Se pudessem, 7 em cada 10 iriam embora daqui

transito Se pudessem, 7 em cada 10 iriam embora daqui

25 de janeiro de 2016. No dia em que comemora seus 462 anos, a cidade de São Paulo amarga o desprezo da maioria dos seus 12 milhões de moradores. Se pudessem, sete em cada 10 paulistanos iriam embora daqui, segundo pesquisa do Ibope Inteligência encomendada pela Federação do Comércio e Rede Nossa São Paulo.

Entre eles, pela primeira vez na vida, eu me incluiria. Sempre tive com a cidade aonde nasci uma relação ambígua, porquê escrevi no Estadão num outro natalício de São Paulo, quando estava começando na curso, nos anos 1960 do século pretérito. S título da material era ou menos esse: "Amo esta cidade com todo ódio".

Nos seis anos em que passei longe de São Paulo, para trabalhar em outras cidades, sentia muita falta de algumas coisas que eu paladar, porquê a panificação da esquina e as feiras livres, mas ao voltar logo a saudade passava. Lembro de quando voltei da Alemanha, em 1978: mal habituado lá a ser respeitado porquê pedestre, quase fui atropelado no primeiro dia, ao tentar terçar a rua Augusta, e ainda me xingaram: "Ô, cego, quer morrer seu f.d.p?...".

Com o tempo, muita coisa melhorou, é evidente, entre milénio e uma obras até fizeram faixas para pedestres e instalaram semáforos para nos proteger, mas agora chegamos a um ponto em que ninguém respeita ninguém e você corre o risco de ser abalroado até andando nas calçadas.

São Paulo foi-se tornando cada vez violenta e barulhenta, inóspita mesmo, uma selva urbana construída para automóveis e motoristas sempre com pressa, poderes públicos ausentes ou omissos, cidadãos sem a menor noção de cidadania.

P triste constatar estas coisas, mas é a nossa veras. Nunca os Indicadores de Referência de Bem-Estar no Município (Irbem) atingiram números tão altos de mal-estar, desde que estes levantamentos começaram a ser feitos, em 2008, nem foi tão grande a vontade de procurar outro lugar para viver. Do totalidade de itens pesquisados para medir o intensidade de satisfação dos paulistanos, 89% ficaram aquém da média na avaliação. Mobilidade urbana, por exemplo, foi reprovada com nota 3,9. Ir de um ponto a outro da cidade virou um duelo quotidiano.

Mesmo neste dia de feriado, para não olvidar onde estava, fui acordado, porquê de hábito, por motos com escapamento crédulo, alarmes disparando a toda hora, buzinas, britadeiras, serras elétricas, carros com som no último volume, vizinhos falando cume. Dá para viver num lugar desses e ainda descobrir bom?

E o custoso leitor, o que pensa de tudo isso? Quer permanecer cá assim mesmo ou também está pensando em ir embora? Ir para onde?

E vamos que vamos...

Vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Ricardo Kotscho