"Risco para economia é governo fazer promessas que não são críveis", diz investigador político

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Fernando Bizzarro, cientista político doutorando em Harvard, diz que democracia é fundamental para cidadão crescer (Foto: Arquivo Pessoal)

 

Eleito neste domingo (28), Jair Bolsonaro vai enfrentar a partir de 1º de janeiro uma lista de desafios na Presidência da República. Contribuir com a retomada da economia e da geração de empregos é um dos mais importantes. Muro de 13 milhões de pessoas estão à procura de trabalho e outras 4,8 milhões desistiram de procurar ocupação.

Apesar de seu histórico de discursos de apologia ao autoritarismo, o  presidente eleito vem agradando o mercado financeiro por, recentemente, ter se posicionado porquê liberal na economia e obséquioável à implementação imediata de reformas para redução do déficit fiscal.

Na avaliação de Fernando Bizzarro, observador político doutorando em Harvard, a boa relação de Bolsonaro com o mercado financeiro pode ser mantida por todo o procuração, contanto que  o novo presidente não "titubeie ou volte atrás nas promessas que fez".

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A eleição de Jair Bolsonaro gera riscos à economia?
O risco está no traje de Bolsonaro não integrar um partido poderoso e fazer promessas que não são críveis ao mercado. Durante sua campanha, ele fez várias afirmações e voltou atrás, o que é ruim para a economia porque não há previsibilidade financeira e política. Isso prejudica a estratégia do mercado porque o Brasil fica instável.

O presidente eleito afirma ser liberal em economia, mas disse tutelar o controle cambial. Porquê o mercado avalia seu posicionamento?
Acredito que o mercado percebeu que há contradições no projeto Bolsonaro, que não é somente ele porquê figura pública, mas sua coalizão de forças. Os operadores de mercado reconhecem essa incoerência, mas apostam que essa visão liberal se imponha na economia, principalmente na implementação de reformas.

A grande dificuldade de Bolsonaro estará em mourejar com a resistência [sobre as mudanças] do Congresso. Há reformas que a própria população também não vai gostar, mas dependendo do período em que elas forem colocadas em prática, não vão prejudicar o governo. Ou seja, devem ser implantadas antes de uma novidade eleição.

Em universal, o posicionamento liberal do Bolsonaro deve prevalecer no início, mas, no aglomerado dos quatro anos, o governo certamente não será considerado ultraliberal.

A repercussão internacional negativa das eleições no Brasil pode influenciar os negócios com companhias estrangeiras?
Depende do perfil da empresa. Companhias com motivo para reputar a natureza liberal do governo vão comemorar a eleição de Bolsonaro, enquanto as envolvidas na resguardo de direitos humanos e sustentabilidade podem ser críticas. Num caso extremo, a Arábia Saudita perdeu negócios após o assassínio do jornalista Jamal Khashoggi [ocorrida em 2/10/2018].

Acho improvável, mas, que qualquer país feche as portas de seu mercado devido a ações de Bolsonaro frente à presidência do Brasil.

A Bolsa de Valores e o dólar reagem muito à eleição de Bolsonaro. Esse cenário deve continuar?
A lua de mel do mercado com o novo presidente pode completar ou permanecer, porquê ocorre no governo de Donald Trump (EUA). A relação continua se o governo fizer o que o mercado espera que ele faça. Ou seja, o que ele prometeu — porquê a reforma da Previdência e redução do déficit fiscal. Se o governo titubear ou não executar o que prometeu, a relação acaba rápido. O mercado precisa encarregar que o governo sabe para onde está indo.

Qual é a importância da democracia para economia?
A democracia garante direitos fundamentais para o cidadão se estabelecer e crescer, porquê o recta à propriedade privada. Em um regime democrático, as pessoas podem pensar e planejar a longo prazo porque ninguém vai tirar o patrimônio delas.

Além disso, a democracia garante uma seleção virtuosa de políticos que, em tese, colaboram para que a economia do país avance. E se ele [político], não fizer um bom trabalho, pode ser punido. No autoritarismo da Venezuela, por exemplo, isso não existe.


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