Roberto Carlos é um sedutor ou conquistador?

rc Roberto Carlos é um sedutor ou conquistador?

Manhã de quarta-feira nublada em São Paulo, véspera de Natal.

Pois é, ontem me despedi de vocês, dando por findos os trabalhos deste ano, mas já estou aqui de novo. Fiquem tranquilos: não vou aborrecer ninguém falando do ministério X-Tudo do governo Dilma 2, tema da conversa com Heródoto Barbeiro e Nirlando Beirão, no Jornal da Record News desta terça-feira (ver link no do JRN, aqui ao lado, na coluna da esquerda do blog).

Acho que já não consigo passar um dia sem escrever, virou costume  _ ainda , depois de assistir ao emocionante especial natalino de Roberto Carlos. Faz uns 40 anos que não perco este programa por nada no mundo, quase o mesmo tempo em que vivo com a mesma mulher, a Marinha, que também é dos tempos da Jovem Guarda, embora não pareça.

Quando nos casamos, lá no distante ano de 1972, tínhamos os dois a coleção completa dos discos deste cantor e, até hoje, não entramos num acordo. Namoramos muito ouvindo Roberto Carlos nos drive-in da época (espécie de motel dentro do carro) e, depois, em nossa casa. E ainda não entramos num acordo. Afinal, Roberto Carlos é um sedutor ou um conquistador?

Nem sei direito qual é a diferença, mas tanto no disco como na televisão "esse cara" tem o dom de seduzir e conquistar. Ninguém consegue ficar indiferente ouvindo suas músicas, mesmo quem não gosta dele.

Na primeira metade dos anos 1980, quando era repórter da Folha, pedia ao pessoal da Ilustrada para escrever a crítica do programa anual dele na TV Globo. Escrevia sempre ou menos a mesma coisa, porque este show natalino também é imutável, tão previsível como a chegada de Papai Noel _ e , agora, de Paul McCartney.

Aliás, estes dois parecem ter o mesmo gosto pela eternidade, não são simples mortais como nós. Naquela época, pegava até mal um repórter do primeiro caderno como eu escrever sobre um cantor como Roberto Carlos, ainda considerado brega pelos intelectuais do andar de cima e os heróis da resistência, que ainda sonhavam com a revolução.

Eram tempos de governo militar e de lutas pela redemocratização do país, nas quais eu estava engajado até o pescoço. E daí? O que tinha uma coisa a ver com a outra? Mas eu era mesmo, e não escondia, muito fã dele, como antes fui de Moacir Franco, Mazzaropi e Tonico e Tinoco, e sou até hoje.

No show desta terça-feira, como em todos os outros, Roberto Carlos não quis brilhar sozinho no palco. Fez parcerias com o galã de novela Alexandre Nero, a belíssima ninfeta Sophie Charlotte e a nossa querida Alcione, cantando suas músicas em várias línguas e lembrando outros tempos.

Sedutor ou conquistador? Tanto faz, pois todo fim de ano é muito bom ouvir Roberto Carlos para lembrar os bons tempos vividos e sonhar com os próximos que virão. E é melhor ainda viver esta noite ao lado da mesma mulher, avó dos meus cinco netos, um bacana que o outro.

Como vocês sabem, passatempo de casal antigo é um ficar enchendo o saco do outro e discutir por bobagens como essa. É a hora de lembrar que sobrevivemos juntos a um ano, gostando das mesmas músicas. Tudo tem seu tempo e sua hora. Hoje prefiro falar de Roberto Carlos e, por isso, deixo publicada esta palpitante polêmica para os leitores debaterem nestes dias de folgas e festas de fim de ano. Quem é "esse cara", afinal?

Agora, vou cuidar de preparar o meu tender e prometo dar uma folga para vocês até o próximo dia 6. Cubram-se de glórias e divirtam-se!

 

 

 

 

Fonte: Ricardo Kotscho