“Tá servido, doutor?”

2 Tá servido, doutor?

Nessa segunda-feira (7), feriado de independência, eu estava saindo de um estabelecimento mercantil quando vi que a uns 10 metros do meu coche estava uma senhora em situação de rua. Eu não costumo ignorar esse tipo de situação, logo olhei para ela e cumprimentei com um sinal de cabeça, mas muito rapidamente e já entrando no coche.

Apesar de ajudar pessoas nessa situação – indo até os locais onde elas estão, inclusive –, fiquei com receio dela estar bêbada ou sob efeito de outras drogas e vir pedir alguma coisa. Dinheiro, sabemos, não é bom dar. Então fiz de tudo para evitar uma situação onde eu tivesse que negar qualquer coisa que ela pedisse.

Para minha surpresa, ela não pediu zero. Ao contrário, me ofereceu. “Tá servido, doutor?” – ela disse, levantando um pedaço de pão em minha direção, porquê em um brinde. Ergui a cabeça, já bem na porta do coche entreaberta, e olhei com calma para aquela senhora. “Não, obrigado.” – respondi, com certa vergonha do que eu havia pensado.

Notei que ela tinha uns sacos de roupas e estava com uma garrafa térmica e pães. Ela só estava ali se preparando para dormir sob a marquise e eu achando que ela queria quantia.

Entrei no carruagem e fui embora pensando. Apesar de trabalhar meus pré-julgamentos diariamente, fui surpreendido positivamente por essa senhora que, com uma frase simples e tranquila, me lembrou que ela é uma pessoa e não um incômodo ambulante, porquê a maioria a enxerga.

Conto essa história verídica para que tenhamos todos em mente que há muita gente vivendo na rua que é educada, gentil e que precisa somente de uma força para seguir em frente. Às vezes, porquê no caso dessa senhora, nem disso. Só um cumprimento, reverência e um olho no olho bastam.

Veganismo também é cuidar para que nossas atitudes não tragam mal aos nossos semelhantes. Tente se reunir com amigos para fazer qualquer trabalho voluntário em prol do ser humano em sua cidade.

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Fonte: Blog Fabio Chaves