PM retira à força ocupantes do Cais José Estelita, no Recife
Agência Brasil
Pelo menos três pessoas ficaram feridas durante desocupação violenta comandada pela PM
Policiais militares pernambucanos cumpriram na manhã de hoje (17) uma ordem judicial de reintegração de posse e retiraram à força os manifestantes que há quase um mês ocupavam o Cais José Estelita, no centro do Recife, em Pernambuco. Durante a desocupação, três ocupantes foram detidos. Três pessoas, entre elas uma policial, sofreram ferimentos leves e receberam atendimento médico.
Efetivos dos batalhões de Choque e de Trânsito, da Polícia Montada e da Companhia Independente de Policiamento com Cães chegaram ao local pouco depois das 5h. Segundo o porta-voz da Polícia Militar pernambucana, capitão Júlio Aragão, negociadores tentaram convencer os manifestantes a deixar o local voluntária e pacificamente, mas como não houve acordo, às 6h17, começou a operação para cumprir a decisão judicial do dia 29 de maio.
“A ação da polícia foi legítima”, disse o capitão à Agência Brasil, justificando o uso de “força não letal”. Dos três homens detidos e levados à delegacia mais próxima, dois são estrangeiros – um argentino, estudante da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), e um peruano.

Imagens mostram feridos em embate entre ocupantes e PM horas antes do jogo entre Brasil e México
Foto: Instagram/Karina Buhr

Imagens mostram feridos em embate entre ocupantes e PM horas antes do jogo entre Brasil e México
Foto: Instagram/Karina Buhr

Imagens mostram feridos em embate entre ocupantes e PM horas antes do jogo entre Brasil e México
Foto: Instagram/Karina Buhr

Imagens mostram feridos em embate entre ocupantes e PM horas antes do jogo entre Brasil e México
Foto: Instagram/Karina Buhr
Em nota divulgada por meio das redes sociais, os integrantes do movimento Ocupe Estelita acusam a polícia de descumprir acordos firmados com as secretarias estaduais de Defesa Social e de Direitos Humanos e com o Ministério Público Estadual. Os manifestantes afirmam ainda que a responsabilidade pela ação, bem como por eventuais feridos, é do governador João Lyra Neto.
“Até ontem à noite, tínhamos a certeza de que o mandado [de reintegração] não seria cumprido passando por cima dos protocolos estabelecidos em acordo firmado com o movimento e demais participantes”, informa a nota em que os manifestantes pedem o apoio de advogados e convoca as pessoas que concordam com o movimento a se reunirem no cais.
Por telefone, o coordenador do Movimento Direitos Urbanos, Leonardo Cisneiros, afirmou que, de acordo com o relato de pessoas que passaram a noite no local, não houve negociação antes da polícia iniciar a operação “de forma truculenta”.
“Chegaram disparando bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha. Agrediram várias pessoas, entre elas uma advogada ligada ao movimento que tentava dialogar. A ação, de fato, está sendo violenta. Tanto que a Polícia não permitiu sequer que os manifestantes recolhessem seus pertences pessoais e material e não está autorizando ninguém a entrar no cais. Há até motos lá dentro”, declarou Cisneiros, acrescentando que o movimento tem a informação ainda não confirmada de que quatro manifestantes, e não três, foram detidos na confusão. “Vamos primeiro tentar que os advogados soltem os presos. Em seguida, faremos uma reunião na entrada do cais para decidir o que fazer”.
Os integrantes do movimento Ocupe Estelita são contrários ao projeto urbanístico Novo Recife. Aprovado em dezembro de 2013, o projeto prevê intervenções urbanísticas no cais, localizado em área histórica e um dos principais cartões-postais da capital pernambucana. Entre as obras previstas está a construção de 12 torres de 40 andares para fins residencial e empresarial, além de área de comércio, hotéis, restaurantes, bares e estacionamento.
Segundo a Câmara Municipal, o projeto receberá investimentos de um consórcio formado por quatro empresas e ocupará uma área de 105 mil metros quadrados. Para concretizar o projeto, é necessário demolir as construções existentes no local como antigos armazéns de açúcar. Os críticos da iniciativa apontam o prejuízo à memória nacional e o aspecto segregador do projeto.
“O projeto é uma bolha de urbanização elitista e segregadora. Seria um grande condomínio fechado. Não bastasse isso, somos contra a forma como o projeto tramitou, a forma como ele foi apresentado, sem maiores debates e sem a participação da sociedade”, já havia dito Cisneiros àAgência Brasil no último dia 30.
Fonte: Notícias do Último Segundo: o que acontece no Brasil e no Mundo