Operação Lava Jato prende 24 e apreende obras de arte, bens e R$ 5 milhões

Agência Brasil

Quadrilhas tinham à frente doleiros que lucravam com câmbio paralelo ilegal e praticavam crimes como tráfico de drogas, comércio ilegal de diamantes e corrupção de agentes públicos

Os delegados da Polícia Federal que coordenaram a Operação Lava Jato, deflagrada hoje (17) em 17 cidades de seis estados, comunicaram que foram cumpridos, até o momento, 24 mandados de prisão e 15 de condução coercitiva, além de 81 mandados de busca e apreensão. Cerca de 400 policiais participaram da operação e algumas equipes ainda estão nas ruas trabalhando na apreensão de valores das quadrilhas presas.

Em entrevista coletiva concedida em Curitiba (PR), o delegado que preside o inquérito, Márcio Anselmo, explicou que quatro quadrilhas distintas atuavam de maneira independente, mas se relacionavam eventualmente. Os quatro grupos investigados tinham à frente doleiros que lucravam com câmbio paralelo ilegal, mas também praticavam diversos crimes como tráfico de drogas, exploração e comércio ilegal de diamantes, corrupção de agentes públicos, entre outros.

Segundo Anselmo, os grupos movimentaram nos últimos três anos R$ 10 bilhões, de acordo com informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), do Ministério da Fazenda. Para lavar o dinheiro obtido de maneira ilícita, as quadrilhas utilizavam atividades conhecidas para essa finalidade, como redes de lavanderias e postos de combustível.

PF apreende farta quantia de reais e dólares no Rio de Janeiro

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Foto: Divulgação/Polícia Federal

PF apreendeu grande quantidade de dinheiro em cofre na cidade de Londrina, no Paraná

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Foto: Divulgação/Polícia Federal

Blue Tree Londrina é um dos bens sequestrados na operação da PF

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Foto: Divulgação

Entre os crimes investigados estão contrabando de pedras preciosas e desvios de recursos públicos

Entre os crimes investigados estão contrabando de pedras preciosas e desvios de recursos públicos

Foto: Divulgação

São cumpridas também ordens de seqüestro de imóveis de alto padrão, além da apreensão de patrimônio adquirido por meio de práticas criminosas

São cumpridas também ordens de seqüestro de imóveis de alto padrão, além da apreensão de patrimônio adquirido por meio de práticas criminosas

Foto: Divulgação

Carro de luxo apreendido pela PF

Carro de luxo apreendido pela PF

Foto: Divulgação

Entre os bens apreendidos, foram encontradas obras de arte no Paraná

Entre os bens apreendidos, foram encontradas obras de arte no Paraná

Foto: Divulgação/PF

Posto de combustível no DF onde foram feitas apreensões

Posto de combustível no DF onde foram feitas apreensões

Foto: Divulgação/PF

Operação Lava Jato da Polícia Federal

Operação Lava Jato da Polícia Federal

Foto: Divulgação


Além disso, eles abriam empresas de fachada no Brasil e no exterior para simular contratos de importação e exportação. Utilizando esse modelo de evasão de divisas e lavagem de dinheiro, apenas um doleiro enviou ao exterior, entre 2009 e 2013, US$ 250 milhões.

“Eles foram se aproveitando de algumas externalidades positivas ou negativas, como por exemplo, quando o Banco Central aboliu o controle cambial de exportações. Esses doleiros se aproveitaram disso e nós temos bem mais de US$ 250 milhões em simulações de importações. Eles simulavam uma exportação para uma empresa de fachada que também era deles no exterior e remetiam esse valor para lá e de lá difundiam para os destinatários finais”, explicou o delegado.

As empresas e as contas internacionais dos grupos eram situadas principalmente na China e em Hong Kong. De acordo com Anselmo, como a China se tornou o maior parceiro comercial do Brasil, foi fácil para o grupo simular contratos com empresas no país.

Com os grupos, a Polícia Federal apreendeu jóias, obras de arte, 25 veículos com valores individuais acima de R$ 100 mil, conseguiu o sequestro judicial de três hotéis, além de R$ 5 milhões em espécie. Em apenas uma prisão, feita na última sexta-feira (14), uma doleira foi detida enquanto tentava embarcar para a Europa levando 200 mil euros (R$ 654.480) presos ao corpo por baixo das roupas.

A apreensão dos valores financeiros foi considerada fundamental pelos delegados da PF, porque interrompe o fluxo financeiros das quadrilhas. O próximo passo será investigar os documentos apreendidos e os contratos fraudulentos com a administração pública. “Estamos tentando apurar, a partir das buscas, quem são os clientes”, disse o delegado. Entre os presos também está um brasileiro considerado traficante internacional de drogas.

Fonte: Notícias do Último Segundo: o que acontece no Brasil e no Mundo