Secretário de Estado dos EUA promete apoio ‘intenso e duradouro’ ao Iraque
Reuters
Mas Kerry adverte que país, sob pressão de avanço de milícia, só sobreviverá se seus líderes adotarem medidas para uni-lo
O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, prometeu nesta segunda-feira apoio "intenso e duradouro" dos EUA ao Iraque, mas disse que o país dividido só sobreviverá se os seus líderes adotarem medidas urgentes para uni-lo.
Dia 23: Kerry chega a Bagdá em missão de apoio contra milícia sunita
Quinta: Obama anuncia envio de até 300 assessores militares ao Iraque por milícia sunita
Horas antes de Kerry chegar a Bagdá, tribos sunitas que se juntaram aos militantes que ocuparam cidades do norte iraquiano tomaram o único posto de fronteira legal com a Jordânia, disseram fontes de segurança, deixando sem tropas toda a divisa oeste do país, que inclui algumas das rotas comerciais mais importantes do Oriente Médio.
O presidente dos EUA, Barack Obama, ofereceu até 300 conselheiros norte-americanos para o Iraque, mas não aceitou o pedido do governo xiita do primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, de ataques aéreos para conter o avanço dos militantes sunitas que já dura duas semanas.
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Enquanto isso, as autoridades pediram que os iraquianos formem um governo inclusivo. A insurgência vem sendo alimentada em grande parte pela marginalização e perseguição dos sunitas iraquianos.
“O apoio será intenso e duradouro, e se os líderes do Iraque adotarem as medidas necessárias para unir o país, será eficaz”, disse Kerry a repórteres em Bagdá.
Ele declarou que Maliki “afirmou o seu comprometimento com o 1º de julho em várias ocasiões” como a data para começar a formação de um novo gabinete compartilhando mais poder com sunitas e curdos, gesto que Washington está ansioso para ver.
Milícia sunita: Entenda o que é o Estado Islâmico do Iraque e do Levante
Fontes de segurança iraquianas e jordanianas disseram que líderes tribais estão negociando para ceder o posto de fronteira no deserto de Turabil aos islâmicos sunitas do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL), que tomaram dois postos de acesso à Síria nos últimos dias e empurraram as forças do governo de volta à capital Bagdá.
Veja imagens da crise no Iraque:

Combatentes xiitas levantam suas armas e entoam palavras de ordem após autoridades pedirem ajuda para conter os insurgentes em Sadr, em Bagdá, Iraque (17/06)
Foto: AP

Manifestantes gritam em favor do Estado Islâmico do Iraque e do Levante em frente do governo provincial de Mosul (16/4)
Foto: AP

Combatentes tribais xiitas mostram suas armas enquanto tomam parte de Dujail, ao norte de Bagdá, Iraque (16/06)
Foto: Reuters

Combatentes tribais xiitas levantam suas armas e gritam palavras de ordem contra sunita Exército Islâmico em Basra, Iraque (16/6)
Foto: AP

Imagem postada em site militante em 14/6 parece mostrar membros do EIIL mirando contra soldados à paisana depois de tomar base in Tikrit, Iraque
Foto: AP

Imagem postada em site militante em 14/6 parece mostrar membros do EIIL com soldados iraquianos à paisana capturados após tomada de base em Tikrit, Iraque
Foto: AP

Imagem postada em site militante em 14/6 parece mostrar membros do EIIL com soldados iraquianos à paisana capturados após tomada de base em Tikrit, Iraque
Foto: AP

Combatentes iraquianos xiitas seguram suas armas enquanto gritam palavras de ordem contra o Estado Islâmico do Iraque e do Levante em Cidade Sadr, Bagdá (13/6)
Foto: AP

Voluntários esperam para se juntar ao Exército e combater militantes predominantemente sunitas em Bagdá, Iraque (13/6)
Foto: Reuters

Presidente dos EUA, Barack Obama, fala sobre a situação no Iraque em pronunciamento na Casa Branca, em Washington (13/6)
Foto: AP

Imagem postada em Twitter militante mostra membro do Estado Islâmico do Iraque e do Levante com sua bandeira em base militar na Província de Ninevah, Iraque (12/6)
Foto: AP

Imagem publicada por militantes no Twitter mostra combatentes do Estado Islâmico do Iraque e do Levante em local na fronteira entre o Iraque e a Síria (12/6)
Foto: AP

Muitas famílias começaram a deixar Mosul depois de ocupação por insurgentes sunitas (13/6)
Foto: Reuters

Forças de segurança curda se posicionam do lado de fora da cidade petrolífera de Kirkuk após abandono de tropas iraquianas (12/6)
Foto: AP

Veículos queimados pertencentes às forças de segurança iraquianas são vistos em posto de controle no leste de Mosul (11/6)
Foto: Reuters

Policial federal do Iraque monta aguarda enquanto colega faz buscas em carro em posto de controle de Bagdá, Iraque (11/6)
Foto: AP

Famílias que fogem da violência na cidade de Mosul esperam em posto de controle nos arredores de Irbil, região do Curdistão iraquiano (10/6)
Foto: Reuters

Refugiados que deixam Mosul se dirigem à região autônoma curda em Irbil, Iraque, a 350 km a norte de Bagdá (10/6)
Foto: AP

Militares se preparam para assumir suas posições durante confrontos com militantes no norte da cidade de Mosul, Iraque (9/06)
Foto: AP
A televisão estatal do Iraque informou na noite desta segunda-feira, no horário local, que o Exército retomou os postos de fronteira com a Jordânia e a Síria. A Reuters não conseguiu confirmar os relatos de forma independente por causa das restrições de segurança.
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Forças étnicas curdas controlam um terceiro posto na divisa com a Síria, no norte. Com isso, não há tropas do governo presentes ao longo da fronteira oeste do Iraque, que tem 800 quilômetros.
Para os insurgentes, capturar a fronteira é um passo significativo rumo ao seu objetivo de apagar por completo as linhas divisórias modernas e erguer um califado em áreas da Síria e do Iraque.
Kerry disse: "O Iraque enfrenta uma ameaça existencial e os líderes do Iraque têm de vencer essa ameaça com a incrível urgência que a situação exige. O próprio futuro do Iraque depende das escolhas que serão feitas nos próximos dias e semanas."
Washington teme que Maliki e seus aliados xiitas tenham agravado a insurgência alienando sunitas moderados que outrora combateram a Al-Qaeda, mas que agora se uniram ao EIIL.
Embora os EUA tenham tomado o cuidado de não declarar publicamente querer a saída de Maliki, autoridades iraquianas disseram que essa mensagem foi dada nos bastidores.
Fonte: Notícias do Último Segundo: o que acontece no Brasil e no Mundo