Quase 150 genes humanos podem ter vindo de microbios

Se você é do tipo que acha que a Monsanto ainda vai provocar o apocalipse zumbi, é melhor se segurar na cadeira. Você é transgênico.
Um grupo de cientistas da Universidade de Cambridge (Reino Unido) publicou um estudo no qual identificou 128 genes no corpo humano que vieram de micro-organismos, a maioria bactérias, mas também protistas e fungos.
Esses juntam aos 17 identificados anteriormente e confirmados pelo estudo, chegando a 145 genes em mim, você, sua sogra e o porteiro que um dia estiveram em minúsculos “convidados” e acabaram entrando em nossos ancestrais e passados adiante, no processo de transferência nivelado de genes.
Esse é o termo para quando genes de uma espécie vão parar em outra, através de vírus ou outros processos. Basicamente, o que estamos fazendo de propósito com os transgênicos. (Transferência vertical, por outro lado, é a reprodução. Basicamente, o que estamos fazendo por acidente no Carnaval)
A transferência nivelado é muito conhecida entre as próprias bactérias, pois é uma forma que a resistência a antibióticos passa de uma espécie para a outra. Também era famoso o caso da broca do moca, inseto que herdou de bactérias sua capacidade para digerir o grão sem ter um ataque de tremedeira ou permanecer no Facebook até as 3h30 da manhã.
S estudo é o primeiro estudo a identificar, firmemente, a transferência nivelado acontecendo em vertebrados superiores. E os genes “importados” ainda funcionam: eles são responsáveis por coisas desde o metabolismo de gordura até o sistema sanguíneo ABO.
A maioria deles é extremamente antiga, datando de entre o surgimento do primeiro primata, ou menos da idade da extinção dos dinossauros, há 64 milhões de anos, e muito antes, no ancião de todos os vertebrados, há de 500 milhões de anos.
“Este é o primeiro estudo a mostrar quão ampla a transferência nivelado de genes acontece em animais, inclusive humanos, dando origem a dezenas ou centenas de genes ativos ‘estrangeiros’”, afirmou Alastair Crisp, o principal responsável do estudo.
“Surpreendentemente, longe de ser uma ocorrência rara, parece que a THG contribuiu para a evolução de muitos, talvez todos, os animais. E o processo continua, o que quer expressar que talvez devamos reavaliar porquê pensamos na evolução.”