Porquê o Facebook mudou a internet, o comrcio e at a poltica – Tecnologia

[ad_1]
Facebook e outras gigantes da tecnologia passaram a fazer parte da vida de bilh
Facebook e outras gigantes da tecnologia passaram a fazer secção da vida de bilhes de pessoas (foto: Getty Images)

O sculo 21 comeou com o estouro de uma bolha. Em 2001, o primeiro ano do milnio, a novidade economia do dedo americana, que na segunda metade dos anos 1990 havia enchido de exaltação investidores, empreendedores e economistas, desmoronou.

Empresas criadas em torno da internet, que se tornou acessvel depois da criao e da popularizao da World Wide Web, a partir de 1995, receberam investimentos e atingiram valorizaes astronmicas. Quando o desenvolvimento econmico diminuiu em partes do mundo, incluindo os Estados Unidos, grande secção das empresas digitais faliu.

Nos anos seguintes, os esforos em torno desse mundo do dedo foram repensados. Nasceram as plataformas em que pessoas podiam fabricar sua presena online e interagir com outros usurios. Uma delas, criada em 2004, viria a se transformar numa das maiores empresas do mundo. O Facebook mudou o uso da internet, o comrcio, a publicidade e at a poltica.

Junto com o Google, a rede social estabeleceu um novo padrão para a economia do dedo. Para o muito e para o mal, em grande medida o Facebook definiu porquê seria a vida nas primeiras dcadas do sculo 21.

Uma novidade rede social

Em meados dos anos 1990, uma espcie de corrida do ouro do dedo foi iniciada, em procura de um lugar ao sol na novidade veras da World Wide Web. O que simbolizava tal disputa era a procura por um bom domnio, ou seja, um bom "ponto com".

Essa primeira gerao da internet contou com inmeras novas empresas nos Estados Unidos - e muitas fracassaram de forma espetacular.

Um caso simblico foi o da Pets.com, que foi criada em 1998, atraiu mais de US$ 80 milhes em sua introdução de capital e, no término de 2000, foi falncia. Sem projecto de negcio ou estudo de mercado, a Pets.com foi um exemplo dos tempos irresponsveis do incio da internet.


O site Friendster, lan
O site Friendster, lanado em 2002, foi a primeira tpica rede social da Web (foto: Getty Images)

Muitas empresas fecharam na viradela do milnio, devido a mudanas no cenrio econmico e falta de planejamento. Outras foram compradas por valores estratosfricos por empresas maiores, porquê a Broadcast.com, vendida por US$ 5,7 bilhes ao Yahoo em 1999.

Trs anos depois, o Yahoo fechou as operaes da Broadcast.com, selando o que considerado um dos piores negcios da histria da internet.

Enquanto algumas empresas tornaram-se potncias digitais - porquê Amazon ou Ebay -, o cenrio universal foi de decepo com o setor. Entre o primeiro semestre de 2000 e o ltimo de 2002, o ndice Nasdaq da Bolsa de Novidade York, de empresas de tecnologia, sofreu uma queda de 78%. Foi o estouro da chamada "bolha da ponto com".

A internet precisava urgentemente de novos modelos - e uma novidade injeo de nimo. O sigilo veio na termo "interatividade". Das cinzas da bolha anterior, comearam a surgir nos Estados Unidos as primeiras plataformas e empresas baseadas na participao do usurio.

O concepção ficou divulgado porquê Web 2.0, em oposio primeira verso, a Web 1.0, termos usados pela primeira vez pela perito em tecnologia do dedo Darcy DiNucci, num cláusula publicado em 1999.

"A Web que conhecemos agora, que carregada numa janela de navegador essencialmente em telas estticas, exclusivamente um embrio da Web que est para vir. Os primeiros sinais da Web 2.0 esto comeando a comparecer."

O que DiNucci j via desde 1999 comeou a virar veras no cenrio ps-bolha. Na novidade Web, os usurios j podiam prov-la de contedo e participar ativamente da criao dos negcios formados na internet. Com isso, proliferaram os weblogs - ou simplesmente blogs - e surgiu o concepção de UGC - user generated content, ou contedo gerado por usurio.

Foi nessa veras que apareceu a primeira rede social da Web 2.0. Em maro de 2002, Jonathan Abrams fundou o Friendster, um site que mostrava conexes indiretas (amigos de amigos), incentivando o estabelecimento de novas amizades.

Um ano depois, usurios do Friendster que trabalhavam na empresa eUniverse resolveram fazer um pouco parecido. Nascia o MySpace, que, assim porquê a rede de Abrams, acumularia milhes de usurios.

Era clara a disposio de pessoas, mormente os mais jovens, de usar a internet para contatos sociais.

Em 2004, o mercado ganhou novos competidores. Em janeiro, o engenheiro Orkut Buyukkokten, que trabalhava no Google, lanou uma rede social criada por ele porquê um projeto paralelo da empresa. A plataforma ganhou seu nome - Orkut.

Depois do grande sucesso inicial, mormente em pases porquê os Estados Unidos e o Brasil, a Friendster acabaria fechada anos depois. O MySpace trocou de mos de forma multimilionria, mas perdeu usurios e relevncia. O Orkut no se modernizou e, ofuscado pela concorrncia, acabou fechado pelo Google.

Em fevereiro de 2004, porm, surgia na Universidade Harvard, no Estado de Massachusetts, uma verso de rede de amizades online que teria muito mais sucesso. Ajudado por outros quatro colegas, o estudante de psicologia e cincias da computao Mark Zuckerberg, talentoso programador de exclusivamente 19 anos, colocou no ar o que chamou de The Facebook.

Era uma rede social inicialmente somente para o pblico de Harvard. Em trs semanas, 6 milénio estudantes se cadastraram.

Um ms depois, o site comeava sua expanso para outras universidades, porquê Columbia e Yale, na costa leste, e Stanford, na Califrnia. No mesmo ano, Zuckerberg transferiu a empresa para a regio de So Francisco, dando incio ao que se tornaria um verdadeiro imprio do dedo.

Convergncia na rede vencedora

Zuckerberg apresentava seu The Facebook porquê "um diretrio online", porquê disse numa entrevista ao conduto CNBC, ainda em 2004. "Voc entra, faz um perfil sobre voc mesmo respondendo a algumas perguntas, coloca algumas informaes, porquê o que voc estuda, nmeros de telefone, interesses, de que livros voc gosta, filmes. E o mais importante: quem so os seus amigos."

Sem dvida, essa era a informao vital para The Facebook.

Diferentemente de outros ambientes sociais online, que ofereciam formas de gerar novos contatos, o Facebook - o "The" original no duraria muito - apostou na teoria de trazer seus contatos da vida real para o mundo do dedo.

Em 2006, quando a plataforma j tinha murado de 8 milhes de usurios, o ento diretor e co-fundador Chris Hughes explicou a lgica em uma entrevista.

"A teoria de que ns todos temos comunidades da vida real em que vivemos, no dia a dia, e ns queremos edificar um espao para elas na internet, para as pessoas saberem mais sobre seus colegas. Voc no est indo online para saber, de forma aleatria, qualquer que vive a 8 milénio milhas de voc. Voc est entrando para ver informaes sobre pessoas que j so importantes para voc."

O Facebook no foi a primeira rede social do mercado, nem era a mais badalada em seu incio, mas aumentou sua base de usurios de forma consistente. Durante mais de dois anos, foi um site fechado, que Zuckerberg e sua equipe ofereciam a universidades, escolas de segundo intensidade e empresas. Estudantes dessas escolas ou funcionrios dessas firmas entravam na rede e viam os perfis de seus amigos e colegas.

O Facebook s foi descerrado para qualquer usurio, a partir de seus 13 anos de idade, em setembro de 2006. "Estamos expandindo para atender aos pedidos de milhes de pessoas que querem fazer secção do Facebook, mas at hoje no podiam", disse Mark Zuckerberg em um enviado.

Padrão de negcio: personalizao

Desimpedido ao pblico em universal, o Facebook cresceu de forma ainda mais impressionante, ultrapassando os 100 milhes de usurios em 2008. A plataforma tambm evoluiu rapidamente, deixando de ser o "diretrio" descrito por Zuckerberg em seu primeiro ano.

Em 2007, ela chegou ao telefone celular, apesar de ainda numa soluo simples, baseada na navegao via Web. No mesmo ano, dias antes de permitir a ingressão de qualquer pessoa na rede, em carter individual e sem ligao com alguma escola ou empresa, o site criou o chamado News Feed.

Apresentado porquê uma home page opção, o News Feed trazia o registro de tudo o que seus amigos faziam na plataforma - o contedo que postavam ou comentrios que deixavam.

Porquê em muitas coisas que o Facebook faria ao longo dos anos, o News Feed causou polmica inicial por expor seus usurios de uma forma que eles no haviam autorizado. Zuckerberg desculpou-se, e nveis de privacidade foram criados com .

O News Feed, entretanto, ficou e tornou-se a essncia da plataforma: a instrumento oferecia um relatrio em tempo real das atividades de seus amigos, sem a premência de o usurio visitar seus perfis.

Alm disso, o News Feed era uma reunio de contedos exclusiva, j que ningum tinha os mesmos amigos nem, portanto, os mesmos registros em sua tela. Essa experincia nica seria a base para o horizonte da monetizao do Facebook.

Seu imprio seria construdo a partir da criao de uma experincia, de servios e de mensagens publicitrias especficos para cada pessoa.

Tal personalizao foi possvel a partir da macia e ininterrupta coleta de informaes sobre cada usurio, o que permitia um ajuste ordenado de seu algoritmo - o comando matemtico que determina o comportamento da plataforma - para implantar a oferta individual de forma cada vez mais eficiente.

A aposta na personalizao exigia que o Facebook soubesse mais e mais sobre cada um que usasse a plataforma. Mais do que saber quem eram seus amigos e de que msica ou filmes gostavam, o Facebook passou a se esforar para deslindar todo tipo de hbito de cada usurio. Isso envolvia avanar significativamente sobre sua privacidade.

Quando esse avano mostrava-se exagerado, o Facebook costumava pedir desculpas, recuava, mas logo depois achava outra forma de seguir em frente em sua misso.

Um grande exemplo foi o Beacon, uma instrumento do Facebook lanada em novembro de 2007, que conectava a plataforma com outras empresas. Quando o usurio fazia uma compra numa dessas empresas, essa informao era publicada, via Beacon, em sua News Feed, numa combinao de compartilhamento de atividade pessoal com publicidade.

Com um pormenor: os usurios no haviam autorizado tal publicao, de quem cancelamento exigia uma complicada ao de "opt-out" para que o usurio desligasse o Beacon de seu perfil.

Em poucas semanas, o servio tornou-se motivo de um processo contra a empresa, e o Facebook criou as opes de desligamento alm de tornar o servio "opt-in" - ou seja, o Beacon s seria ativado se o usurio o solicitasse.

Em 2008, ao participar de uma conferncia de tecnologia, Zuckerberg disse: "Voc no perguntou, mas eu vou te manifestar: o Beacon foi um grande erro para ns, de vrias maneiras".

Em setembro de 2009, menos de dois anos depois de sua criao, a instrumento foi encerrada, porquê secção do contrato feito na Justia.

A experincia, entretanto, foi valiosa para o Facebook, que aprendeu na prtica at onde poderia ir antes de incomodar - ou revoltar - grande secção de seu pblico.

Em 2008, a rede social lanou a instrumento de se "logar" com outros sites usando sua identidade do Facebook - o chamado "Log in with Facebook" ou, em seu nome solene, Facebook Connect.

No ano seguinte, foi a vez do lanamento do boto de "Like", que facilitou a expresso de sentimento positivo em relao a qualquer tipo de contedo dentro da rede. Gostou do que viu ou leu? s dar um "like", e o responsável permanecer sabendo - assim porquê outras pessoas.

Para o Facebook, o boto potencializou o conhecimento sobre os gostos e inclinaes de cada pessoa por meio de uma coleta indireta. Em vez de o usurio declarar claramente seu palato por qualquer tipo de comida, esporte ou msica, o boto de "like" registrava aquele paladar na prtica, de forma espontnea.

O Facebook comeava a saber mais sobre seus usurios do que eles mesmos - um "like" poderia revelar um interesse que a prpria pessoa ainda no tinha percebido ter.


O bot
O boto de "Like" do Facebook nasceu porquê um marca da rede e virou uma lucrativa instrumento de negcios (foto: Getty Images)

Em 2010, o "Like" ganhou asas. Em abril, em sua conferncia interna anual chamada F8, o Facebook anunciou a expanso do boto de "Like" para toda a Web.

Ao iniciar sua apresentao, Mark Zuckerberg disse no palco: "O que temos para mostrar a vocs hoje ser a coisa mais transformadora que j fizemos para a Web". E era mesmo: o boto de "Like" passava a permanecer disponvel para qualquer site que quisesse implant-lo, levando o Facebook para todos os cantos da Web.

A teoria, disse ele, era "fazer experincias instantaneamente sociais e personalizadas em todo lugar que voc v" usando a internet. Para isso, ele contava com a quase onipresena de sua rede social, que em 2010 j acumulava 400 milhes de usurios.

Zuckerberg falava em experincias "sociais e personalizadas", dando destaque ao "sociais", mas o que interessava mesmo era o "personalizadas".

Quanto mais o Facebook sabia sobre seus usurios e crescia, mais poderoso e lucrativo ele se tornava. Ao noticiar a novidade, a revista americana Time identificou o potencial mercantil que o avano da rede social sobre a rede de computadores representava.

"A empresa j tem uma plataforma de publicidade altamente desenvolvida, permitindo que anunciantes visem consumidores em demografias estreitamente definidas. (...) Se o Facebook de repente puder ter contato tambm com suas preferncias, a plataforma poder ser muito mais poderosa. A empresa manteve-se calada sobre qualquer projecto de monetizao para o horizonte (...), mas poder em breve ter a capacidade de direcionar anncios de uma forma mais estreita do que qualquer outro."

Os nmeros confirmaram tal previso. At 2008, o Facebook ainda acumulava prejuzo - murado de US$ 56 milhes de perdas naquele ano, para um faturamento de US$ 272 milhes. No ano seguinte, a empresa entrou no azul, com lucro de US$ 229 milhes. Foi, porm, a partir de 2010 - ano do lanamento do boto de "Like" na Web - que tanto seu faturamento porquê seu lucro dispararam.

Em 2010, entraram US$ 1,97 bilho na empresa, que registrou lucro de US$ 606 milhes. Em 2015, o faturamento foi nove meses maior que cinco anos antes - US$ 17,9 bilhes -, e o lucro o acompanhou: US$ 3,7 bilhes.

Esse desempenho refletiu-se no valor totalidade da empresa. Em 2009, ela era avaliada em US$ 10 bilhes pelo mercado.

Em 2012, aps anos de especulao, o Facebook fez sua estreia na Bolsa de Novidade York. A US$ 38 cada ao, a empresa, de somente oito anos de existncia, abriu seu capital avaliada em US$ 104 bilhes.

Aprendendo com o Google

O perodo de 2007 a 2010 foi decisivo para o Facebook, particularmente o ano de 2008. Em maro, chegou empresa para assumir a posio de COO (Chief Operating Officer, ou diretora de Operaes) a executiva Sheryl Sandberg.

Economista, Sandberg vinha do Google, onde era responsvel pela rea de publicidade. Em linhas gerais, ela fazia o Google lucrar muito moeda com anncios publicitrios - e chegava ao Facebook para repetir o feito.

Com suas ferramentas e algoritmos, o Facebook havia criado a personalizao social em grande graduação, mas o lucro em grande graduação com a personalizao era obra do Google.


Sheryl Sandberg levou do Google para o Facebook muito conhecimento sobre publicidade digital(foto: Getty Images)
Sheryl Sandberg levou do Google para o Facebook muito conhecimento sobre publicidade do dedo (foto: Getty Images)

Fundado em setembro de 1998 pelos engenheiros americanos Larry Page e Sergey Brin, estudantes de doutorado na Universidade Stanford, na Califrnia, o Google revolucionou o mundo do dedo em vrios aspectos.

Primeiro, com seu algoritmo PageRank, que classificava a relevncia de pginas da Web com base em suas conexes com outros sites - pginas que apareciam em mais links de terceiros eram mais relevantes. Depois, com seu Google Ads, criado em 2000 porquê uma plataforma de anncios publicitrios que usa leiles em tempo real para definir preo e visibilidade.

possvel que a maior revoluo do Google, no entanto, tenha sido sua terceira inovao. A empresa percebeu que, no processo de navegao pelo Google, com suas pesquisas e perguntas, todo usurio deixava uma trilha de pegadas. Um enorme amontoado de dados revelando interesses de uma pessoa era produzido e recebido pelo Google.

A empresa, ento, decidiu fazer um pouco com isso. Passou a considerar essas informaes na hora de oferecer os resultados de suas buscas a um indivduo. Mais: passou a considerar esses interesses pessoais na hora de exibir anncios para cada pessoa.

Estava criada a publicidade direcionada - que, de posse de cada vez mais detalhes sobre cada usurio, se torna uma publicidade microdirecionada.


Larry Page e Sergey Brin, criadores do Google, perceberam que seus usu
Larry Page e Sergey Brin, criadores do Google, perceberam que seus usurios deixavam rastros sobre seus interesses (foto: Getty Images)

A pesquisadora e escritora americana Shoshana Zuboff identificou na inveno do Google o promanação do que ela considera um novo - e perverso - sistema econmico.

"A inveno do Google de anncios direcionados abriu o caminho para seu sucesso financeiro, mas tambm estabeleceu o pilar de um caso de alcance ainda maior: a invenção e a elaborao do capitalismo de vigilncia", escreveu Zuboff em seu livro A Era do Capitalismo de Vigilncia (Editora Intrnseca).

Fundamentado no jacente monitoramento dos comportamentos dos consumidores - a partir do que eles pesquisam na internet, o que compram, aonde vo, o que leem e muito mais -, esse novo capitalismo tem, segundo a autora, o poder de se antecipar aos desejos das pessoas.

Alm disso, diz Zuboff, depois de se antecipar a esse libido e oferecer-lhe exatamente aquilo que uma pessoa buscava, esse novo sistema adquiriu a capacidade de influenciar o comportamento dos consumidores. Criou assim um crculo virtuoso para os lucros de empresas, mas vicioso para a privacidade e autonomia dos cidados.

Sheryl Sandberg entrou no Google em 2001 e foi pea fundamental na criao de tal padrão extremamente lucrativo para a empresa de Page e Brin, porquê vice-presidente para vendas globais.

O faturamento do Google, de US$ 400 milhes em 2002, atingiu US$ 16,6 bilhes em 2007. Shoshana Zuboff chamou de "supervit comportamental" a matria-prima usada pelo "capitalismo de vigilncia", e para ela Sandberg sabia muito muito do potencial do Facebook para monetizar tal material.

"Sandberg compreendeu que, por meio de uma manipulao habilidosa da cultura de intimidade e compartilhamento do Facebook, seria possvel usar o supervit comportamental no exclusivamente para satisfazer uma demanda, mas tambm para gerar demanda", escreveu Zuboff.


O Google criou um novo sistema comercial baseado no monitoramento do que o usu
O Google criou um novo sistema mercantil fundamentado no monitoramento do que o usurio faz na internet (foto: Getty Images)

No demorou para que alguns percebessem que o mesmo padrão que permitia a criao de desejos por produtos ou servios permitia tambm o incentivo a aes polticas e sociais.

O mesmo Facebook dos anncios microdirecionados de cosmticos, seguros de veculos ou pacotes tursticos se tornaria uma arma da poltica.

Aquisies, Cambridge Analytica e abusos

A partir de 2010, com seu crescente poder de maximizar seus resultados baseados no microdirecionamento de anncios publicitrios, o Facebook continuou aumentando de tamanho, tanto a plataforma porquê a empresa.

Os 400 milhes de usurios de 2010 viraram 1,6 bilho no final de 2015, ano em que seu faturamento atingiu US$ 17,9 bilhes - e lucro de US$ 3,7 bilhes.

O imprio de Zuckerberg no exclusivamente seguiu atraindo mais e mais usurios e clientes porquê intensificou outra estratgia de dominao do mercado: a aquisio de concorrentes.

Em abril de 2012, o Facebook pagou US$ 1 bilho pelo aplicativo de fotos Instagram, que fora lanado menos de dois anos antes e contava na poca com 30 milhes de usurios.

Dois anos depois, uma compra ainda mais impressionante: o WhatsApp, que contava com 400 milhes de usurios, foi adquirido por US$ 19 bilhes.

O Facebook, segundo informaes do mercado, ainda tentou comprar, sem sucesso, outro novo aplicativo em desenvolvimento, o Snapchat, lanado em 2011. A oferta, que teria sido feita em 2013, teria supostamente chegado a US$ 3 bilhes. Sem conseguir concretizar a aquisio, Zuckerberg resolveu incorporar ao Instagram funcionalidades que faziam do Snapchat uma instrumento peculiar e abriu concorrncia direta entre as plataformas.

O Facebook cresceu, mas o padrão que permitiu seu avano sofreu um golpe de imagem significativo em 2018, quando vieram tona revelaes sobre o papel da plataforma - e da empresa - em acontecimentos de 2016.

O escndalo, revelado pelo jornal britnico The Observer - a verso dominical de seu parceiro The Guardian -, denunciava o uso dos dados de milhes de usurios do Facebook porquê instrumento para propaganda poltica em obséquio do candidato republicano Presidncia dos Estados Unidos, Donald Trump.

A mesma estratgia tambm teria sido usada por interessados na vitria do Brexit no referendo britnico sobre a permanncia do Reino Unificado na Unio Europeia.

Porquê resumiu a reportagem do Observer de 18 de maro de 2018, logo em sua preâmbulo: "A empresa de anlise de dados que trabalhou com a equipe eleitoral de Donald Trump e a vencedora equipe de campanha do Brexit colheu milhes de perfis do Facebook de eleitores americanos, em uma dos maiores violaes de dados do gigante da tecnologia, e os usou para edificar um poderoso programa para prever e influenciar escolhas nas urnas".


O esc
O escndalo da Cambridge Analytica exps a natureza do padrão mercantil do Facebook e seus riscos (foto: Getty Images)

A reportagem foi baseada nas revelaes de um denunciante, Christopher Wylie, que havia trabalhado com um acadmico da Universidade de Cambridge na obteno do material.

O acadmico, Aleksandr Kogan, colheu os dados num trabalho sem ligao com a universidade: um aplicativo por meio do qual sua empresa GSR (Global Science Research) e a britnica Cambridge Analytica tomaram dados de centenas de milhares de usurios do Facebook - que receberam por isso.

As empresas, porm, tambm tiveram aproximação a dados pessoais das conexes dessas pessoas na rede social, o que elevou a base de dados a respeito de 50 milhes de usurios. A Cambridge Analytica, na poca da operao, tinha entre seus executivos Steve Bannon, ento assessor poltico de Donald Trump.

Em poucos dias, Mark Zuckerberg divulgou uma declarao em que admitiu que sua empresa havia cometido "erros".

"Ns temos uma responsabilidade de proteger seus dados, e se ns no podemos, ento ns no merecemos servir vocs."

Em entrevista rede CNN, ele tambm pediu desculpas ao pblico.


Mark Zuckerberg teve de depor no Congresso americano sobre esc
Mark Zuckerberg teve de depor no Congresso americano sobre escndalo da Cambridge Analytica (foto: Getty Images)

O escndalo, que provocou o fechamento da Cambridge Analytica e levou Wylie a depor no Congresso americano, foi tratado pela empresa e pela maior secção da mdia porquê uma nequice de segurana e invaso de privacidade no envolvente do Facebook.

O problema, no olhar de autoridades e muitos especialistas, era o veste de os dados de milhes de usurios terem cado nas mos de terceiros sem seu consentimento. Entretanto, no cenrio mais grande da novidade veras econmica e social criada por Facebook e Google, mais importante ainda era o que foi feito com esses dados.

Os usurios cujos dados foram roubados acabaram alvos de anncios polticos direcionados especificamente para eles, numa adoo do padrão j usado na venda de produtos para a propaganda - e desinformao - poltica.

O Facebook, assim porquê aconteceria com outras plataformas digitais, passou a ser uma instrumento na propagao das chamadas "fake news" - informaes mentirosas divulgadas de forma deliberada para gerar falsas narrativas e distorcer a veras.

A possibilidade de enviar mensagens a grupos especficos na plataforma tambm foi usada na organizao de crimes. Em 2016 e 2017, a minoria muulmana Rohingya, de Myanmar, foi intuito de uma campanha de limpeza tnica que, segundo autoridades internacionais, foi promovida pelas Foras Armadas do pas.

O Facebook, das quais aplicativo era o mais popular em Myanmar, sendo usado por mais de um tero da populao, foi amplamente utilizado para a difuso de mensagens de dio contra os Rohingya.

Citada pela BBC, uma representante da ONU (Organizao das Naes Unidas) para direitos humanos, Yanghee Lee, disse em maro de 2018 que "o Facebook tornou-se um monstro, no aquilo que originalmente tinha a inteno de ser".

Uma outra plataforma da empresa, o aplicativo WhatsApp, tambm transformou-se em eficiente instrumento de propaganda poltica, mas de uma maneira dissemelhante. Sem o extenso uso publicitrio visto no Facebook, o WhatsApp trazia outro atrativo: conexes entre pessoas prximas e grupos num envolvente fechado, de difcil monitoramento por entidades externas.

Em vez de anncios, no WhatsApp a propaganda poltica ou ideolgica passou a ser feita pelos chamados "disparos" - mensagens enviadas e repassadas a um nmero grande de pessoas.

Uma reportagem da BBC News Brasil, de outubro de 2018, mostrou porquê eleitores brasileiros eram colocados em grupos de WhatsApp sem seu consentimento depois que seus telefones eram coletados de alguma maneira - de listas comerciais ou de dentro do Facebook.

Uma dona de mansão de So Paulo disse BBC: "No sei onde encontraram meu telefone. Os administradores e algumas pessoas tinham nmeros estrangeiros. Eu fiquei com temor. Sa de todos e denunciei todos os grupos para o WhatsApp."

O Facebook e o WhatsApp prometeram, em vrias oportunidades, expelir as brechas de seus sistemas que permitiam a invaso de privacidade indevida e o injúria por grupos polticos. Medidas especficas foram tomadas nos Estados Unidos, em Myanmar e no Brasil, enquanto mudanas nas plataformas - porquê um limite menor de pessoas para quem uma mensagem poderia ser repassada no WhatsApp - foram implementadas.

Mark Zuckerberg e outros CEOs de empresas de mdias sociais e tecnologia, porquê Google e Twitter, foram sucessivamente convocados a depor no Congresso americano devido a problemas no setor de tecnologia, incluindo invaso indevida de privacidade e uso poltico dissimulado.

Monoplio questionado

Em agosto de 2019, usurios do Instagram e do WhatsApp podem ter notado uma pequena mudana nos aplicativos. Ao lado da marca, aparecia uma referncia a seu possuinte: "From Facebook" (Do Facebook).

Segundo a empresa, a medida dava mais transparncia relao com o usurio, que passaria a ser informado mais claramente que os aplicativos eram do Facebook.

Trs meses depois, um novo logotipo para a empresa Facebook, com a termo em letras maisculas, foi adotado para diferenci-la da rede social.

Tal transparncia tambm atendia a um outro objetivo do grupo: dificultar qualquer tentativa das autoridades americanas de forar uma diviso da empresa, um dos focos de investigaes do Congresso sobre monoplios no setor de tecnologia.

Em outubro de 2020, o relatrio de uma comisso da Cmara dos Representantes disse que Facebook, Google, Amazon e Apple exerciam o papel de monoplios no setor.

"Essas quatro corporaes servem cada vez mais porquê controladores do comrcio e das comunicaes na era do dedo, e esse poder de controlador lhes d uma capacidade enorme de exagerar desse poder", disse um representante da comisso, citado pela rede americana NPR.

As concluses da comisso tinham carter consultivo e no implicavam nenhuma medida do Congresso contra as empresas, mas a possibilidade de que alguma norma viesse a forar a diviso dessas grandes corporaes no estava descartada.

Enquanto seguia inviolado, o Facebook crescia. Em meados de 2020, a rede social registrava um totalidade de 2,7 bilhes de usurios ativos.

Segundo estimativas do mercado, o WhatsApp contava com 1,5 bilho de usurios - 120 milhes exclusivamente no Brasil -, e o Instagram acumulava outros 1 bilho.

O faturamento da empresa em 2019 atingiu US$ 70,7 bilhes, com US$ 18,5 bilhes de lucro.

Os impressionantes nmeros acumulados desde que o ainda jovem Mark Zuckerberg programou a primeira verso do Facebook, em fevereiro de 2004, fazem da mais famosa rede social do planeta uma das histrias mais memorveis do incio do sculo 21.

Outras redes sociais independentes da empresa de Zuckerberg, porquê Twitter, YouTube, Snapchat e as chinesas TikTok e WeChat, tambm tiveram grande impacto na forma porquê as pessoas interagem entre si.

O Facebook, porm, concluiu as duas primeiras dcadas do milnio sem dar sinais de que perderia pblico, influncia ou poder to cedo.

Em 2020, com exclusivamente 36 anos de idade e uma riqueza de mais de US$ 100 bilhes, Mark Zuckerberg parecia disposto a continuar fazendo histria.

J assistiu aos nossos novos vdeos no YouTube? Inscreva-se no nosso ducto!


[ad_2]
Manadeira Notícia -> :Fonte Notícia