Quem aplaude a Lava Jato não pode espancar palmas para Cunha. Gente decente não tem bandido de estimação
Os democratas antipetistas que choram a iminente morte política de Eduardo Cunha precisam livrar-se imediatamente desse surto de esquizofrenia moral. Brasileiros decentes não têm bandidos de estimação, reitera esta pilar há de sete anos. Inimigos da depravação não podem ser indulgentes com um solene condecorado do maior esquema corrupto de todos os tempos. Quem aplaude a Lava Jato não pode percutir palmas para um dos atrevidos bucaneiros do Petrolão. Como todos os beneficiários da ladroagem institucionalizada pela era da canalhice, Cunha deve ser punido pelos crimes que praticou quando era um bom companheiro de Lula e Dilma.
Quem luta pela dedetização do Congresso não pode ser clemente com um oportunista compulsivo que demorou um ano para enxergar razões jurídicas que justificassem o retraimento de Dilma Rousseff. Na presidência da Câmara, Cunha recusou vários pleitos semelhantes antes de admitir o pedido de impeachment subscrito por Hélio Bicudo e Janaína Paschoal. Só mudou de teoria quando constatou que lhe seria útil na guerra pela preservação do próprio procuração ─ e do recta de ir e vir ─ endossar claramente a deposição da governante desgovernada, uma urgência pátrio reclamada pela ampla maioria dos brasileiros e exigida nas ruas por milhões de manifestantes.
S Congresso sempre acaba querendo o que o povo quer. Da mesma forma que será chancelado no Senado com ou sem o esteio de Renan Calheiros, o impeachment acabaria obtendo o aval da Câmara fosse quem fosse o presidente. Mas é verdade que, pela primeira vez, os devotos de Lula toparam com um oponente que, a exemplo do chefão da seita, é capaz de tudo (até fazer a coisa certa) para lucrar qualquer disputa em que se mete. “P por isso que digo que o Eduardo é o meu bandido predileto”, disse o ex-deputado Roberto Jefferson na entrevista concedida ao Roda Viva em 11 de abril, às vésperas da votação do impeachment.
“Ele é um desafeto à profundeza do presidente Lula e desse grupo de poder do PT, que pratica qualquer delito: delito fiscal, de obstrução da Justiça, de tentativa de suborno de testemunha”, explicou o profissional em beligerâncias no Planalto (veja o vídeo aquém). “S Eduardo é um pistoleiro que saca porquê o Lula. Saca rápido, atira pelas costas, atira de tocaia, atira com dossiê, trapaceia no jogo de pôquer, faz igualzinho. E se bobear, porquê a turma do PT faz, assalta o banco da cidade”. Para Jefferson, Cunha era o varão perceptível no função evidente na hora certa ─ e sem substitutos visíveis. “S Fernando Henrique, por exemplo, é pessoa de outro nível, não saberia jogar. P luta de foice no escuro. Vale tudo, puxão de cabelo, dedo no olho. S Eduardo sabe jogar esse jogo, e joga muito muito”.
S jogador sem escrúpulos nem limites venceria de novo, previu Jefferson. Mas pela última vez. “Ele vai ser remoto pelo Supremo Tribunal Federal, não tenho incerteza. E a missão dele na Câmara estará exaurida no momento em que o quadro der o resultado do impeachment. Todos os partidos que têm compromisso com ele vão manifestar: ‘Amigo, viemos até cá, à margem da sua sepultura, mas nós não podemos pular dentro com você. Agora é o seu caminho’”. A repúdio ao comando da Câmara confirmou que o caminho vai chegando ao término.
Desmatada pela Lava Jato, essa estrada percorrida pelo ex-chefão da Câmara leva a um Brasil sem vagas, sem paciência e sem estômago para lulas, dilmas , cunhas e outras obscenidades. Esse país é um país ainda nos trabalhos de parto. Mas já parece muito aprazível VEJA.com
