Wong Kar-wai mostra a beleza das artes marciais em “O Grande Mestre”
Luísa Pécora
Visualmente impecável, novo filme do diretor de Hong Kong é um dos principais destaques da Mostra Internacional de Cinema de São PauloPoucas vezes as artes marciais pareceram tão belas quanto em "O Grande Mestre", novo filme do diretor Wong Kar-wai e um dos principais destaques da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (veja exibições abaixo).
O arrebatamento causado por "O Grande Mestre", candidato de Hong Kong ao Oscar de filme estrangeiro, começa logo na primeira cena, uma luta de tirar o fôlego em uma noite chuvosa, filmada sem cor e por vezes em câmera lenta ou com closes em detalhes. A cada golpe, um trabalho de som impecável.
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Cena de 'O Grande Mestre', de Wong Kar-wai
Foto: Divulgação

Cena de 'O Grande Mestre', de Wong Kar-wai
Foto: Divulgação

Cena do filme 'O Grande Mestre'
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Cena de 'O Grande Mestre', de Wong Kar-wai
Foto: Divulgação

Cena de 'O Grande Mestre', de Wong Kar-wai
Foto: Divulgação

Cena de 'O Grande Mestre', de Wong Kar-wai
Foto: Divulgação
Anunciado há mais de uma década como a cinebiografia de Ip Man, o mestre de kung-fu que treinou Bruce Lee, "O Grande Mestre" levou quatro anos para ficar pronto e significou um treinamento pesado para os protagonistas Tony Leung e Zhang Ziyi, ambos excelentes. O longa vai além de seu personagem principal, incluindo outros mestres das artes marciais e registrando as dificuldades econômicas e políticas da China durante a invasão japonesa dos anos 1930.
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Ip Man (Tony Leung) domina, de fato, apenas a primeira parte do filme. Mestre das artes marciais do sul da China, ele é convidado a encarar Gong Yutian (Wang Qingxiang), principal nome da região norte, em sua última luta antes da aposentadoria
Quand Ip Man vence o duelo, é convocado para outro por Gong Er (Zhang Ziyi), filha de Gong Yutian, que busca salvar a honra da família (e o combate, filmado de forma bastante sensual, indica que há algo mais entre os dois). É neste momento que o longa entra em uma segunda parte, focada em Gong e seu desejo por vingança após seu pai ser morto por um ex-protegido, Ma San (Zhang Jin).
A versão de "O Grande Mestre" exibida na Mostra é uma de três feitas por Kar-wai, num reflexo do principal problema do filme: a falta de edição mais rigorosa.
Seria possível dispensar, por exemplo, explicações sobre a trajetória dos personagens dadas apenas no fim do filme, quando já não são mais necessárias. Da mesma forma, a aparição pouco desenvolvida de um terceiro mestre, conhecido como "O Navalha" (Chang Chen), provoca certa confusão.
Não há dúvida de que a história de "O Grande Mestre" causa menos impacto do que o visual criado por Kar-wai e seu diretor de fotografia, Philippe LeSourd, que tiveram o cuidado de inserir os intensos e estilizados combates em cenários magnifícos. De tão linda, a brutalidade que se vê na tela quase passa despercebida.
"O Grande Mestre" na Mostra de Cinema de São Paulo
26/10 (sábado), 18h, o Cine Livraria Cultura
27/10 (domingo), 21h50, no Espaço Itaú de Cinema - Frei Caneca
28/10 (segunda), 21h30, no Espaço Itaú de Cinema - Pompeia
29/10 (terça), 19h10, no Reserva Cultural
31/10 (quinta), 16h, no Espaço Itaú de Cinema - Frei Caneca
