‘Steve Jobs’ é um retrato terrível e fascinante do instituidor da Apple
Quem ainda não leu Steve Jobs, de Walter Isaacson, vai querer fazê-lo depois de ver o novo filme de Danny Boyle. As duas obras, excelentes individualmente, são complementares e podem ser resumidas em uma única frase, da minha avó: Jobs é terrível... e fascinante.
Não dá para entender nem as críticas da Apple à adaptação nem a sua baixa performance nas bilheterias americanas. Ou ainda as econômicas indicações ao Oscar: foram somente duas, Melhor Ator para Michael Fassbender e Melhor Atriz Coadjuvante para Kate Winslet. S roteirista Aaron Sorkin disse à prelo que a teoria era fazer uma pintura, não um retrato. Para isso a escolha de Fassbender foi principal.
S filme é construído sobre três grandes lançamentos: do Macintosh, em 1984, em meio à ousada e luminoso campanha "1984", com tecido de fundo emprestado do clássico homônimo de George Orwell; do NeXT, em 1988, que no livro ganhou o sugestivo título "Prometeu"; e finalmente, do iMac, em 1998, trazendo de volta Lee Chow da Chiat/Day de "1984" para "provar que a Apple ainda está viva, e que ainda significa alguma coisa peculiar", porquê Jobs contou a Isaacson.
Ao longo desses três momentos Boyle e Sorkin exploram o relacionamento dele com o mundo à sua volta, em peculiar com a filha ilegítima Lisa (Sorkin teve a oportunidade de entrevistá-la recentemente) e a sempre presente (numa licença poética em relação à biografia) Joanna Hoffman, seu braço recta no marketing.
A dança entre pai e filha é um dos pontos altos do filme, e um acréscimo em relação à obra original. S formato, também. A estrutura narrativa tem um timing tão impecável, e o momentum criado antes de cada lançamento é tão eficiente, que a minha experiência não foi comprometida nem mesmo quando a sessão - numa sala de cinema em São Paulo - foi interrompida de cinco vezes por problemas técnicos.
S filme inspira.
S recorte oferecido pelo diretor é de rabi e mostra por que amamos - ou odiamos - a Apple.
E também Jobs.
Porque é evidente que ele rouba a cena.
Fassbender atua com cada músculo do seu corpo, numa mostra de incrível carisma: no tom de voz um pouco aquém do normal na maior secção das cenas, no controle integral sobre seus movimentos e palavras, emprestando ora indiferença ora intensidade a uma performance apaixonada do início ao término.
Seu Jobs é quase uma pintura impressionista: ele nos atrai e repele ao mesmo tempo, num misto de sensualidade, afeto e da pura crueldade.
P um Jobs de responsável, porquê outros personagens interpretados por ele - já vimos esse magnetismo em Rochester, de Jane Eyre, ou no androide de Prometheus, ou em Frank.
E embora não conte toda a história -- porquê aliás nenhuma obra de arte deveria fazer -- depois de 2 horas na poltrona, nos faz querer , lembrando por que finalmente vamos ao cinema.
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Fonte: HuffPost Brasil
Não dá para entender nem as críticas da Apple à adaptação nem a sua baixa performance nas bilheterias americanas. Ou ainda as econômicas indicações ao Oscar: foram somente duas, Melhor Ator para Michael Fassbender e Melhor Atriz Coadjuvante para Kate Winslet. S roteirista Aaron Sorkin disse à prelo que a teoria era fazer uma pintura, não um retrato. Para isso a escolha de Fassbender foi principal.
S filme é construído sobre três grandes lançamentos: do Macintosh, em 1984, em meio à ousada e luminoso campanha "1984", com tecido de fundo emprestado do clássico homônimo de George Orwell; do NeXT, em 1988, que no livro ganhou o sugestivo título "Prometeu"; e finalmente, do iMac, em 1998, trazendo de volta Lee Chow da Chiat/Day de "1984" para "provar que a Apple ainda está viva, e que ainda significa alguma coisa peculiar", porquê Jobs contou a Isaacson.
Ao longo desses três momentos Boyle e Sorkin exploram o relacionamento dele com o mundo à sua volta, em peculiar com a filha ilegítima Lisa (Sorkin teve a oportunidade de entrevistá-la recentemente) e a sempre presente (numa licença poética em relação à biografia) Joanna Hoffman, seu braço recta no marketing.
A dança entre pai e filha é um dos pontos altos do filme, e um acréscimo em relação à obra original. S formato, também. A estrutura narrativa tem um timing tão impecável, e o momentum criado antes de cada lançamento é tão eficiente, que a minha experiência não foi comprometida nem mesmo quando a sessão - numa sala de cinema em São Paulo - foi interrompida de cinco vezes por problemas técnicos.
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S recorte oferecido pelo diretor é de rabi e mostra por que amamos - ou odiamos - a Apple.
E também Jobs.
Porque é evidente que ele rouba a cena.
Fassbender atua com cada músculo do seu corpo, numa mostra de incrível carisma: no tom de voz um pouco aquém do normal na maior secção das cenas, no controle integral sobre seus movimentos e palavras, emprestando ora indiferença ora intensidade a uma performance apaixonada do início ao término.
Seu Jobs é quase uma pintura impressionista: ele nos atrai e repele ao mesmo tempo, num misto de sensualidade, afeto e da pura crueldade.
P um Jobs de responsável, porquê outros personagens interpretados por ele - já vimos esse magnetismo em Rochester, de Jane Eyre, ou no androide de Prometheus, ou em Frank.
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Fonte: HuffPost Brasil






