Shoppings precisam entender ‘pureza’ dos rolezinhos, diz Netinho de Paula
iG São Paulo
Secretário pretende reunir jovens e empresários em mesa de negociação para evitar ação policialO secretário municipal de Promoção da Igualdade Racial de São Paulo, Netinho de Paula, afirmou que pretende reunir em uma messa de negociação jovens organizadores de rolezinhos e representantes dos shoppings centers, durante entrevista à rádio Estadão na manhã desta quinta-feira (16).
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O plano da secretaria é, com o apoio do Ministério Público, dialogar primeiro com representantes de centros comerciais e, em seguida, reunir-se com os adolescentes. O último passo será reunir jovens e empresários para discussão. “Se a gente conseguir encontrar uma mediação, a polícia não vai precisar bater em ninguém”, afirmou.
Desde o fim do ano passado, rolezinhos organizados nas redes sociais têm reunido centenas de jovens em shoppings da capital paulista para paquerar, ostentar roupas caras e ouvir música. Os encontros, no entanto, têm assustado lojistas e frequentadores por conta de gritaria e corre-corre.
Segundo o secretário, os adolescentes se reúnem para se divertir e não têm interesse em causar tumulto. “Eles querem mostrar que têm condição de estar perto do que eles cantam. Eles cantam a ostentação e nesses ambientes é o que está à venda”, afirmou o secretário. “É necessário que shopping também tenha entendimento dessa ingenuidade, dessa pureza da manifestação”.
Netinho pretende sugerir aos shoppings que utilizem o espaço para promover eventos voltados a este público, que tem o direito de frequentar os centros comerciais. “Vamos propor que o shopping tome atitudes que não sejam apenas proibir os jovens de dar o rolezinho mas, sobretudo, abrir o estacionamento a eventos, fazer concursos, usar marcas para poder ter esses jovens. Proibir é fazer com que os jovens queiram estar”.
O público dos rolezinhos é formado por jovens de 15 a 21 anos, que dedicam muito tempo à internet e, em sua maioria, não concluíram o Ensino Médio, segundo o secretário. “Você tem uma educação que pode ser erudita ou uma educação do consumo. Eles optaram pela mais fácil, pela que seduz, pela educação do consumo”, disse Netinho, que atribui o desinteresse pelo ensino aos programas de progressão continuada.
Fonte: Notícias do Último Segundo: o que acontece no Brasil e no Mundo