Governo zera imposto de importação de soja e milho para tentar moderar preços

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Vitualhas acumulam aumento de até 50% no ano, em alguns casos; medida semelhante já havia sido tomada para o arroz

O governo decidiu zerar o imposto de importação da soja e do milho para tentar sofrear os preços dos mantimentos, que vêm registrando, em alguns casos, aumento superior a 50% no aglomerado do ano.
No caso da soja, a redução valerá até 15 de janeiro de 2021 e incluirá grão, farelo e óleo. Para o milho, o golpe ficará em vigor por mais tempo, até 31 de março.

"Ambas as medidas têm porquê motivação moderar a subida de preços no setor de provisões", afirmou o Ministério da Economia, em nota.

A decisão foi tomada pelo comitê-executivo da Câmara de Negócio Exterior (Camex), colegiado do governo que tem entre suas atribuições definir alíquotas de importação e exportação e fixar medidas de resguardo mercantil.

O comitê é integrado pela Presidência da República e pelos ministérios da Economia, das Relações Exteriores e da Lavra. A reunião foi concluída no término de sexta-feira (16) e o resultado foi divulgado neste sábado (17). De congraçamento com o governo, a proposta da soja foi apresentada pelo Ministério da Cultivação. Já a do milho, pela pasta da Economia.

As tarifas tradicionais aplicadas aos produtos são de 6% para farelo de soja, 8% para soja e milho, e 10% para óleo de soja.

O galanteio do imposto é realizado depois medida similar ter sido tomada pelo governo há menos de um mês no caso do arroz. Na estação, o governo já analisava iniciativas similares para milho e soja.

Em 9 de setembro, o governo decidiu zerar a alíquota de importação para o arroz em casca e beneficiado até 31 de dezembro deste ano. A medida também buscava sofrear a subida nos preços, segundo o governo.

Os dados mais recentes continuam mostrando aumento de preços para a alimento do brasílico.
O IPCA, índice solene de inflação no país, fechou setembro com subida de 0,64%, supra dos 0,24% de agosto. Foi o maior índice para o mês desde 2003, segundo o Instituto Brasílico de Geografia e Estatística (IBGE).

O aumento foi impulsionado justamente pelo grupo alimento e bebidas, com subida de 2,28% em setembro. Na categoria, a subida foi puxada pelo segmento de provisões para consumo no estância (2,89%), com destaque para altas no óleo de soja (27,54%) e arroz (17,98%).

No ano, esses dois itens acumulam subida de 51,3% e 40,69%, respectivamente. As carnes variaram 4,53% em setembro.

A aceleração do preço dos provisões prejudica sobretudo as famílias de baixa renda, que gastam uma secção maior de seu orçamento com essas despesas.

Compensa mais exportar

O gerente da pesquisa do IBGE, Pedro Kislanov, afirmou neste mês que a subida nos preços do arroz e do óleo está relacionada à valorização do dólar e à maior demanda interna durante a pandemia, influenciada principalmente pelo pagamento do auxílio emergencial.

"O câmbio num patamar mais ressaltado estimula as exportações. Quando se exporta mais, reduz os produtos para o mercado doméstico e, com isso, temos uma subida nos preços. Outro fator é a demanda interna elevada, que, por conta dos programas de auxílio do governo, tem ajudado a manter os preços num patamar ressaltado", diz.

No caso do grão de soja, o gerente da pesquisa relacionou a subida à possante demanda da indústria de biodiesel.

Estudo do Banco Inter sobre a inflação vai na mesma risco ao indicar que, embora a produção agrícola brasileira tenha apresentado bom desempenho nos últimos meses, secção desse excedente tem sido talhado à exportação, mais vantajosa para produtores com o real depreciado e maior demanda da China.

"Somado à possante demanda no varejo alimentoso durante a pandemia, isso contribui para que os vitualhas figurem entre os itens com maiores altas nos índices de preços", analisou o banco neste mês.
Outros mantimentos tiveram aumento em setembro, porquê o tomate (11,72%) e o leite longa vida (6,01%).

Pior para os mais pobres

A inflação atingiu todas as faixas de renda do país no mês de setembro, informou estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) divulgado na última quarta-feira (14). Mas vem sendo mais acentuada entre a filete de população mais pobre, que subiu 0,98%, enquanto os mais ricos tiveram prolongamento na proporção de 0,29%.

A subida expressiva no preço dos mantimentos em estância que vem ocorrendo desde março, início da pandemia da Covid-19 no Brasil, prejudica as famílias mais vulneráveis. Nos nove primeiros meses do ano, a inflação acumulada é de 2,5% entre os mais pobres, muito maior do que os 0,2% registrados entre a fita mais rica da população.


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