Tolkien ganha tratamento de luxo com relançamentos e livro inédito

Uma novidade geração de edições e livros de J.R.R. Tolkien (1892-1973) começa a chegar nesta quinta-feira, 30, às livrarias brasileiras: A Queda de Gondolin, inédito do responsável, organizado e editado pelo fruto Christopher Tolkien, é lançado nesta quinta, simultaneamente no Brasil, EUA, Reino Unificado e Alemanha — uma iniciativa também inédita alcançada pela novidade editora de Tolkien no país, a HarperCollins Brasil.

Nove cidades brasileiras recebem eventos para comemorar o lançamento daquele que provavelmente é o último livro inédito com escritos de Tolkien (Christopher, o responsável pela obra do pai, está com 93 anos e afirma no prefácio que esse é seu último trabalho).

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O livro marca também o primeiro trabalho assinado por Tolkien no novo projeto da editora, que dará tratamento de luxo à obra do responsável: duas biografias já estão nas livrarias (inclusive a assinada por Humphrey Carpenter, considerada a história completa da vida do jornalista). Ainda em 2018, sai Beren e Lúthien (inédito no Brasil); no primeiro de semestre de 2019 estão programados O Silmarillion, Contos Inacabados e As Cartas de J.R.R. Tolkien; e no segundo, O Hobbit e O Senhor dos Anéis — todos com novas traduções.

Para a empreitada, a HarperCollins organizou um recomendação de tradutores, num trabalho parecido com o aplicado à Bíblia. O juízo é formado pelos pesquisadores Ronald Kyrmse e Reinaldo José Lopes, pelo tradutor Gabriel Brum e pelo gerente editorial da HarperCollins Brasil, Samuel Coto, o responsável pelas obras de Tolkien na morada.

Para o editor, a teoria é levar a literatura de Tolkien a outros alcances, e não deixá-la restrita aos fãs de literatura fantástica. “Tolkien pavimentou o caminho para o que chamamos de literatura fantástica, mas do que isso ele queria gerar uma mitologia para a Inglaterra, dar uma raiz literária para o seu país”, explica. “Nosso projecto não é olvidar o que já foi feito no Brasil, mas repensar o projeto. Temos usado porquê conformidade as portas dentro de uma mansão: o Tolkien tem uma complicação e uma profundidade muito grandes, e algumas portas de entrada a essas profundezas. A única porta que sentimos que está escancarada no Brasil é a porta do universo geek. Mas há outras portas importantes: de literatura infantojuvenil, que tem emprego na formação educacional mas também de pesquisas acadêmicas, a porta religiosa e teológica, a linguística, até a fitologia.”

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O tradutor de A Queda de Gondolin é Reinaldo José Lopes, jornalista, rabi e doutor pela USP em tradução e Tolkien. Para ele, o intensidade de trabalho formal que Tolkien aplicou em suas obras é comparável ao de grandes escritores contemporâneos seus, porquê James Joyce e Guimarães Rosa. “Embora a abordagem seja dissemelhante desses autores modernistas, não dá para subestimar o trabalho formal. Ou por outra, na temática, Tolkien também traz questões muito profundas e importantes para o momento atual, porquê por exemplo a questão ambiental, da ação do varão sobre a natureza, e principalmente a questão do poder de maneira universal”, explica.

“A mensagem é: em quem você pode incumbir ao jogar o poder na mão de alguém? A resposta é: ninguém. Existe ali também um paisagem teológico, da decadência do varão em relação a Deus. Esse ceticismo saudável em relação a qualquer forma de poder é importante”, conclui.

O novo livro é um material inédito editado por Christopher Tolkien e é um dos “três grandes contos” referentes à Primeira Era da mitologia de Tolkien — o que seria a Antiguidade para os personagens de O Senhor dos Anéis, da Terceira Era.

Uma secção do material já era conhecida dos fãs, mas o novo livro traz um nível de detalhamento inédito sobre a história da cidade élfica construída para permanecer escondida do vilão Melkor — que em última instância a descobre e a leva à queda.

“O livro traz elementos de várias fases da curso literária de Tolkien, desde os anos 1910 até os 1950, é um galanteio transversal no qual o leitor vai conseguir ter uma visão de conjunto da mitologia que o responsável construiu”, explica Lopes. “Nessa versão original do texto, dragões e monstros têm um paisagem quase robótico. O pessoal costuma fazer relação entre isso e a participação do Tolkien na I Guerra, quando ele testemunhou a ação de aviões e tanques”, acrescenta.

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