Para Mallu, na noite do seu aniversário

mallu

ou Mallu Magalhães e uma noite flamejante no clube Clash*

Hoje essa menina completa alguma idade nova, não pergunto tampouco faço contas sobre o calendário feminino. Apenas louvo o que deve ser louvado e neste meu lirismozinho raquítico relembro a primeira vez que a vi. Bora.

Tu tinhas uns quinze para dezesseis e ainda estavas proibida de fazer show tarde da noite por causa do Juizado de Menores. Vivíamos, veja só, a era do Myspace, uma geringonça internética que faz parte do museu precoce de tais virtualidades.

Minha então Maria pegou este velho cronista pelo braço e fomos à Barra Funda, Maria, nascida de uma fábula cosmo-mineira de David Bowie, verdade seja dita, você iria gostar dela.

Tu abriste a noite cedinho, noite gelada de São Paulo. Lá fora, no deserto da Barra Funda, o açoite de um blues. Noite perfeita no clube Clash. Maria e seu bloody mary no balcão elegante da cidade; yo, tequila. Os caubóis do Vanguart, from Cuiabá, tocavam com Mallu.

Noite flamejante, o barman no seu melhor momento, moças bonitas e seus drinques coloridos.

Mallu sibila, canta, sussurra e os violões já não eram de brinquedo. “Tchubaruba”, “J1” e “Get to Denmark”. As poucas faixas vinilizavam nossos encerados ouvidos de crápulas diante da princesa. Os olhos de Mallu, os olhos de Maria, a Barra Funda em uma noite que parecia algo tão longe com uma noite na Finlândia.

A noite perfeita. Aquela noite em que não há amnésia alcoólica que me roube.

Depois te vi no programa Popload, não me perguntes sobre data, menina. Acabaste comigo de vez: “Folsom Prison Blues”, aquela de um caubói fraquinho chamado Johnny Cash.

Blow-up. Foi depois daquela foto no jornal que radicalizei o meu encanto de vez: você estendendo uma toalha na praia diante dos olhos do seu amor. Não havia nada demais na foto, apenas uma Mallu solar iluminando o seu homem.

*Do Livro das Mulheres Extraordinárias

Fonte: Xico Sá