Pabllo Vittar quer 2018 ‘indestrutível’ e passa ano a limpo em entrevista exclusiva
Pabllo Vittar tem muito a comemorar na passagem deste ano. Se em 2016 ela já havia ganhado notoriedade ao emprestar sua voz à margem do programa Amor e Sexo, da TV Globo, foi em 2017 que sua música ganhou as rádios, playlists e festas do Brasil.
Por isso, não surpreende a canção que ela escolhe para reunir ao HuffPost Brasil o que quer para 2018: Indestrutível. É a décima fita de seu álbum de estreia, Vai Passar Mal, lançado ainda em janeiro.
De lá para cá, emplacou o hit do Carnaval pretérito, Todo Dia, com o rapper Rico Dalasam, o forró K.S., pelo qual venceu o prêmio de melhor música no Domingão do Faustão, Sua Cara, parceria com Major Lazer e Anitta, e Corpo Sensual, com Matheus Carrilho.
Foi atração-surpresa no Rock in Rio e subiu ao palco principal com Fergie. Venceu revelação do ano no voto popular no Prêmio Multishow 2017.
Claro que tamanho sucesso de um ícone LGBT acabou incomodando muita gente. Seu meato do YouTube chegou a ser invadido neste ano, e Pabllo virou branco de haters. "A gente logo sabe quando é um 'hater' ou quando é uma crítica construtiva", explicou, em entrevista exclusiva ao HuffPost. "Eu quero estar sempre evoluindo, e as críticas são essenciais para o desenvolvimento de nós, artistas. As pessoas podem te criticar sendo educadas; são essas que valem a nossa atenção."
Se por um lado a intolerância avança, por outro a heterogeneidade de vozes continua crescendo. Por isso, Pabllo celebra a representatividade da cultura drag no País não só com seu êxito, mas com o de suas colegas. "Fico muito feliz vendo as minhas manas Lia Clark, Gloria Groove, Aretuza [Lovi], Lorelay Fox ahazando e conquistando o espaço delas."
A seguir, leia a íntegra da entrevista com Pabllo Vittar:
HuffPost Brasil: Quando caiu a ficha de que você não era uma drag queen iniciante em Uberlândia e sim uma estrela pátrio?
Pabllo Vittar: Ai faceta, o momento que eu realmente percebi que a coisa tinha ficado séria foi quando o Diplo [DJ americano co-instituidor do Major Lazer, responsável por Sua Cara] me chamou pra trabalhar com ele. Sempre admirei o trabalho dele, e isso pra mim com certeza foi um divisor de águas.
Você costuma expor que frequentava a igreja quando criança só para trovar? Existe alguma lembrança desse período que você guarda com carinho?
Pógico, foi um período maravilhoso! Foi lá que eu comecei a trovar. Com 13 anos, entrei para o coral da igreja pertinho de morada. Comecei a me apresentar, e de lá fui pras festinhas de família, da escola e agora pro mundo (risos).
Em 2017, você teve hit no Carnaval, lançou um álbum com canções autorais, bateu recorde em plataformas de streaming, fez shows em todo o Brasil, gravou clipe no exterior... Qual trabalho feito leste ano te deu prazer? Por quê?
Nossa, foi um ano tão maravilhoso que é realmente impossível escolher um só... Mas lucrar o prêmio do Melhores do Ano do Faustão, trovar no trio elétrico da Daniela Mercury em Salvador, trovar com a Fergie no palco principal do Rock in Rio e gravar um clipe com a Anitta e com o Diplo estariam nessa disputa. Porque todos envolvem invadir sonhos e trabalhar com pessoas que eu sempre admirei.

Como foi participar da romance das 21h da TV Globo A Força do Querer?
Sempre fui fã das produções da Glória Perez e me senti muita honrada quando recebi o invitação para participar da romance. Fico emocionada por poder falar sobre isso e de ver porquê os VittarLovers me ajudaram a chegar até cá. Sobre a romance, eu sempre tentava tirar um tempinho para ver os capítulos, e o personagem com que eu me identifiquei é o Nonato, do Silvero Pereira. Oá era fã do Silvero, mas isso aumentou ainda depois que atuei com ele. Acho incrível a gente falar sobre essa transição entre o feminino e o masculino, seja com o Ivan ou com o Nonato, em um lugar de tanto destaque.
Em outubro, você comprou uma morada para a sua mãe, dona Verônica. Esse era um sonho dela. Como você descreve esse momento?
Nossa, muito realizada! Minha mãe é tudo pra mim, e ter condições de retribuir tudo que ela já fez por mim não tem preço. Me sinto a pessoa feliz do mundo.
Neste ano você fez de 170 shows. S que o palco tem ensinado para a Pabllo Vittar?
Muita coisa... Pão só o palco; todo dia eu me pergunto onde eu posso melhorar, aprendo muito com os meus fãs, meus ídolos, dando entrevistas, gravando, viajando... Todo dia eu aprendo uma coisa novidade que eu trago pra mim e absorvo pro meu trabalho. Eu sempre procuro uma melhora.

No prêmio Melhores do Ano, do Domingão do Faustão, você afirmou que 2017 foi o ano dos LGBTQs. Quais figuras, conquistas ou avanços da comunidade te deixaram feliz nascente ano?
Esse ano foi muito maravilhoso para a comunidade LGBT no Brasil pelo espaço que nós conquistamos, principalmente para a cultura drag. Fico muito feliz vendo as minhas manas Lia Clark, Gloria Groove, Aretuza, Lorelay Fox ahazando e conquistando o espaço delas!
Drag queen e cantora em em plena ascensão em um dos países que matam LGBTs no mundo. Como é mourejar com esses dois cenários ao mesmo tempo?
Eu lido com o meu trabalho com paixão, com tolerância, levantando essa bandeira e trazendo visibilidade para a comunidade LGBT.
S que você acha que falta para que as pessoas sejam menos intolerantes no Brasil?
Falta um pouquinho de se colocar no lugar do outro e perceber que somos todos iguais e que todos merecemos reverência.
Como você lida com as críticas sobre seu trabalho? S que você absorve e o que você descarta?
Ai, a gente logo sabe quando é um "hater" ou quando é uma crítica construtiva. Como eu já falei, eu quero estar sempre evoluindo, e as críticas são essenciais para o desenvolvimento de nós, artistas. As pessoas podem te criticar sendo educadas, são essas que valem a nossa atenção.
Você costuma manifestar que é uma pessoa positiva. De onde você acha que vem essa forma de ver a vida?
Eu sempre fui assim, desde que me conheço por gente. Eu jogo meus pensamentos pro universo, e porquê sempre penso coisas boas, ele está me devolvendo bons frutos, graças a Deus.
A dona do hit do Carnaval 2017 está preparando alguma novidade para a folia do ano que vem? Poderia antecipar alguma coisa pra gente?
Ai, vem muita coisa boa, sim! Vem álbum novo com parcerias incríveis! Algumas internacionais inclusive! Aguardem.
Sem pensar muito, indique: um música, sua ou de outro artista, que define seu 2017 e outra música que define o que você quer para 2018.
Ahhhh, 2017: Veio à tona, fui à lona, foi K.S.! E, para 2018: Indestrutível!
Fonte: HuffPost Brasil Athena2