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Universidades apostam no ensino de inovação. Brasil seria uma referência?



 

Inovação e governo do dedo se ensina e se aprende na universidade (Pixabay)

Já não é novidade que o padrão de ensino tradicional está ultrapassado e precisa se apropriar às mudanças tecnológicas e à demanda por novas habilidades e competências dos profissionais. Por sorte, diversas instituições de ensino estão atentas a esse movimento e têm se devotado ao ensino da inovação em suas salas de lição. 

Não à toa, as universidades são um dos principais ingredientes para o promanação de startups. Muitos afirmam, por exemplo, que o sucesso do Vale do Silício se deve à Universidade de Stanford, de onde saem os principais especialistas em tecnologia da região. No Brasil, a USP e FGV formaram os empreendedores responsáveis por sete das startups unicórnios de nosso país – aquelas empresas que são avaliadas em mais de US$ 1 bilhão. 

E as universidades também têm se devotado a formar uma base sólida de profissionais aptos a desenvolver inovação nos governos. Esse é um esforço principal, já que se o número de especialistas capacitados não crescer, o Brasil não conseguirá implementar a transformação do dedo que tanto deseja e precisa. 

Experiências no Brasil e no mundo

A experiência de maior destaque no ensino de inovação para governos vem de um país que já é referência no tema de governo do dedo. A Tallinn University of Technology, da Estônia, oferece o mestrado em ciência da inovação no setor público e e-governance (Master of Science in Public Sector Innovation and e-Governance). O programa, implementado em parceria com universidades da Alemanha e da Bélgica, procura formar profissionais combinando conhecimentos de gestão pública, tecnologia e governança. 

Outras experiências têm sido desenvolvidas também em diversos países do mundo. Por exemplo, a University of Technology Sydney, na Austrália, possui um programa específico para certificação em inovação no setor público (Graduate Certificate in Public Sector Innovation). De forma parecida, a Hertie School, na Alemanha, oferece um mestrado em gestão pública, com foco em inovação para governos, política tecnológica e transformação do dedo. Já a Harvard Kennedy School, referência internacional na formação de gestores públicos, possui um programa específico para a formação em transformação do dedo dos governos (Do dedo Transformation in Government).

No Brasil, o cenário é bastante dissemelhante. As iniciativas existentes ainda não são numerosas e consolidadas. Em sua maioria, elas estão concentradas em instituições privadas ou destinadas a públicos específicos. Aliás, são cursos de curta duração e não formações mais extensas e realizadas por projetos, o que permitiria que estudantes possam utilizar as metodologias aprendidas em sala de lição. 

Ainda assim, a mudança começa a sobrevir, com experiências porquê o curso de inovação e transformação no setor público, oferecido pelo Insper, assim porquê pela Escola Pátrio de Gestão Pública (ENAP), que realiza o curso de gestão da inovação governamental. 

Pixabay

O duelo começa na ensino básica

O ensino de inovação e tecnologia nas universidades é uma medida muito importante, mas se quisermos mudanças de longo prazo, precisamos de ações que iniciem na ensino básica – e que possam atingir crianças e jovens. 

Na Holanda, o governo criou o programa “Geef IT door” que, em tradução literal seria alguma coisa porquê “Passe a TI adiante”. Com a iniciativa, procura-se ampliar o interesse de estudantes em seguir carreiras nas áreas de inovação e do dedo. O mais interessante é que o programa permite que elas aprendam pelo exemplo: são profissionais voluntários de diversas áreas de TI que realizam mentorias nas escolas, conversando com os estudantes sobre temas porquê big data, cibersegurança e programação. Desde 2019, 250 escolas do país já desenvolvem o programa. 

No Brasil, ainda não encontramos um programa parecido em contexto governamental, mas as startups têm desenvolvido tecnologias educacionais para incluir o ensino de inovação desde cedo na vida das crianças, por meio de bootcamps de programação e também escolas de robótica. Um exemplo vem da MetaMaker, startup selecionada para o  Ciclo de Aceleração do BrazilLAB, e que desenvolveu um kit educacional que permite aprender o obrigatório sobre eletricidade, eletrônica e robótica. A iniciativa vem sendo implementada em escolas públicas de Brasília, de maneira sustentável e a um dispêndio muito alcançável: seu kit essencial é feito de materiais recicláveis e custa em torno de R$ 120, enquanto produtos similares podem ser comprados por, no mínimo, R$ 900. 

A hora é agora

O Brasil tem a oportunidade de se transformar em uma referência no ensino de inovação e governo do dedo nas universidades. O contexto atual é muito propício para isso, já que há diversas experiências de inovação acontecendo em estados, municípios e também no governo federalista, produzindo casos e resultados relevantes para serem explorados na sala de lição. Isso tudo sem olvidar da formação desde o ensino substancial.

Há também a possibilidade de estabelecer parcerias com instituições internacionais que têm desenvolvido programas de formação similares, criando uma rede de troca de aprendizados e experiências. 

Porquê não poderia ser dissemelhante, a transformação do dedo só poderá se tornar veras caso nosso país invista na formação de profissionais altamente capacitados a empregar tecnologias para solucionar os problemas mais urgentes em nossa sociedade. 



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