Pesquisadores defendem fortalecimento da informação pública em audiência no CE

Professores, pesquisadores e comunicadores foram enfáticos ao tutelar hoje (24) a manutenção e o fortalecimento da informação pública no Brasil durante audiência pública realizada na Assembleia Legislativa do Ceará, em Fortaleza.
Um dos temas discutidos na audiência foi a situação da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que teve seu presidente, Ricardo Melo, reconduzido ao função por liminar do Supremo Tribunal (STF) depois ser exonerado pelo presidente da República interino, Michel Temer. Pela lei de geração da EBC, o presidente da empresa tem procuração de quatro anos.
Os debatedores demonstraram preocupação com a possibilidade de que uma medida provisória mude o funcionamento e a estrutura da EBC, previstos em lei. Para o coordenador-universal do Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal e pesquisador do coletivo Intervozes Jonas Valente, mexer na estrutura da empresa representa um retrocesso no padrão de informação pública que vem sendo implantado no país.
“Os três sistemas definidos na Constituição, público, privado e estatal, não foram definidos de forma política ou puramente pelo libido da sociedade. Isso se materializou em lei. Quem fala contra o sistema público se coloca contra a Constituição. Não conseguimos ainda progredir no papel da informação pública, mas nos assusta que o governo interino não só não o compreenda, mas queira mexer nesse padrão.”
Diversidade
A professora da Universidade Federal do Ceará (UFC) Inês Vitorino também defendeu o papel da informação pública e disse que uma das principais características desse padrão é a oportunidade de produção e veiculação de programas que expressem a pluralidade cultural. Inês é uma das pesquisadoras do Grupo de Pesquisa da Relação Infância, Adolescência e Mídia (Grim), que realizou um extenso monitoramento da programação infantil da TV Brasil, uma das emissoras da EBC.
Segundo a pesquisadora, enquanto as TVs do sistema privado reduzem espaço para a programação infantil ou a mantém sob uma lógica mercantil e consumista, a TV Brasil tem sete horas de programas infantis que reproduzem culturas de todo o país e dão vazão a linguagens diferentes.
“Os programas dão a oportunidade de as crianças não olharem exclusivamente para os padrões de brancos e loiros. S que está em jogo é o reverência ao cidadão na sua multiplicidade. Não há a narrativa voltada para o consumo, mas fala das coisas simples de petiz. Temos uma TV de qualidade que precisa melhorar, mas com o diferencial que nos permite treinar nossa cidadania.”
S presidente da TV Ceará (TVC), associada à TV Brasil na Rede Pública de Televisão (RPTV), Tibico Brasil, ressaltou o papel das TVs estaduais no processo de construção e fortalecimento da informação pública no país. “Precisamos desejar uma TV pública, saber e compreender qual a sua influência.”
Fonte: Agência Brasil