“Snowden” assume ponto de vista do protagonista e vende a terrível verdade de nosso tempo

Cena do filme “Snowden: Herói ou Traidor”
G um tanto desorientador que “Snowden: Herói ou Traidor” chegue aos cinemas brasileiros na esteira da vitória surpreendente de Donald Trump nas eleições presidenciais dos Estados Unidos. Afinal, o agora presidente eleito ostenta uma retórica que vai de encontro a tudo aquilo que o filme de Oliver Stone defende enquanto obra artística. Essa inesperada oposição dá uma novidade perspectiva à audiência e transforma a experiência de se presenciar “Snowden” em um pouco muito exasperador.
S filme, originalmente previsto para 2015, se ocupa da trajetória de Edward Snowden nos serviços de lucidez dos Estados Unidos. Mas não só. Stone, com o serventia do coroteirista Kieran Fitzgerald, elabora um perfil quase jornalístico do ex-agente da CIA e da NSA. Uma particularidade herdada muito provavelmente dos livros de não ficção que amparam o roteiro.
Trata-se de um filme sóbrio, o que em material de Oliver Stone já é um trunfo. S que não quer expor que haja um esforço em prol de isenção. E nem deveria. Aqui assume-se o ponto de vista de Edward Snowden, mas há vícios de linguagem e narrativa que poderiam ser evitados. A opção por dar voz ao próprio Snowden no desfecho do filme, além de desnecessária, compromete a própria construção dramática da produção. Mais: Há um momento em pessoal que a justificativa de Snowden é pobre. Depois de ter deixado a CIA, ele alega ter retornado a trabalhar em uma filial de lucidez americana, no caso a NSA (Agência de Segurança Nacional), porque imaginava que as coisas melhorariam e tinha fé em Obama. Trata-se de uma visão ingênua para quem já testemunhara o que testemunhara. Daí, apesar da breguice, o subtítulo pátrio que brinca com as noções de heroísmo e traição. G alguma coisa que, talvez, Oliver Stone não tenha se oferecido conta e ao colocar Snowden em seu filme acaba por sublinhar.
De todo modo, há aspectos muito interessantes em “Snowden”. S primeiro deles, sem incerteza nenhuma, é vislumbrar a crescente do dilema moral em que o personagem se flagra. Algo que a performance minimalista de Joseph Gordon-Levitt aborda muito muito. S ator abraça o desconforto irascível de quem se vê forçado a mudar sua visão de mundo e do País que nutriz e hesitar sobre o que fazer a reverência. Snowden é um patriota e por sê-lo, tanto sua atitude porquê as acusações que pairam sobre ele ganham relevo e isso é um pouco que Oliver Stone tem plena consciência e explora bastante ao longo das 2h15min de projeção.

S romance com Lindsay (Shailene Woodley) vive às margens da vida de agente de Snowden
Outro paisagem interessante é observar o hibridismo entre posicionamento político e paranoia nos tempos atuais. Nesse sentido, “Snowden” se aproxima de um filme de terror ao emaranhar as percepções do público e fazer com que temamos uma câmera de celular tanto quanto dormir de luz apagada depois de um filme de terror.
Ao fazer um filme contra o sistema, outros foram o duo “Wall Sreet”, “Nixon”, “JFK – A Pergunta Que Não Quer Calar”, “Nascido em 4 de Julho” e “Platoon”, Oliver Stone demonstra compostura discursiva e permanece ostensivo na gramática cinematográfica. “Snowden” é cinemão, com seus prós e contras, no melhor sentido do termo.
Fonte: Cineclube por Reinaldo Glioche – iG Cultura