Renan e Cunha vão escolher quem vai julgá-los

Calma, pessoal, muita calma nesta hora. Quem estava querendo ver sangue na Operação Lava-Jato, e ficou gorado com a lista anunciada pelo ministro Teori Zavascki, que já tinha vazado por todo lado, ainda vai ter que esperar um mica de tempo até que acabem as investigações solicitadas pelo procurador-universal Rodrigo Janot, sejam feitas as denúncias e saiam as primeiras sentenças no STF, se é que um dia isso acontecerá (o mensalão tucano até hoje não foi a julgamento).
Pelos cálculos do experiente ministro Marco Aurélio Mello, que conhece todos os escaninhos do STF, levará pelo menos três anos para que o processo seja concluído, ou seja, isto deve coincidir com a campanha presidencial de 2018.
Por revoltados que estejam com o governo federalista e o procurador-universal Rodrigo Janot, os presidentes do Senado, Renan Calheiros, e Eduardo Cunha, da Câmara, não têm motivos para se preocupar tanto com seus destinos nos inquéritos abertos na noite de sexta-feira contra 34 parlamentares suspeitos de envolvimento com o esquema de depravação da Petrobras.
Com o controle integral do Congresso Nacional nas suas mãos, os peemedebistas Renan e Cunha podem se dar ao luxo de escolher quem vai julgá-los politicamente nos conselhos de moral (na Justiça, é outra história, que ainda vai demorar bastante).
Na Câmara, o conjunto suprapartidário formado por Eduardo Cunha ocupará praticamente a metade das cadeiras (9 no totalidade de 21 titulares) do Conselho de Ética, que toma posse na próxima quarta-feira. Se não permanecer satisfeito com alguma decisão, o investigado Cunha ainda poderá recorrer à poderosa Comissão de Constituição e Justiça, que é presidida pelo leal coligado Arthur Lira (PP-AL), um dos 22 parlamentares do partido de Maluf incluídos no pacote de Janot/Teori.
Também Renan Calheiros tem tudo para dar um tranquilo passeio pela Comissão de Ética do Senado, onde conta com folgada maioria, ainda agora que virou herói também da oposição, depois de desafiar a presidente Dilma Rousseff, ao entregar a medida provisória da desoneração das folhas de pagamento.
Cunha e Renan estão possessos com o governo Dilma, acreditando piamente de que foi o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, quem convenceu Janot a colocar seus nomes na lista. Para se vingar do procurador-universal, os dois pretendem apresentar propostas na Câmara e no Senado com o objetivo de impedir a recondução de Janot ao incumbência, lembrando que o procuração dele termina em setembro. P o Senado, enfim, quem aprova ou não o nome indicado pela presidente da República a partir de uma lista tríplice apresentada pelo Ministério Público Federal.
A guerra entre o Planalto e a cúpula do Congresso está só começando. Eduardo Cunha até já mudou de teoria sobre um pedido de impeachment contra a presidente Dilma. Depois de dar várias declarações em resguardo do incumbência da presidente, garantindo que é contrário à proposta defendida por setores da oposição, agora o presidente da Câmara já admitiu a aliados próximos que poderá acomodar o pedido, a depender do tamanho das manifestações pelo "Impeachment Já" marcadas para o próximo dia 15.
Além disso, Cunha corre para concordar em segundo vez a chamada "PEC da Bengala", que aumenta para 75 anos a idade-limite para a aposentadoria dos ministros do Supremo Tribunal Federal, com o objetivo de impedir Dilma de indicar cinco novos nomes no segundo procuração.
Com a atual constituição, Renan e Cunha nunca tiveram maiores problemas no STF. E Renan já mandou avisar à presidente Dilma que não aceitará qualquer nome bem por José Eduardo Cardozo para a vaga do ex-ministro Joaquim Barbosa, que se aposentou há seis meses. Para fazer sua resguardo no STF, Renan não vai nem gastar numerário do seu bolso: já indicou para esta tarefa o legisperito-universal do Senado, Alberto Cascais, que é pago com os impostos que nós pagamos.
Por estrondo que a confederação midiática do Instituto Millenium tenha feito desde que começaram os vazamentos das delações premiadas, pelo menos até o momento em que escrevo o mundo ainda não acabou com a divulgação dos nomes dos políticos investigados na Operação Lava-Jato.
Por falar nisso, tem alguém investigando quem é o responsável por estes vazamentos seletivos de partes dos processos que corriam sob sigilo de Justiça?
E vamos que vamos.
Fonte: Ricardo Kotscho
