Bailarino do Palmital, em Santa Luzia, vence festival russo de dança de rua

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Luís Fernando, o Black A, é morador do bairro Palmital e disputou prêmio com 170 profissionais de vários países do mundo; devido à pandemia do coronavírus, disputa foi virtual

Das praças, avenidas, parques e estúdios, os movimentos e a arte da dança de rua precisaram deixar temporariamente os espaços públicos por conta da pandemia do coronavírus e ganharam as telas do celular. E foi através de um festival totalmente online que o bailarino Luís Fernando Nunes, 40, divulgado porquê Black A, de Santa Luzia, na região metropolitana de Belo Horizonte, venceu seu primeiro concurso internacional. Transmitida pelo Instagram, a competição russa Locking4Life contou com 170 participantes de diversos países.

Dançarino há mais de 30 anos, Black A vive no bairro Palmital, na periferia da cidade, e se orgulha das suas origens. O coletivo Locking4Life tem filiais em todo o mundo e Luís Fernando faz secção do grupo brasiliano. "Por conta disso, fui convidado a participar. Na primeira período, foram selecionados exclusivamente 32 candidatos para disputar as próximas etapas. Porquê moro em um lugar com a criminalidade subida, as pessoas me veem participando de competições porquê esse e enxergam que é provável ter uma vida dissemelhante", relata.

Todos as coreografias, montadas conforme o tema da música escolhido pelo festival, foram filmadas no estúdio que o bailarino tem perto de lar. "Porquê sou muito perfeccionista, fiz diversos ensaios até conseguir o que planejava. A dança de rua é improvisada e o público pôde interagir com a disputa online, mas poder dar notas e escolher quem avançava". A cada período, metade dos competidores eram eliminados pelos três jurados técnicos, até chegar à escolha do TOP 4.

"No término, fiquei entre dois asiáticos, dois russos e um espanhol. Na Ásia, há uma cultura possante da dança de rua", conta. Black A foi consagrado vencedor na última sexta-feira (17), depois de três meses de festival. "Foi incrível vencer, tenho um projeto de equipes de competição há décadas. Conheci as primeiras disputas através do VHS, quando nem existia internet e porquê se conectar facilmente com o mundo", lembra.

Outras disputas

Anos antes de vencer o Locking4Life, Luís Fernando esteve em outras concorridas disputas internacionais de dança de rua. Em 2012, o bailarino participou do Hip Hop Internacional, que aconteceu em Las Vegas, nos Estados Unidos. "Sempre treinei para participar de um evento desse porte quando estivesse pronto. Ganhei a seleção brasileira e fiquei em oitavo lugar no mundial", conta. 

Já em 2017, Black A representou o Brasil em Paris, na França, no festival "Juste Debout", juntamente com o carioca JP Black, do Multíplice do Teuto. "Foi uma competição em dupla e, até logo, tinha sido o auge para mim, é porquê se fosse a Despensa do Mundo da dança, um lugar que todo bailarino quer estar. Voltamos vice-campeões", comemora.

E mesmo com a competição virtual, Luís Fernando não tem zero a reclamar. Mas ele diz que sentiu falta da presença e da vibração do público. "Falta aquele olho no olho. Não vejo a hora de poder comemorar com meus amigos e familiares, que acompanharam tudo pela internet", fiz.

Representatividade

Preto e morador da periferia – o bairro Palmital possui um dos maiores índices de vulnerabilidade social e econômica na Grande BH –, o bailarino lembra da representatividade do título para a região. "Também sou professor de ensino física e trabalho porquê educador social dentro de um meio socioeducativo. Meus alunos conseguem ver que é provável invadir um pouco de nível mundial, com muito trabalho e formalidade", finaliza.

 


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