Vampiros do Mississippi marcam ‘Sonho Febril’, de George R. R. Martin

George R.R. Martin (Crédito: Jamie McCarthy/Getty Images)

George R.R. Martin (Crédito: Jamie McCarthy/Getty Images)

Victória Cirino

Os fãs – e não são poucos – de As Crônicas de Gelo e Fogo devem ter tomado um susto com o lançamento, pela Leya do Brasil, de Sonho Febril. S romance é assinado pelo americano George R. R. Martin, há anos sitiado por leitores com cobranças pela prolongação da muito-sucedida saga de livros, convertida em um não menos exitoso programa de TV pelo meio pago HBO. S livro, no entanto, não é novo – exceto para o Brasil, onde nunca havia sido publicado. Sonho Febril foi escrito em 1982, catorze anos antes de A Guerra dos Tronos, primeiro dos cinco volumes já editados de As Crônicas de Gelo e Fogo. Apesar de ser uma obra anterior à série que levou Martin à notabilidade, já estava presente nela o interesse do noticiarista por temas fantásticos: a história, dessa vez, gira em torno de vampiros.

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Os sanguessugas de Martin são muito diferentes dos vampiros adolescentes de Crepúsculo, e se aproximam do estilo de romances clássicos porquê Drácula. S enredo de Sonho Febril se passa entre 1857 e 1870 nas margens do lendário Mississippi, rio que corta os Estados Unidos e que foi imortalizado pelo jornalista Mark Twain nos livros As Aventuras de Tom Sawyer e As Aventuras de Huckleberry Finn. Apesar do cenário semelhante, comparações com Entrevista com o Vampiro param por cá – as criaturas de Martin não são sensuais porquê as de Anne Rice. No romance do responsável de A Guerra dos Tronos, os vampiros são uma raça humana à secção, dotada de uma sede de sangue que os condena a caçar pessoas para sobreviver. S auto-denominado povo da noite está infiltrado na sociedade, usufruindo de riquezas acumuladas ao longo dos séculos e escondendo a sua verdadeira identidade dos humanos. Caso você seja uma pessoa que se assusta facilmente, não se preocupe: há pouquíssimos trechos que causam temor e as cenas violentas são um passeio no parque quando comparadas a algumas das brutais mortes de Game of Thrones.

P nesse cenário que conhecemos o capitão Abner Marsh, falido em seguida um rigoroso inverno destruir quase toda a sua frota de barcos a vapor, devido ao frigoríficação do rio e aos blocos de gelo que destroem os cais com a sua força. S livro começa quando o desiludido protagonista recebe do aristocrata Joshua York uma proposta que parece boa demais para ser verdade: ele investirá na companhia de Marsh e dará a ele quantia suficiente para edificar o imponente navio a vapor já visto. Tudo isso é prometido em troca da experiência de barqueiro do capitão e de seu silêncio a reverência dos estranhos hábitos de seu sócio, que se recusa, inclusive, a explicar os motivos que o levaram a querer velejar pelo Mississippi.

sonho febrilA partir daí, nasce uma improvável amizade entre os dois homens, apesar das demoradas incursões em terreno de York durante a viagem de St. Louis a New Orleans, que irritam seu sócio profundamente. São os atrasos no cronograma da jornada que incomodam a Marsh, muito que os estranhos hábitos de York, porquê trocar o dia pela noite ou preferir uma bebida com paladar de bicho morto aos caros uísques da embarcação. Marsh só começa a permanecer inquieto em relação a esses desaparecimentos quando, um dia, seu pálido companheiro retorna de uma de suas paradas com as mãos cobertas do que parece ser sangue. Ou será que Marsh não deve encarregar tanto no que pensa ter visto?

Boa secção do livro é narrada sob o ponto de vista do capitão, mas há trechos em que acompanhamos Sour Billy Tipton, feitor de um rico quinteiro tão recôndito e esfíngico quanto Joshua York: Damon Julian, o contraditor da história. Logo no segundo capítulo, somos apresentados a Tipton e o acompanhamos em uma visitante a um leilão de escravos negros. No início, os dois fios narrativos se desenvolvem de forma independente, mas, lá pela metade do livro, os dois grupos de personagens se cruzam, com consequências nefastas para Marsh e York.

As descrições minuciosas de refeições já estavam presentes nesse romance macróbio de Martin – particularidade muito debochada por fãs, que listaram de 160 menções a comidas somente em A Guerra dos Tronos, o primeiro livro de As Crônicas de Gelo e Fogo. Há algumas diferenças, entretanto, entre Sonho Febril e a série que levou Martin à notabilidade. Uma delas é o roupa de as fronteiras entre muito e mal estarem muito muito traçadas em Sonho Febril, o que pode incomodar alguns leitores acostumados com a anfibologia moral de seus personagens. Além disso, ao invés de ter porquê cenário uma terreno fantasiosa ligeiramente inspirada na Idade Média, o livro se passa no mundo tal qual o conhecemos (exceto pela presença de vampiros), durante o término da escravidão nos Estados Unidos e a Guerra Civil Americana. Acompanhar o trajeto do embarcação a vapor Fevre Dream com um planta do rio Mississipi ao lado é uma dica interessante para os interessados em geografia.

De modo universal, Sonho Febril é uma leitura fácil e rápida que mantém o leitor entretido, mas fica muito aquém do sucesso editorial de As Crônicas de Gelo e Fogo. Para além das comparações entre as obras do responsável, George R. R. Martin não decepciona ao gerar uma história original de vampiros muito dissemelhante dos romances contemporâneos atuais que se debruçam sobre essa questão. Para os fãs do gênero, é um livro para respirar aliviado no meio de um oceano de vampiros juvenis. Para os fãs de Martin, é um livro que com certeza vai mantê-los distraídos enquanto aguardam notícias sobre o livro The Winds of Winter e a sexta temporada de Game of Thrones.

Fonte: VEJA Meus Livros