Roberto Bolaños criou um fenômeno que nunca envelhece

Bolaños como Chaves
É até difícil explicar o que é o fenômeno Chaves, personagem e seriado criados por Roberto Bolaños, que nos deixou nesta sexta-feira, dia 28 de novembro. O programa é de uma simplicidade e inocência que, se você parar para pensar, chega mesmo a duvidar que esteja por aí até nossos dias. Como é que se explica o fato de aquele seriadinho com imagem já desgastada e com piadas simplórias permanece sendo exibido até hoje em vários países da América Latina e ainda dá audiência? Não em muito como racionalizar isso. É um fenômeno e pronto. Aceite.
E boa parte do que se vê é obra de Bolaños. Me lembro de quando era pequeno de assistir a Chaves antes de ir para a escola. Era algo quase religioso e a gente tinha que assistir para, em seguida, comentar na escola. Todos os meus colegas de classe faziam o mesmo. E a gente não tinha muitas informações do que era aquilo. O SBT simplesmente colocava no ar sem muitas explicações. Como não havia internet, a gente nem sabia de onde vinha, quem eram os atores, se era brasileiro, argentino ou mexicano. Não parecia ser exatamente brasileiro porque dava a impressão que os personagens eram dublados, mas muitas vezes as palavras casavam perfeitamente com o som e aí a gente volta a achar que era brasileiro. E, num dos episódios, aparecia uma Brasília. Ah, então é daqui mesmo. E cidades do nosso país eram citadas. Era uma confusão.
Depois que fiquei velho, parei de assistir à série. Mas, para minha surpresa, o SBT continuava exibindo e sempre apareciam notícias sobre a boa audiência que Chaves tinha. Me perguntava como aquilo era possível num mundo cheio de videogames, computadores, internet, brinquedos sofisticados e séries novas em folha.
Mas é aquilo mesmo: não tem explicação. As pessoas simplesmente assistem, gostam e continuam vendo. O tipo de humor usado por Bolaños e sua equipe nunca envelhece, não é tão politicamente incorreto como outros seriados da época se tornaram para os nossos dias e sua inocência acaba pegando todo mundo. Às vezes é até bobo, mas ninguém liga. O que importa é ver Chaves falando "isso, isso, isso" ou "foi sem querer querendo" e entrando em seu barril.
E é assim que vai continuar sendo.
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Fonte: Blog do Odair Braz Jr.