S voto do desespero
Concordo com meu camarada Rodrigo Ferraz: o Kalil é personagem, maluco e inteligente. Agora, é saber qual dos três vai governar Belo Horizonte. Na primeira entrevista depois da vitória o inteligente já prevaleceu, quando acenou com o diálogo para a Câmara dos Vereadores e diminuiu o tom do exposição, sem, todavia, perder a contundência – e exemplo disso foi falar que pretende conversar com Alkmin... Aécio não. Ele deixa transparecer – embora eu não tenha dados concretos para dizê-lo – que o governador paulista deve sim ter agido na campanha do atleticano em Belo Horizonte sabendo que, com essa guia, Aécio fica fragilizado. E porquê ficou.
Mas, por que Belo Horizonte escolheu Kalil? Por conta do desespero. De cada dez pessoas com as quais conversei, sete diziam que queriam Kalil porque cansadas das mesmas figuras, com os mesmos discursos. Os taxistas, por exemplo, acreditam que ele vai segurar o UBER, liberar o tráfico dos veículos na pista do “Move” e perfurar a caixa preta da Bhtrans. A propósito, o horizonte prefeito tem promessas que prometem estrondo no cumprimento e uma delas diz reverência ao transporte por ônibus; enfim, as empresas que prestam o serviço passaram por licitação, têm seus direitos. Kalil também promete retirar as pessoas de áreas de risco, convencer os servidores a tratarem muito as pessoas e , muito . Até governar sem oferecer cargos a políticos ele prometeu. Aí, o presidente da Câmara, Wellington Magalhães, se antecipou e propôs a extinção dos 4 milénio cargos comissionados que a PBH tem, o que, evidente, inviabiliza qualquer governo.
Acho sinceramente um salto no escuro o que Belo Horizonte vai dar em janeiro do ano que vem. Nunca imaginei que pudéssemos escolher alguém com IPTU procrastinado, 38 processos e uma pena por não recolher encargos sociais dos trabalhadores para nos governar. Mas, quem sou eu para manifestar que a maioria dos eleitores está errada. Na verdade, a maioria simplesmente não decidiu, pois, juntando continência, nulos e brancos os que não escolheram ganharam no primeiro e no segundo vez.
Agora, fazer o quê? Torcer contra, espalhar o apocalipse? Não, é torcer por Kalil. E pegar no terço, pois, com um presidente que muita gente não considera legítimo e um governador pleno de problemas com a justiça, se o prefeito for aquele que prefere taça a mulher e acha que igreja só serve para levar 10 por cento, estamos “no do zé esteves”.
