Rússia nega que tenha feito ultimato para forças ucranianas se renderem
iG São Paulo
Segundo agência, fonte ucraniana teria contado sobre ultimato; oficial da Frota do Mar Negro da Rússia nega exigênciaA Frota do Mar Negro da Rússia negou que tenha emitido ultimato às forças ucranianas na Crimeia para se renderem até as 5h de terça-feira (meia-noite no horário de Brasília) ou enfrentarem um ataque, informou a agência de notícias Interfax citando um oficial no quartel-general da frota.
A Frota do Mar Negro russa tem uma base na Crimeia e Moscou efetivamente estabeleceu o controle sobre a península, que é parte da Ucrânia.
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Mais cedo, a Interfax havia citado uma fonte anônima no Ministério da Defesa ucraniano segundo a qual um prazo final para a rendição havia sido determinado pelo comandante da Frota do Mar Negro.
Veja imagens da presença russa na Ucrânia:

Soldado pró-Rússia bloqueia base naval na vila de Novoozerne, Crimeia, na Ucrânia (3/3)
Foto: AP

Grupo de homens armados sem emblemas em uniformes cortam luz do Quartel-General das forças navais ucranianas em Sevastopol, Crimeia, Ucrânia (2/3)
Foto: AP

Comboio russo se move de Sevastopol para Sinferopol na Crimeia, Ucrânia (2/3)
Foto: AP

Homem com uniforme sem identificação monta guarda enquanto tropas tomam controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, em Sevastopol (Crimeia), na Ucrânia (1/3)
Foto: AP

Soldados em uniformes sem identificação montam guarda em Balaklava, nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Península da Crimeia (1/3)
Foto: AP

Emblema em veículo e placas de outros carros indicam que tropas são do Exército russo (1/3)
Foto: AP

Homens armados não identificados e vestidos com uniformes de camuflagem bloqueiam a entrada do prédio do Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3)
Foto: AP

Homens armados não identificados bloqueiam entrada de Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3)
Foto: AP

Homem armado não identificado com uniforme de camuflagem bloqueia estrada que leva a aeroporto militar em Sevastopol, na Crimeia
Foto: AP

Soldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3)
Foto: AP

Soldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3)
Foto: AP

Soldados em uniformes sem identificação montam guarda nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Crimeia
Foto: AP

Homem com uniforme sem identificação patrula aeroporto de Simferopol, na Ucrânia (28/2)
Foto: AP
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Segundo a fonte do quartel-general citada agora pela Interfax, nenhum ataque foi planejado, acrescentando que "isso é um completo absurdo".
A Rússia está com o controle militar de facto da estratégica Crimeia apesar das críticas ocidentais à "violação da soberania da Ucrânia". Segundo funcionários graduados do governo americano de Barack Obama, a Rússia tem mais de 6 mil soldados na península. Em campo, as tropas russas controlaram nesta segunda-feira todos os postos de fronteira na Crimeiam assim como todas as instalações militares e um crucial terminal de balsas.
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Mais cedo, o chanceler russo, Serguei Lavrov, afirmou que as tropas russas continuarão na Ucrânia para proteger os interesses e os cidadãos russos até "a normalização da situação política do país". Em declarações na ONU em Genebra, Lavrov também afirmou que a Rússia está defendendo os direitos humanos contra as "ameaças ultranacionalistas". O Parlamento russo autorizou o envio de soldados ao país no sábado.
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Após encontro com o secretário-geral da ONU, Lavrov instou a Ucrânia a retornar a um acordo assinado em 21 de fevereiro pelo presidente pró-Rússia deposto Viktor Yanukovychque tinha o objetivo de pôr fim a uma crise política iniciada em novembro, quando ele abriu mão de assinar um acordo comercial com a União Europeia (UE) para privilegiar as relações com Moscou. Yanukovych fugiu do país depois de assinar o acordo com a oposição e os chanceleres da França, Alemanha e Polônia que previa eleições antecipadas até dezembro e a suspensão da maior parte de seus poderes.
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Um enviado russo que fez parte das negociações não assinou o acordo, e um parlamentar-chave russo o criticou, mas, desde que Yanukovych refugiou-se em Moscou, a Rússia apresenta sua implementação como uma de suas principais demandas. Lavrov afirmou que Yanukovych respeitou o acordo, enquanto a oposição não fez nada.
O novo governo em Kiev, que assumiu na semana passada, ordenou a mobilização total para conter a intervenção militar, acusou a Rússia de invasão militar e exigiu que o país recue suas tropas. Mas, apesar da retórica, o novo governo ucraniano e o Ocidente parecem sem nenhum poder para conter as movimentações russas.
Previamente em Kiev, o primeiro-ministro ucraniano, Arseniy Yatsenyuk, afirmou que qualquer tentativa da Rússia de anexar a Crimeia fracassaria. Entretanto, ele acrescentou que, "agora, não há nenhuma opção militar sobre a mesa", pedindo em vez disso apoio econômico e político do exterior.
A Rússia tomou o controle efetivo da Crimeia sem disparar um único tiro. Agora, os temores na capital ucraniana e além dela são de que a Rússia pode buscar expandir seu controle capturando outras partes da Ucrânia oriental. A incursão russa acontece enquanto os EUA e os governos europeus tentam descobrir formas de pará-la e revertê-la.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, desafia os pedidos do Ocidente para recuar suas tropas, insistindo que a Rússia tem o direito de proteger seus interesses e os falantes de russo na Crimeia e em outros lugares da Ucrânia. Sua confiança tem o amparo no fato de que as lealdades dos 46 milhões de habitantes do país são divididas. Boa parte da área ocidental ucraniana defende vínculos mais próximos com a UE, enquanto as regiões leste e sul recorrem à ajuda da Rússia.
A Rússia tem sua crucial Frota do Mar Negro estacionada na Península da Crimeia — que fez formalmente parte da Rússia até 1954 — e quase 60% dos residentes da região se identificam como russos.
*Com informações da Reuters, AP e BBC
Fonte: Notícias do Último Segundo: o que acontece no Brasil e no Mundo