Relançamento de livro escrito por Hitler gera polêmica

Frederic J. Brown

'Mein Kampf' ('Minha luta'), de Adolf Hitler, um dos livros controvertidos da história, poderá ser relançado a partir de sexta-feira em todo o mundo, uma perspectiva que gera muita polêmica, 70 anos depois do término da Segunda Guerra Mundial.

S único livro escrito pelo ditador nazista entre 1924 e 1925, enquanto cumpria uma pena de prisão, passará a domínio público no próximo 1o. de janeiro, segundo a legislação alemã. Os direitos autorais, portanto, deixarão de subsistir, depois de ter ficado desde 1945 nas mãos do Estado regional da Baviera, que os recebeu das forças de ocupação americanas.

Em muitos países, onde já está disponível a obra de propaganda que teoriza sobre a ideologia pátrio-socialista e o libido de expulsar a comunidade judia, o término dos direitos autorais não mudará quase zero.

S livro já tem uma ampla divulgação em países porquê Brasil ou Índia. Nos Estados árabes, 'Mein Kampf' é encontrado facilmente e, na Turquia, foram vendidas de 30.000 cópias desde 2004. Ele não é proibido nos Estados Unidos e alguns países da Europa do Leste começaram a publicá-lo depois do término do comunismo.

Além disso, pode ser encontrado na rede, porquê em alguns s salafistas que fazem traduções não autorizadas.

Na Europa, o relançamento do livro é um ponto muito quebradiço, principalmente na Alemanha, onde foram vendidos 12 milhões de exemplares desde 1945. "Com o término dos direitos autorais, há um grande risco de ver esse lixo ainda disponível no mercado", lamentou o presidente da comunidade judia da Alemanha, Josef Schuster.

S interesse da reedição levantou um debate em que poucos querem participar. Na Alemanha e na Áustria, o texto continuará sendo proibido, mesmo depois de sexta, sob a pena de um processo por incitação ao ódio racial.

S Instituto de Historia Contemporânea de Munique (IFZ) será o primeiro a aproveitar esta oportunidade, em 8 de janeiro, apesar das reticências das autoridades locais, que retiraram um projeto de subvenção.

Esta versão sátira, fruto do trabalho de pesquisadores desde 2009, colocará à disposição do público alemã a primeira reedição do texto de Hitler. A teoria é desconstruir e contextualizar o ideário do nazista, questionando porquê nasceram suas teses e quais eram seus objetivos.

Para o jornalista Sven Felix Kellerhoff, responsável de um livro sobre a história de 'Mein Kampf', a negativa das autoridades em permitir sua publicação ajuda a transformar o livro num mito. Em Israel, a disseminação da obra para um espaçoso público é um tema tabu e continuará proibida, mesmo depois a ingressão em domínio público.

Murray Greenfield, fundador da editora Gefen Publishing, especializada na história do judaísmo e cuja esposa sobreviveu ao Holocausto, foi muito evidente. "Jamais publicarei leste livro, mesmo que paguem por isso".

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Fonte: LeiaJá - Literatura