Contra as expectativas, literatura viveu boom na pandemia

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Pixabay Aumento de vendas e do consumo de novos formatos marcou o primeiro ano de pandemia na literatura. Pixabay

Os livros sempre foram uma ótima rota de fuga para realidades não muito satisfatórias. No momento em que o planeta mergulhou em uma pandemia altamente mortífera, obrigando a população a se recolher em seus lares e evitar o sumo de contato humano provável, a leitura despontou porquê um verdadeiro bálsamo para tamanha guerra vivida nos quatro cantos do mundo. 

A  literatura foi o mecanismo encontrado por muitos quarentenados para mourejar com o isolamento e demais problemas da pandemia e, contrariando o contexto de crise e de retrocesso que se abateu nos demais setores da arte e da cultura, o segmento conseguiu se organizar e até crescer em meio ao caos. Apesar dos problemas econômicos, sobretudo os enfrentados pelas redes de livrarias, grandes e pequenas, e editoras - com fechamento de lojas físicas e aumento nos valores de insumos -,  o consumo de livros cresceu no Brasil durante o primeiro ano da crise sanitária.

Segundo levantamento feito pela 11º Quadro do Varejo de Livros no Brasil de 2020, divulgado pelo Sindicato Pátrio dos Editores de Livros (SNEL) e pela Nielsen Bookscan Brasil, houve um desenvolvimento de 25% em volume e 22% em valor dos livros vendidos comparado com o mesmo período em 2019. Até novembro do ano pandêmico, o setor livreiro havia movimentado R$ 1,39 bilhão com a venda de 32,81 milhões de livros. 

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Apesar do bom desempenho, editoras e escritores também voltaram suas atenções para o mundo virtual, seguindo a tendência mundial do momento. Promoções, lives, debates e lançamentos virtuais, oficinas e workshops à intervalo começaram a pipocar nas redes porquê forma de atrair os leitores. Outros nichos que cresceram com a chegada da pandemia foram os de e-books, e-readers e audio books. 

De convénio com a Bookwire, distribuidora de e-books para mais de 500 editoras brasileiras, só entre março e abril de 2020 a empresa distribuiu 9,5 milhões de exemplares digitais, um número 80% maior do que havia sido comercializado durante todo o ano anterior pela empresa.  Já segundo a Storytel, especializada em audiolivros, o aumento no consumo do formato foi de 23% em todo o mundo. 

Tamanho prolongamento, no entanto, não se deu de forma gratuita. Distribuidoras e editoras, atentas à crise, lançaram mão de inúmeras estratégias para fisgar os consumidores. Uma delas, o Do dedo First, promove o lançamento dos títulos primeiramente no online, para só em seguida possuir a sensação das unidades físicas. Obras de escritores porquê Augusto Cury, Fabrício Carpinejar e Luiz Felipe Pondé, por exemplo, embarcaram nessa.

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Outra opção para invocar a atenção do público, foi a de disponibilizar títulos digitais de forma gratuita. A editora Rocco tem disponibilizado, mensalmente, murado de 30 títulos totalmente sem dispêndio para a clientela. A Sextante tem feito o mesmo e já passou da marca de um milhão de e-books gratuitos disponibilizados na internet. 

Processo criativo

Em meio a essa profusão de formatos e estratégias mirabolantes para atrair os leitores estão os escritores. Esses também precisaram adequar-se aos novos tempos para continuarem criando e entregando produção de qualidade. Outros, por outro lado, resolveram aproveitar o ensejo para se jogar na literatura de uma vez. 

Foi o caso da pernambucana Lara Ximenes que decidiu lançar seu livro de estreia, Tática Operacional para Sobreviver so Cotidiano, em plena pandemia. O livro, resultado final de uma pós-graduação em escrita criativa, acabou funcionando porquê uma “salvação” para a autora que em meio a seus “pensamentos quarentenescos” e as inquietações provocadas por um TCC (Trabalho de Desenlace de Curso) acabou estreando no período  “Inusitado”. “Você em moradia, só você e sua mente, você tem que mourejar com muita coisa que você nem tem porquê fugir. E aí, meu TCC veio também porquê esse escape literário das minhas próprias vivências na pandemia. O que eu tava experienciando eu tava colocando no papel e o contexto me estimulou a lançar o livro nesse momento porque foi um meio de marcar alguma coisa positivo em meio a tantas coisas ruins”, disse em entrevista ao LeiaJá.

Lara Ximenes estreou porquê escritora durante a pandemia. Foto: Divulgação/Mariana Gallindo

Na obra, Lara traz várias listas que, de forma poética, elencam algumas das necessidades e dificuldades desses tempos atuais, além de servirem de registro histórico para ele. O formato, além de ser muito considerado por ela, acabou surgindo durante discussões acadêmicas e, unindo-se às circunstâncias, acabou caindo porquê uma luva para sua primeira obra. “A gente escreve listas inteiro, são registros históricos. Quanta coisa cabe numa lista, não só literalmente mas metaforicamente falando. Eu percebi que eu usava listas de forma lúdica para me lembrar de coisas; era uma forma de misturar a praticidade do dia a dia com o lirismo da trova e da escrita afetiva; eu sempre nutri uma afinidade com esse tipo de escrita”.

Na contramão das tendências digitais da atualidade, Lara optou por lançar a primeira tiragem do livro no formato físico, através da editora Chuvisco. A escolha não foi por casualidade. Além de marcar materialmente sua estreia porquê escritora, ela também optou por esse padrão para fomentar outras reações à sua obra. “Existe uma magia em você receber um livro em lar. Você receber uma encomenda nesses tempos tão difíceis que a gente não consegue ver pessoas queridas, não consegue ir em lojas, tem uma afetividade. É uma forma de eu estar presente em vários lares. Eu me encantei com os relatos que recebei de familiares acessando esse material que talvez se estivesse só disponível no online, talvez eles não teriam porquê acessar. O resultado foi maravilhoso, ficou do jeito que eu sonhei. O sonho estava ali na minha mão”. 

Na próxima e última material da série, você vai ver porquê as artes plásticas sobreviveram ao primeiro ano pandêmico. 


 


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