dois anos, o que no setor representa um tempo de maturação relativamente limitado. Até lá, a expectativa ainda é ter um mercado com preços atrativos. Diretor executivo da consultoria J.Mendo, Adriano Espeschit afirma que o investimento até pode ser feito com base nos preços correntes, mas o olhar precisa ser de longo prazo. “É preciso pensar na sustentabilidade do projeto”, afirma ele. Ele frisa que essa procura por tirar projetos da gaveta ou expandir os já existentes acaba embarcando também menores de menor concentração de ferro, que precisam de maior beneficiamento, que é a mistura com um minério de melhor qualidade, para que possam ser vendidos. Porquê esse processo de beneficiamento é custoso ele acaba se tornando economicamente viável com um preço ressaltado do minério de ferro. O profissional destaca que, porquê o ciclo do minério é longo e os projetos demoram para serem executados, é necessário ter na prancheta valores conservadores na hora da tomada de decisão. 

O presidente do Recomendação do InstitutoBrasileiro de Mineração (IBram) , Wilson Brumer, que já comandou a Vale e Usiminas, frisa que os grandes projetos de mineração levam de sete a dez anos para ficarem prontos e, por isso, investimentos não podem ser baseados no preço atual do minério. No entanto, as médias empresas tem a possibilidade de açodar aumento de produção e conseguirem surfar ao menos uma secção desse atual patamar de preço. Um dos trabalhos que o tem feito para fomentar os investimentos, comenta, é de buscar uma aproximação do setor com a Bolsa brasileira, com a intenção de perfurar caminho para que essas empresas aprimorem sua governança e possam penetrar capital. “O setor de mineração é um setor de longo prazo, com investimentos muito robustos e retornos cíclicos”, frisa.

Bamin

Ao arrematar no mês pretérito o primeiro trecho da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), a Bahia Mineração (Bamin) deu o passo que precisava para anular uma barreira importante na produção de minério de ferro destinada à exportação: logística. A empresa deve investir R$ 14 bilhões em um projeto que integra mina-ferrovia-porto no Estado da Bahia. Além do trecho da Fiol, de 537 km, o pacote engloba uma mina de ferro, em Caetité, e um terminal portuário, em Ilhéus. Hoje, a produção de minério é de 1 milhão de tonelada – e vendida à Vale. Livre do problema de logística, a companhia fala em chegar a 18 milhões de toneladas até 2025. 

Para o presidente da Bamin, Eduardo Ledsham, um ex- executivo da Vale, o momento agora é de produção dos depósitos menores de minério. “O Brasil não está mais nos grandes projetos, mas nos menores”, comenta o executivo ao Estadão.

O atual preço do minério, comenta o presidente da Banim, faz diferença e a empresa está, inclusive, avaliando ampliar sua produção. O executivo destaca, mas, que a companhia precisa se estruturar para ser sustentável mesmo no ciclo de baixa do minério – momento que sempre chega, comenta.

A Bamin, controlada pela Eurasian Resources Group (ERG), do Cazaquistão, é hoje a única mineradora em atividade no Brasil que terá toda sua estrutura localizada exclusivamente no Estado na Bahia: mina, ferrovia e porto.  Ledsham destaca que com a infraestrutura pronta, o que está previsto para ocorrer em 2026, a teoria é ajudar a alavancar a produção de minério da região, de produtores menores travados por falta de logística.

 Com o atual preço e logística disponível, frisa, diversas minas devem se viabilizar. A Fiol terá capacidade de transporte de 60 milhões de toneladas e porquê a Bamin utilizará exclusivamente um terço dessa capacidade, o restante será ocupado por produção de terceiros e, ainda, pelo agronegócio da região.  “A infraestrutura será um indutor para a produção da região”, diz.

Para a mineradora conseguir exportar é a via necessária em procura de mais rentabilidade. Ao vender no Brasil a Banim não consegue conquistar o valor sobre a qualidade do seu minério de sua mina  Pedra de Ferro.

Para o minério de concentração mais subida de ferro e com presença menor de outros componentes, porquê a sílica, existe um ‘prêmio’ ao valor pago. Esse minério de mais subida concentração de ferro e mais limpo é utilizado para se misturar com minério de qualidade menor, das quais resultado será utilizado para a produção de aço. Ao se vender no Brasil, no entanto, a mineradora não consegue esse preço mais cima, por isso a premência de buscar a exportação.


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