PMDB articula blindagem de Eduardo Cunha na Câmara

Com a perspectiva de o vice-presidente Michel Temer assumir o poder, o PMDB articula uma blindagem ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Os movimentos buscam evitar que o peemedebista perda o procuração devido ao processo no Conselho de Ética.

Réu no contexto da Lava Jato por devassidão e lavagem de moeda, Cunha é denunciado de mentir na CPI da Petrobras ao negar ter contas no exterior.

Por ser a maior bancada e devido a pacto de líderes, o PMDB tem o poder de indicar a presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). S líder, Leonardo Picciani (RJ), abriu mão de indicar o reputado Rodrigo Pacheco (MG). Próximo a Cunha até o início de 2015, Picciani se afastou do correligionário depois a aproximação com o Planalto.

Com o recuo, ganha força o nome do deputado Osmar Serraglio (RS), próximo a Temer e um dos principais articuladores do impeachment da presidente Dilma Rousseff. A indicação será feita nesta semana.

Cabe ao presidente da CCJ pautar a estudo de recursos que venham do Conselho de Ética. Em dezembro, Cunha apresentou um pedido para anular diversos atos do colegiado, além da troca do relator, deputado Marcos Rogério (DEM-RO).

Há expectativa também de novos recursos ao longo da tramitação.

Instaurado em 3 de novembro, o processo é o longo da história do Conselho de Ética da Câmara. Marcos Rogério deve apresentar o parecer na segunda quinzena de maio.

Suplentes

Nesta quarta-feira (27), Cunha colocou em tarifa no plenário um projeto de solução que mudava a forma partidária nas comissões. S texto é requisito para a instalação das comissões permanentes, mas poderia favorecê-lo no Conselho de Ética.

De entendimento com o projeto, na exiguidade de titulares, o suplente com direto a voto teria de ser do mesmo partido. Hoje é do mesmo conjunto. A feitio atual já prejudicou Cunha porque suplentes votaram contra ele no colegiado.

Antes de concluir a votação, mas, o plenário aprovou, por 256 votos a 153, uma emenda substitutiva do deputado Alessandro Molon (Rede-RJ).

Com o novo texto, a mudança só poderá ser aplicada nos órgãos que serão compostos a partir da publicação da solução:

"Foi uma vitória muito importante contra a tentativa casuística de mudar as regras de funcionamento do Conselho de Ética. P um sinal de que a Câmara começa a reagir às manobras do presidente da Casa", disse Molon.


'Fora Cunha'

Após a votação do projeto de solução, o clima se acirrou no plenário quando Cunha insistiu em votar um outro projeto de solução que cria a percentagem sobre direitos da mulher e do idoso, apesar da resistência dos parlamentares.

Ele interrompeu a sessão aos gritos de "fora Cunha".

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Fonte: HuffPost Brasil