A árvore onde nasceu a epidemia de ebola

A vila de Meliandou, na Guiné, marco zero da epidemia de ebola (Foto: Saez et al./EMBO Molecular Medicine)

A vila de Meliandou, na Guiné, marco zero da epidemia de ebola (Foto: Saez et al./EMBO Molecular Medicine)

POUCO MAIS de um ano detrás, quem passasse por Meliandou, um vilarejo de trinta e uma casas no sul da Guiné, poderia se deparar com uma cena generalidade a qualquer dimensão rústico: um menino de dois anos brincava perto de uma árvore e entrou em um buraco na base do tronco. A inocência do instinto exploratório daquela garoto, tragicamente, foi o provável início da epidemia de ebola que tarde arrasaria três países da África Ocidental.

A tal árvore ficava a 50 metros da lar do menino, numa trilha que levava a um regato onde mulheres da vila lavavam roupas. Naquele lugar, crianças que acompanhavam o grupo frequentemente paravam para divertir junto ao tronco, e zero de trágico havia realizado a nenhuma delas até logo. S menino em questão, porém, contraiu uma febre, e morreu quatro dias depois, em 6 de dezembro de 2013, depois suportar também hemorragia severa.

Na semana seguinte, eram a mãe e a mana que sucumbiam ao mesmo mal. Daquela família, resta vivo hoje exclusivamente o pai, que não estava morando na mesma morada. No vilarejo, ninguém sabia ainda que enfermidade era aquela, entre tantas que existem naquela região da África. E ninguém sabia onde o garoto poderia ter contraído a doença.

CHUVA DE MORCEGOS

S que os moradores de Meliandou contam é que, num dia de março, quando a epidemia de ebola já havia pretérito da Guiné para Serra Leoa e Libéria e começava a transpor do controle, a árvore se incendiou. E, enquanto o lume consumia seu tronco, caiu dela uma “chuva” de morcegos. Como o queima representava uma oportunidade para conquistar os animais sem esforço, os mamíferos voadores foram coletados para serem consumidos depois.

A árvore que abrigava a colônia de morcegos (Foto: Saez et al./EMBO MM)

A árvore que abrigava os morcegos (Foto: Saez/EMBO)

A maior secção dos animais recolhidos, ao que se sabe, não foi parar na panela. Naquela idade, a epidemia de ebola já havia incentivado o governo a enunciar um alerta proibindo temporariamente o consumo de qualquer tipo de mesocarpo selvagem, e a ordem chegou a Meliandou no dia seguinte ao incidente. Muitos dos morcegos coletados foram logo descartados.

Cientistas consideram morcegos comedores de fruta os principais suspeitos de atuarem porquê reservatório selvagem do vírus ebola, mas até cá tem sido difícil indicar quais espécies são o maior risco. De todo modo, evitar morcegos era importante naquele momento.

MARCO ZERO

Só depois do incêndio da árvore é que médicos e agentes de saúde descobriram o papel de Meliandou no surto de ebola. Quando a epidemia já estava em Serra Leoa, um grupo liderado pelo sanitarista Sylvain Baize, do Instituto Pasteur de Lyon, identificou o vilarejo porquê marco zero da epidemia –e o menino de dois anos porquê paciente zero. A invenção zero teve a ver com o incidente dos morcegos, porém. Foi feita com base em análises genéticas e com um trabalho de “rastreamento de contatos”, ou seja, entrevistando doentes para saber com quem haviam se encontrado.

Em abril de 2014, desembarcou no vilarejo outro grupo de pesquisadores, liderado por Fabian Leendertz, do Instituto Robert Koch de Berlim. Após conversarem com alguns moradores, os cientistas logo ficaram sabendo da árvore que abrigava uma colônia de morcegos, e foram ao lugar investigar.

NOVO SUSPEITO

Coletando amostras de cinzas e de solo ao volta da árvore, os cientistas encontraram traços de DNA do Mops condylurus, um morcego fedido e de rabo longa, comedor de insetos, que os guineanos chamam de lolibelo. Curiosamente, não era uma espécie do tipo que costuma ser caçada e comida. Morcegos frugívoros em universal são maiores e contém mesocarpo, e nove espécies desse grupo já haviam sido encontradas com sinais de infecção por ebola.

O morcego Mops Condylurus (Foto: Jakob Fahr/iNaturalist)

S morcego Mops Condylurus (Foto: Jakob Fahr/CC)

Leendertz, porém, acredita que o lolibelo, mesmo não sendo muito palatável, seja o provável reservatório de ebola responsável pela eclosão da atual epidemia. A passagem o vírus do morcego para humanos, desta vez, provavelmente não envolveu a ingestão de nenhum bicho. Um sinal disso, diz, é que o paciente zero foi uma menino, e não os pais, que capturam e preparam a mesocarpo. Se o incidente de contaminação perto da árvore ocorreu por urina, fezes ou qualquer outro fluido continua sendo um mistério.

A suspeita de que o menino pudesse ter contraído o vírus de qualquer macaco ou antílope infectado pelos morcegos foi descartada. Mamíferos não-humanos da região não tiveram populações afetadas –um pouco já visto em epidemias de ebola na África Central.

A história contada neste texto está quase toda em um estudo que Leendertz e seu grupo publicaram em 30 de dezembro, quando a epidemia completava um ano. Para os cientistas, a prelecção é que a manancial da epidemia de ebola pode não estar nas espécies de morcegos antes tidas porquê suspeitas. Trabalhos de ensino são fundamentais, dizem, para conscientizar a população africana a evitar o contato com morcegos a todo o dispêndio e reduzir o risco de que surja uma novidade epidemia de ebola.

Fonte: Teoria de Tudo