Política em relação à Síria não mudou, diz Rússia em comunicado
iG São Paulo
Mensagem ocorre depois que o vice-chanceler russo afirmou que a oposição tem chances de ganhar a guerra civil contra o presidente Bashar al-AssadA Rússia disse nesta sexta-feira (14) que não mudou sua política em relação à Síria, apesar de um diplomata russo ter dito que a oposição pode ganhar a guerra civil contra as forças do presidente Bashar al-Assad.
As declarações feitas na quinta-feira pelo vice-chanceler Mikhail Bogdanov foram as mais pessimistas até agora por parte da Rússia sobre a situação de Assad, e foram bem-recebidas pelos EUA. O governo norte-americano disse que a Rússia "finalmente acordou para a realidade".
Leia também: Rússia admite que Assad pode sofrer derrota da oposição na Síria
Leia mais: Síria lança mísseis Scud; explosão atinge Ministério do Interior
ONU: Refugiados sírios superam marca de meio milhão
Mas o Ministério das Relações Exteriores da Rússia disse que Bogdanov reiterou a posição do país sobre a Síria, reforçando que qualquer resolução para o conflito deve ser baseada em um acordo fechado em um encontro internacional em Genebra este ano.
"Bogdanov reiterou a posição da Rússia de que não há alternativa a uma solução política na Síria, baseada no comunicado final do Grupo de Ação que foi aprovado por consenso em uma reunião ministerial em Genebra", disse o ministério, em nota.
Pressão: EUA e mais de cem países reconhecem principal grupo da oposição síria
Advertência: Otan alerta para 'resposta imediata' se Síria usar armas químicas
O comunicado também informou que Bogdanov estava se referindo apenas às afirmações "da oposição da Síria e de seus apoiadores internacionais, que preveem uma vitória rápida sobre o regime de Damasco".
As potências mundiais e regionais que se reuniram em Genebra concordaram, em 30 de junho, que um governo de transição deveria ser implementado na Síria para acabar com o derramamento de sangue no país, mas deixou em aberto qual seria o futuro papel de Assad.
A Rússia sempre disse que a saída de Assad não deve ser uma precondição para o fim do conflito na Síria e defendeu o presidente de resoluções do Conselho de Segurança da ONU que o acusariam pela violência.
Escalada: Otan aprova instalação de mísseis Patriot na fronteira da Turquia com Síria
Bogdanov, enviado do Kremlin para o Oriente Médio, disse na quinta-feira que os ganhos dos rebeldes no terreno significam que uma vitória final sobre Assad "não pode ser descartada".
A porta-voz do Departamento de Estado dos EUA Victoria Nuland disse que os comentários de Bogdanov demonstravam que a Rússia agora "vê o que está escrito na parede" sobre a Síria. Ela disse que a Rússia deveria agora se juntar aos esforços para acabar com a violência.
A declaração de Bogdanov deve ter sido interpretada como uma traição pelo líder sírio, que cada vez mais vê seu poder se esvaindo em meio às sucessivas perdas para a oposição. Além disso, recentemente, mais de cem nações, incluindo os EUA reconheceu a oposição síria como representante legítimo do povo do país.
Com AP e Reuters
Fonte: Notícias do Último Segundo: o que acontece no Brasil e no Mundo