Aps Brumadinho, investidor pressiona por transparncia – Economia

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O colapso da barragem da Vale em Brumadinho (MG), h um ano, foi o gatilho para investidores estrangeiros pressionarem as mineradoras por maior transparncia e segurana. Capitaneado pelo fundo de penso The Church of England, um grupo de 110 investidores com mais de US$ 14 trilhes sob gesto questionou 727 mineradoras sobre suas barragens.

Na ltima sexta-feira, 24, vspera do aniversrio da tragdia, que deixou 270 vtimas, foi divulgado o primeiro resultado do movimento: a criao de um banco de dados global com informaes de 1.939 barragens. At o término do primeiro semestre, deve transpor do papel um cdigo de melhores prticas para o armazenamento de rejeitos, com a definio de um padro internacional.

Protagonista da tragdia, a Vale sentiu na pele a reao de investidores. O Church of England se desfez das aes da mineradora. O megafundo de penso californiano Calpers, com portflio de US$ 402 bilhes, vendeu todos os bonds (ttulos de dvida) da companhia aps o rompimento da barragem, ressaltando os custos e penalidades a que a empresa ser submetida por desculpa do sinistro.

Lder em investimentos integrados ao desenvolvimento social, ambiental e de governana, a gestora holandesa Robeco ps a Vale em uma lista de empresas com restries de investimento.

Consultados pela reportagem, Church of England e Robeco afirmaram que ainda cedo para pensar em reinvestir na mineradora brasileira. O Calpers no comentou.

"A Vale continua na nossa lista de excluso. Os acidentes na empresa foram severos. S ficaremos confortveis em revisar nosso posicionamento aps a Vale ter descomissionado (fechado) todas as barragens em situao de risco em suas operaes e tenha de indumentária implementado uma gesto ambiental de convénio com os padres a serem estabelecidos pela iniciativa de investidores globais para a segurana no setor", disse a gestora da Robeco para Brasil, Daniela da Costa-Bulthuis.

"No temos planos de alargar nossa restrio de investimento na companhia. Ainda h um longo caminho antes de considerarmos voltar a investir na Vale", afirmou o diretor de tica e engajamento do Church of England, Adam Matthews .

Responsabilidade

Sob os holofotes do Frum Econmico Mundial de Davos, os critrios socioambientais de investimento tm sido uma das causas do proeminente desconto do preo das aes da mineradora brasileira em relao s suas principais rivais, as australianas BHP Billiton e Rio Tinto.

Relatrio recente do Citi apontou que 50% dessa diferena - de 20% a 30% no valor dos papis, dependendo critrio de anlise - se deve justamente a questes ambientais, sociais e de governana.

O diretor de ratings corporativos da agncia de classificao de risco Fitch, Phillip Wrenn, afirmou que so esses fatores que impedem a Vale de ter um rating corporativo mais sobranceiro. "O acidente de Brumadinho ocorreu, apesar da administrao declarar que nunca mais haveria um rompimento na barragem semelhante ocorrida na Samarco - uma joint venture entre Vale e BHP Billiton", disse.

Para ele, h ainda preocupaes com o gerenciamento de resduos e materiais perigosos, alm da resistncia social aos projetos da mineradora, sejam eles novos ou expanses.

Para Daniela, da Robeco, Brumadinho ampliou o foco do impacto socioambiental da minerao. Um ano depois da tragdia, disse ela, a ao de investidores j refletiu em maior sinceridade das mineradoras para falar sobre os riscos ambientais embutidos na atividade.

Sabendo dessa presso, a Vale dedicou boa secção do Vale Day, encontro com analistas de mercado realizado no término do ano pretérito, em Novidade York e Londres, para apresentar seu projecto estratgico para os prximos anos.

Entre as prioridades, segundo a mineradora, esto reparar integralmente as consequncias de Brumadinho e estabelecer um novo pacto com a sociedade, adotando metas envolvendo mudana climtica, vigor e florestas. A companhia informa que tambm lanou um portal voltado a dar transparncia s suas aes ambientais, expondo problemas e avanos.

Mudana insuficiente

O fundo de penso britnico Church of England enxerga mudanas no setor de minerao, mas ainda insuficientes para a retomada firme da confiana. Em entrevista, o diretor de tica e Engajamento do fundo Adam Matthews afirma que no pretende alargar as restries de investimento na Vale. Leia os principais trechos da entrevista:

Um ano aps o sinistro em Brumadinho possvel expor que um pouco mudou no setor pela presso de investidores?

Sim, mas ainda no o suficiente. H um longo trajectória pela frente at que possamos expressar que a questo das barragens foi solucionada. Estamos desenvolvendo um novo padro global em barragens de rejeitos, que ser requerido pelos investidores. Pela primeira vez empresas divulgaram detalhes das operaes de suas barragens. Recebemos dados de mais de 54% da indstria global de minerao por valor de mercado.

O rompimento da barragem em Brumadinho afetou o gosto dos investidores em relao s mineradoras? possvel restabelecer a confiana no setor?

Brumadinho certamente afetou a confiana dos investidores nas mineradoras. Mas podemos ter um mundo sem a minerao? No. Ela tem papel fundamental em prover muitos dos recursos necessrios transio para uma economia de grave carbono. No entanto, ainda h problemas a resolver. H compromissos claros de alguns CEOs nesse sentido, mas eles no podem fazer isso sozinhos. O retiro dos investidores do setor no a resposta. Isso no quer expressar permanecer investindo em todas as companhias. Diferenciar as que esto mudando ou tentando mudar muito importante.

O Church of England vendeu as aes da Vale aps o colapso de Brumadinho. A empresa ainda est na lista suja?

Sim. No temos planos de alargar nossa restrio de investimento na companhia. Ainda h um longo caminho antes de considerarmos voltar a investir na companhia. At hoje no construram casas aps o sinistro (da Samarco) em Mariana, quatro anos atrs. simplesmente inaceitvel.

As informaes so do jornal O Estado de S. Paulo.


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