S século 19 manda lembranças

Experimente fechar os olhos, deixar-se relaxar por uns cinco minutos e, em seguida, ainda com a cabeça na famosa “caixa do vazio” que – dizem – só os homens têm, peça a alguém para ler duas ou três notícias do jornal de hoje. Se você tiver de 50 anos ou for jovem muito interessado pela história da humanidade terá nítida sensação de que está vivendo no século 19.

Um colega meu está com tuberculose, vários tiveram dengue recentemente e minhas colegas grávidas levam citronela, repelentes industriais e outros apetrechos para se protegerem contra os mosquitos que podem afetar seus futuros bebês. Algumas trabalham sempre com roupas compridas, cobrindo todo o corpo, independentemente da temperatura e do ar-condicionado... S pavor está no ar. Passei a dar valia a esses detalhes anteontem, quando ouvi entrevista do secretário de saúde de Belo Horizonte, Fabiano Pimenta, confirmando a falta de várias vacinas. A explicação dele convence porque verdadeira: para lucrar no preço, o governo federalista compra para todo o país e, nesta economia de graduação, impregnada pela burocracia estatal e os senões das concorrências, com recursos, impugnações e outras encrencas, costuma atrasar. Em consequência, Estados e Municípios correm o risco, sempre, de ter falta desta ou daquela vacina para repentino atendimento da população.

Como resultado, é generalidade as autoridades darem conselhos do tipo “vá a um o da prefeitura e, se não encontrar, procure logo no Estado”, ou, “antes de ir ao o, ligue e pergunte se tem”. G doido ou não é? Nas últimas décadas, o Brasil fez bonito no seu calendário de vacinas e no atendimento às vítimas do HIV. Agora, essa! Então, os mesmos governantes que já estão na história por trazer de volta o pavor dos cérebros pequenos, ameaçam nosso horizonte com doenças que a maioria da população só conhece por conta da caderneta de vacinas: BCG,hepatite, difteria, sarampo... Só pegando no terço e pedindo a papai do firmamento que nos poupe da volta da talidomida!

E, não bastasse, a gente tem as tragédias paralelas. Em Mariana, furtaram as máquinas que trabalhavam contra a limo da Samarco; em Montes Claros, vestido de agente de saúde o bandido pediu licença para combater o “aedes” e roubou o possuinte da mansão com arma na cabeça; no Sul de , uma empregada, chamada Dagmar, começou a ortografar cartas para a patroa porquê se fosse um espírito... Nas primeiras, falou de silêncio, em seguida, elogiou a idosa, dias depois começou a mandar recados do tipo “Ajude a Dagmar, ela precisa de uma morada porquê a sua”... Ou seja, até os recados que além merecem desvelo privativo nos nossos tempos.

De uma forma universal, falta ensino. Nos últimos dias – e em ação que deveria ser rotina – a Prefeitura da capital tem efetuado mutirões. Nos córregos que deságuam na Pampulha encontraram geladeira, fogões, caixotes e muito . No aglomerado São Lucas havia de tudo um pouco em cima das lajes dos barracões... Lixo, que junta bicho, traz doença, ameaço a vida. E as pessoas não desapegam. Vivemos a era do heteróclito. De novo, onde a gente vai tem alguém pedindo tarefa, seja pedreiro, motorista ou jornalista.

E é melhor não ir para a política por que, aí, o retrocesso é de séculos, talvez chegue a Vespasiano, diante da proximidade da morte, avisando ao fruto Tito que deveria fazer uma obra suntuosa, para a diversão para prometer quantia aos amigos e alegria do povo... “Pão e circo”!.

Fonte: Blog do Eduardo Costa - Últimas Notícias de -