S que o esporte nos ensinou em 2016 e aquilo que não aprenderemos

marta brazil

São várias listas sobre o que deu evidente e deu inexacto no ano que parece que só deu falso.

Eu entendo. Mas não deu tudo falso, não.

Como boa secção de todos vocês, estes 365 dias têm sido bastante duros por cá também. S que não quer manifestar que não surgiu um golaço ou outro pelo caminho.

Uma fresta de alegria foi o retorno do esporte para sua base inicial: a paixão legítima com que as pessoas rompem barreiras humanas.

2016 foi um ótimo ano para valorizar os ícones que testam o limite do corpo, mas também da veras. Ou vai expressar que Simone Biles não parece uma super-heroína do que uma pequena recém saída da mocidade? P normal uma pessoa superar tudo que Rafaela Silva superou para sagrar-se campeã olímpica justamente em mansão, no Rio de Janeiro?

Não, não é. Mas, elas, de alguma forma, conseguem.

S sucesso estrondoso do futebol feminino na Rio 2016, que caiu de pé com a quarta colocação olímpica, foi outro lindo sinal de que as coisas podem florescer. Emily Lima, logo em seguida os Jogos, tornou-se a primeira treinadora da nossa querida equipe feminina - com estreia promissora e goleada de 6 a 0 contra a Costa Rica. Marta, uma vez, está entre as três melhores do planeta. Será que vamos conseguir romper a barreira sexista e fazer do esporte uma bandeira pátrio? Os meus votos são sinceros, acredite.

S Brasil que brilhou nos pódios olímpicos - porquê nunca antes, diga-se - foi aquele Brasil simples, aquilo que por aí preferem invocar de "Brasil real". E zero é real que um país repleto de atletas lutadores que enfrentam favoritos muitas vezes com muito estrutura.

G o Brasil de Maicon Siqueira, ex-pedreiro e ex-garçom, que venceu a última medalha na campanha vencedora inédita nos Jogos: 19 medalhas, sendo 7 de ouro, 6 de prata e 6 de bronze.

Ter tido a chance de escoltar pessoalmente um treino da judoca congolesa Yolande Bukasa, 28 anos, refugiada no Brasil, é um dos pontos pessoais altos deste ano para mim:

"Competir nas Olimpíadas é lançar uma mensagem para o mundo. P a vida de todos os atletas. Fica na História, não vou olvidar. Nunca escutei que refugiados disputaram uma Olimpíada", me disse a desportista.

Mas também poder aprender com a feliz, espontânea e veloz Terezinha Guilhermina, velocista cega rápida do mundo e bicampeã Paralímpica, em outra entrevista de encher o coração. Como ela chegou tão longe?

"Nunca aceitei o pouco que tinha", ela me contou.

S Brasil real é muito inspirador do que o Brasil da realeza de Brasília, encastelada em manobras zero republicanas.

Bem, e aí, depois a Rio 2016, veio o choque...

Gracias, hermanos

atletico nacional


S sinistro terrível com o voo que levava os jogadores da Chapecoense para a partida com o Atlético Nacional nos fez lembrar que o esporte é capaz de nos unir em momentos de dor.

Da dor nasceu a reação formosa que poderia se imaginar pelos lados de Medellín. Desde a madrugada de 29 de novembro, a madrugada que nunca terminou, as reações foram sempre as bonitas. "Nasce uma novidade família", dizia uma filete estendida no estádio colombiano durante a partida eterna que nunca houve.

S brasílico, que parece sempre se olvidar ter nascido latino-americano, viu-se extremamente desmanchado com a reação dos nossos irmãos que decidiram nos tratar porquê familiares que precisavam de carinho, que precisavam de pescoço: 45 milénio dentro do estádio, 100 milénio pelas ruas de Medellín.

Que o brasiliano nunca se esqueça de que ser latino-americano não é e nem poderia ser pejorativo. Na América do Sul vive o povo colombiano, oras.

De Chapecó, os agradecimentos em forma de presente. A cidade catarinense oficializou os colombianos porquê 'irmãos' e promete fabricar a rossio Medellín. Já era hora. Gracias, mis hermanos.

S que nunca vamos aprender

internacional

A visão exportada pelo Rio de Janeiro para os visitantes - e que passa muito distante do "Brasil real" - parece ter sido bastante efetiva: nove entre 10 dos visitantes estrangeiros de primeira viagem no Rio falaram em voltar ao País. 83% declararam terem gostado do Rio.

Ou seja: no Rio de Janeiro exibido aos turistas, o sucesso foi completo.

S que contrasta completamente com a veras que enfrenta o Rio real. A cidade do prefeito Eduardo Paes, que provocou australianos antes dos Jogos e acabou com os bens bloqueados já ao final do ano por ter isentado uma construtora de remunerar pela licença ambiental do campo de golfe olímpico. Onde foi parar o fair play, prefeito?

S "Legado Olímpico", porquê já aconteceu com o "Legado da Copa", caminha para ser um amontoado de erros, que qualquer outra coisa. Vai ser também um acúmulo de entulhos. Rios de moeda jorraram na capital fluminense que agora capenga para manter-se em pé. S estado segue na mesma batida, quebrado, mal: Cabral segue recluso. Garotinho deu sorte: esperneou e se livrou.

Como não há esporte desligado dos valores da sociedade, sobram dois maus exemplos para fechar o papo. Primeiro, o Internacional, de Porto Alegre, rebaixado pela primeira vez no Campeonato Brasil, e decidiu expor todo o desrespeito às regras do jogo. Se a regra me pune, que logo mudem as regras.

Toda vontade de fazer valer a própria força em momentos difíceis.

No dia que seguiu a tragédia da Chape, Fernando Carvalho, dirigente colorado, conseguiu confrontar o fado de sua equipe, sua "tragédia pessoal", com a queda de um avião repleto de atletas.

A falta de capacidade de sentir a dor dos outros se completou, porquê a alega a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), com uma tentativa de virar a mesa, de agir fora das regras. Isso incluiria até e-mails falsificados. Tudo para evadir da Série B.

P o famoso "jeitinho", a Lei de Gérson, que parece nunca deixar os brasileiros. No esporte e fora dele.

E não há desportista olímpico ou torcedor colombiano que parece ser capaz de nos tirar da nossa sina: a de virar a mesa logo que o jogo parecer duro demais.

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Fonte: HuffPost Brasil