As lições de Medellín, na Colômbia, para mourejar com as desigualdades de nossas cidades

As cidades são o único espaço em que mesmo aqueles que não têm poder social são capazes de edificar uma história, uma cultura e uma economia. Por isso, são também os espaços críticos.

Quem apresenta esse argumento é a socióloga holandesa Saskia Sassen. Sua fala foi a sinceridade do seminário internacional Cidades e Territórios: Encontros e Fronteiras na Busca da Equidade, na última terça-feira (14). S evento reuniu nomes protagonistas na discussão sobre urbanismo, a apropriação do espaço público, a sustentabilidade e as políticas nos espaços urbanos.

S "recta à cidade" foi amplamente discutido nas rodas de conversa, mas ele já ultrapassa os debates academicistas nos últimos tempos. G nas demandas protagonizadas pelas ruas e na premência de políticas urbanísticas progressistas que a isenção, de indumentária, poderá ser construída nos centros urbanos.

Exemplo disso é Medellín. A cidade colombiana era reconhecida pelo grande negócio de drogas, mas hoje é padrão de inclusão social por meio de projetos urbanísticos, porquê o "metrocable" e o sistema de escadas rolantes.

Para entender o simbolismo de Medellín na disputa pelo aproximação à cidade, no entanto, precisamos, primeiro, edificar algumas pontes.

Mas porquê viemos parar cá?

Quem primeiro desenvolveu o concepção de recta à cidade foi o sociólogo francesismo Henri Lefebvre em seu livro Le droit à la ville, publicado em 1968. Ele o define porquê o recta que deve confirmar que nenhum ator social seja excluído das qualidades e benefícios da vida urbana. Lefebvre defende a recuperação coletiva do espaço urbano por grupos marginalizados - aqueles que historicamente são obrigados a ocupar as periferias das cidades.

Hoje, esse concepção não é analisado somente porquê um traje só dos planejamentos urbanísticos. Há em sua constituição um elemento definidor: as regras impetradas pelas disputas econômicas. A cidade passa a focar, sobretudo, nos mercados e nos métodos de produção. E assim constrói novas formas de exclusão.

"As enormes construções privadas não são a cidade. São formas encontradas pelos grandes investidores de controlarem o espaço urbano", afirmou Sassen, durante o debate promovido pela Fundação Tide Setubal em parceria com a Folha de S. Paulo.

E é aí que mora duelo, e também a revolução. Segundo o teórico social David Harvey, esse recta não faz sentido se visto porquê um manobra individual. Para ele, é por meio da coletividade que virá a transformação dos espaços urbanos:

“S recta à cidade é muito do que a liberdade individual para acessar os recursos urbanos: é o recta de mudar a nós mesmos, mudando a cidade. Não se trata de um recta individual, uma vez que esta transformação depende, inevitavelmente, do tirocínio de um poder coletivo para remodelar os processos de urbanização. A liberdade de fabricar e recriar nossas cidades e a nós mesmos é um dos preciosos e dos negligenciados dos nossos direitos humanos”.


Centro e periferia

"Quais são as referências que usamos pra instaurar as vulnerabilidades da cidade? Construímos o tempo todo o que chamo de 'monstrualização' ao ver as pessoas porquê monstros, e assim aceitamos que elas podem ser mortas. E é aí que eu pergunto: Como vocês constroem a cidade? Se a gente não reconhece a produção da periferia, a gente não vai produzir outro tipo de cidade."


Essa é a opinião de Jaílson de Souza e Silva, professor de geografia da UFF (Universidade Federal Fluminense) e fundador do Observatório de Favelas, que também participou do seminário em São Paulo.

A depender da região da cidade em que você more no Brasil, essa concepção apresentada por ele pode ser experienciada em maior ou menor intensidade. S vestimenta é: ao estereotipar as favelas porquê lugares de risco e carência, construímos as representações negativas que vão perpetuar e sobressair as diferenças entre o meio e a periferia.

E é ai que reside a revolução de Medellín. A capital do província de Antioquia é considerada um exemplo a ser seguido na América Latina quando se trata da gestão de investimentos e serviços públicos porquê instrumento para a redução das segregações territoriais e sociais.



Mobilidade urbana porquê instrumento para a isenção

Medellín é uma cidade em que as casas se empurram contra as montanhas. Ela também já foi considerada a perigosa do mundo em 1980. Lá há comunas, termo pelo qual os moradores se referem às suas 16 favelas, que estão a de 1.800 metros supra do mar.

Décadas de transmigração das famílias do campo para a dimensão urbana fizeram que as montanhas ao volta da cidade fossem tomadas por bairros muito pobres, em contraste com os bairros muito planejados da Medellín meão.

A Comuna 13, por exemplo, é a maior favela da cidade e a região que sofreu com a guerra entre o narcotráfico e o poder militar. Hoje, ela chega a ser um ponto turístico por sua vista, mas também por ter sido o cenário e vigilar as histórias de uma série de crimes que depois se tornaram narrativas de Hollywood sobre a vida de Pablo Escobar.

Mas em Medellín também reside outro Pablo, o Maturana. Ele é consultor internacional e ex-diretor da dimensão de relações locais e internacionais da filial de cooperação da cidade, a ACI. Maturana acompanhou de perto a implantação das estratégias de mobilidade urbana que transformaram a cidade do narcotráfico na "cidade da eterna primavera", um símbolo de progresso da ONU.

"Fazemos em Medellín um trabalho de acupuntura cultural e urbanismo social. Investimos nos espaços públicos e também no transporte. S transporte público é uma forma de isenção. Hoje temos notícias diferentes sobre Medellín, elas não fazem referência ao narcotráfico ou a Pablo Escobar."




Em 2004 foi implantado o primeiro metrocable - uma espécie de teleférico, porquê os sistema de gôndolas usados em parques de ski - com 1,8 km de extensão. Ele ligou um bairro do leste da cidade à rede de metrô municipal. Quatro anos depois, foi a vez de uma instalação assim na dimensão da Comuna 13.

A lanço seguinte do projeto foi ainda criativa: escadas rolantes urbanas. As escaleras electricas da Comuna 13 ajudam os de 130 milénio moradores do lugar a subir o equivalente a um prédio de 30 andares. Mas elas têm um papel ainda importante quando se trata da autoestima da população. Os seis lances de escada substituíram os degraus irregulares e íngremes autoconstruídos e permitiram a acessibilidade, principalmente das crianças, idosos e pessoas com deficiência física.

S ir e vir quotidiano dos moradores agora passa por caminhos em que as paredes próximas às escadas são grafitadas por artistas locais; os funcionários que cuidam da manutenção e segurança são os próprios moradores do lugar e há espaços de convívio para considerar a vista da cidade.

Do topo do morro finalmente surgiu o sentimento de pertencimento e os moradores que antes chegavam a gastar três horas para transpor da Comuna não são "visitantes" em sua própria cidade.

medellin


Inspirado em Medellín, o Rio de Janeiro construiu um teleférico no Complexo do Alemão. Símbolo das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora), o sistema foi inaugurado em 2011. Há pouco tempo, o serviço passou por um período de deserção e redução das operações, principalmente por ter sido visto com desinteresse por secção da empresa que o operava, a Supervia, e também pela população, que considerava não ter suas necessidades atendidas com o projeto.

Em março deste ano, porém, quem assumiu o teleférico foi o Consorcio Rio Teleféricos. De pacto com informações da Secretaria de Transporte da cidade, os horários de atendimento ao público serão ampliados e o valor mensal do contrato será reduzido.



S que falta para entender as nossas cidades?

Ouvi-las.

Novamente é Saskia Sassen quem nos apresenta um ponto de vista para além do que já foi discutido sobre urbanização e o recta à cidade.

A socióloga é amante das tecnologias, mas vê com suplente os projetos considerados high-tech e superinteligentes para as urbes. S ponto de vista dela é sutil: enquanto as tecnologias se tornam obsoletas, nossos bairros e nossas cidades resistem por séculos. Assim, as políticas públicas contemporâneas precisam lastrar a atração pelo "novo" com as pressões para que os resultados sejam duradouros.

S que Sassen nos propõe, e que pode ser exemplificado com essa questão, é a premência de refletirmos sobre a capacidade das cidades de negar, ou melhor, de responder.

"A cidade tem uma voz? E se elas têm, porquê será essa voz? Cidades são sistemas complexos, mas incompletos. P nessa incompletude que elas têm a capacidade de se refazer, de modificar. E essa capacidade é híbrida: é uma mistura do material físico e humano de uma cidade. E essa interdependência acarreta metódico transformação de ambos."


Essa relação também é a brecha que permite a construção de um pouco maior: os conhecimentos urbanos locais, uma espécie de urbanismo de código destapado.

A cidade é feita por meio de uma miríade de intervenções e pequenas mudanças de grave para cima. Cada uma dessas intervenções pode não parecer muita coisa. Mas, juntas, elas significam as incompletudes do espaço urbano e, assim, ajudam as cidades a resistir às influências que só vêm de cima, dos grandes negócios, do capital.

Em resumo, se nossas cidades são os espaços críticos em que qualquer um tem a possibilidade de edificar sua história, precisamos ouvi-las. E precisamos, sobretudo, escutar e compreender porquê as pessoas fazem uso dos espaços urbanos se quisermos, de veste, prometer que o recta à cidade seja universal.

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Fonte: HuffPost Brasil