Novo governo é diletante em informação estratégica

Trabalhei porquê executivo em uma multinacional que, em determinado momento de sua história, precisava sacudir a poeira e iniciar um projecto de retomada de investimentos, lançamento de produtos e – se tudo desse notório – executar a missão estipulada pelos acionistas, que era crescer e invadir um bom market share no mercado brasiliano. Uma tarefa e tanto. Todos os departamentos da empresa foram chamados à ação e, na Comunicação, a tarefa era clara: estipular um exposição único e que traduzisse a estratégia da empresa, seus pontos fortes e suas mensagens-chave, que deveriam ser expressados por todos da empresa, de cima para plebeu, de grave para cima, de lado a lado.

 

Primeiro, definiu-se as tais linhas de comunicação, as mensagens-chave que dariam a todos os nossos interlocutores uma indicação do que estávamos para fazer e intercorrer. E tudo começou dentro de morada. Ou seja, o chamado público interno. S departamento de comunicação definiu um fluxo preciso de comunicação interna, partindo da diretoria, passando pelas lideranças e chegando aos demais empregados. Cartilhas, jornais internos, murais, ações específicas... todos os canais possíveis foram usados para a transmissão daquilo que foi definido porquê a “comunicação solene da corporação”.

 

Como próximo passo, foram definidas as ações externas, também trabalhadas em canais mapeados e seguidos à risca: assessoria de prelo, redes sociais, publicidade, eventos etc. Quando alguém falava com a prelo, quando um anuncio saía, quando um empregado era abordado num churrasco da família no término de semana... todos, a princípio, sabiam o que tinham de falar e, principalmente, porque.

 

A teoria era gerar a expectativa correta acerca de nossas ações para, quando elas começassem a intercorrer, pudéssemos reforça-las com dados e fatos e assim, gerar credibilidade. E isso aconteceu. Os investimentos prometidos foram realizados. Os produtos lançados no ritmo prometido e com a qualidade anunciada. As vendas cresceram muito e o market share multiplicado por um fator de três.

 

Essa história é conhecida e foi um trabalho de equipe fenomenal, onde todos os departamentos deram sua contribuição para o sucesso. A comunicação (nosso tema cá) foi estratégica nessa arranque da empresa. Dentro de moradia, ela criou o envolvente propício para a mudança e para a implantação de uma novidade cultura e procedimentos. Fora, contribuiu para gerar a expectativa positiva que estimulou a empatia crescente pela empresa e produtos. Foi um trabalho e tanto, um “case”.

 

Rememorei todos esses fatos diante de uma notícia de que o presidente Temer repreendeu seus ministros falastrões acerca de declarações desastradas sobre a jornada de trabalho, a reforma educacional, os cortes nos gastos, as ações da operação lava-jato e outros assuntos menos picanes. A lista é grande. Segundo a Folha de S. Paulo, Temer teria pedido a todos que ficassem de “ponta mudo”. E a contratação de um “porta-voz” já foi encaminhada para tentar resolver esse problema.

 

Bem, se o caso é somente de incompetência de comunicação, esse profissional talvez ajude. Mas quem é do ramo (Comunicação) e observa todas essas trapalhadas sabe que o problema está embaixo. A produção de factoides, a afobação de ministros diante de microfones, a falta de timing e os desencontros de informação são sintomas de uma bagunça comunicativa que, antes de zero, sugere que o Governo não tem uma visão e uma estratégia refinadas o suficiente para serem estruturados em um projecto de comunicação propositivo e que defina não só quem deve falar, mas exatamente o que falar, porque falar e quando falar.

 

Hoje o amadorismo impera e o resultado final é sempre ruim para o Governo e para todos nós.

 

 

Notícias relacionadas:

 Quanto cabe em um minuto de internet?

[email protected]

Marcas, valores, verdades e mentiras

Fonte: Minas Marca