Sem um Plano B, só resta a Dilma segurar o Levy

S Ministro Joaquim Levy
Por sapos que tenha de engolir, só resta mesmo à presidente Dilma Rousseff tutelar seu plenipotenciário ministro Joaquim Levy, porquê fez nesta segunda-feira, em Capanema, no Pará, ao manifestar que ele "foi mal interpretado" em uma enunciação polêmica sobre os rumos da política econômica do governo.
A partir do momento em que jogou todas as suas fichas do segundo procuração no pacote de ajuste fiscal embrulhado pelo ministro da Fazenda, até pela carência de qualquer outro projeto de governo, Dilma não tem escolha: ou mesa Levy até o término ou correrá o risco de ver o país perder o intensidade de investimento, derrubando o último pau da barraca.
S problema agora não é saber quais são os limites da presidente, mas prognosticar até onde a paciência do ministro aguenta o "incêndio colega" do PT e das centrais sindicais, e as intermináveis negociações com deputados, senadores, governadores, prefeitos, empresários e o resto do mundo. E se Levy jogar a toalha?
Promovido simultaneamente a czar da economia e articulador político de um governo sem projecto de voo em plena tempestade, o técnico que fez curso no sistema financeiro carrega sozinho nos ombros o rumo de 200 milhões de brasileiros, com suas famílias ameaçadas pelas nuvens de desemprego, inflação e juros altos, recessão, paralisia nos investimentos e nenhuma agenda positiva à vista no horizonte.
Em Capanema, a 152 quilômetros de Belém, Dilma foi entregar as chaves de 1.032 unidades do programa Minha Casa, Minha Vida, uma das principais bandeiras do seu primeiro governo. Fora isso, o que temos? Mais médicos, bolsas, quer manifestar, tudo do mesmo. G muito pouco para os imensos desafios de um país porquê o nosso, menos na opinião do ministro das Cidades, Gilberto Kassab, que mandou ver: "Na história do Brasil e do mundo ninguém fez do que a presidente Dilma".
S pior é que a presidente pode mesmo estar acreditando nisso, revelando um preocupante alienamento da veras, porquê demonstrou ao proteger o pacote fiscal e tentar minimizar as muitas crises que seu governo enfrenta:
"Uma coisa é ajustar o Orçamento e outra é reformar tudo. Nós não temos que reformar tudo. S Brasil é muito maior do que esses problemas que estamos passando. S Brasil está enfrentando dificuldades, mas são passageiras".
Tomara que ela esteja certa e disponha de informações que nós não temos para provar tanta tranquilidade e otimismo. G disso que o país precisa, mas é vital que os desejos não se descolem da veras dos fatos.
Na vida real, Joaquim Levy vai enfrentar nesta terça-feira uma outra guerra decisiva na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, em que tentará um convenção para a correção das dívidas de estados e municípios com a União, que poderá provocar uma sangria de R$ 3 bilhões na arrecadação do governo.
Além disso, o ministro terá que se empenhar nas negociações para manter os cortes nos benefícios trabalhistas e sociais e evitar que o pacote do ajuste fiscal seja desfigurado no Congresso.
Caso Levy não seja muito sucedido neste duplo papel de articulador político e econômico do governo, enfrentando feras feridas porquê Renan Calheiros e Eduardo Cunha, o que já está ruim pode piorar muito, pois a presidente não tem um Plano B.
G Levy ou Levy, ajuste fiscal ou ajuste fiscal, tudo ou zero. Quero estar ludibriado, mas pressinto que estamos exclusivamente no início de uma crise profunda na vida pátrio, que não promete finalizar tão cedo, ainda que o pacote levítico seja integralmente revalidado, o que constituiria verdadeiro milagre.
Entre a canonização e o naufrágio de Joaquim Levy, que de histrião não tem zero, mas não parece possuir dons divinos, navega o barquinho de cada um de nós em procura de um porto seguro. Ele sempre poderá manifestar que tentou de tudo, mas, infelizmente, não deu. E Dilma e nós o que vamos fazer?
Fonte: Ricardo Kotscho
