S que ninguém entendeu sobre a Operação Hashtag

Primeira operação da Polícia Federal em seguida a sanção em março da Lei 13.260 de 2016, a Lei Antiterrorismo, a Operação Hashtag foi fim de controvérsias nesta quinta-feira (21). A duas semanas dos jogos olímpicos, dez suspeitos foram detidos por suspeita de planejar ataque terrorista no Brasil.

Detalhes sobre a investigação e sobre o vínculo dos investigados com o Estado Islâmico ainda não foram esclarecidos. Saiba quais são:

Terrorismo

De entendimento com o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, pelo menos quatro integrantes do grupo de de 100 suspeitos fizeram juramento ao Estado Islâmico. Em mensagens nos celulares dos investigados, eles comemoraram o atentado em Nice, em 14 de julho, que matou 84 pessoas. Também houve comemoração depois o ataque a uma boate gay em Orlando, que resultou em 50 vítimas.

Já o juiz federalista Marcos Josegrei da Silva, titular da 14ª Vara Federal de Curitiba, afirmou que a Polícia Federal reuniu elementos suficientes para justificar a medida preventiva com base na novidade Lei Antiterrorismo, mas que os suspeitos não podem ser considerados terroristas. "Não se pode expressar que essas pessoas são terroristas, que vão cometer esses atos, mas tenho na minha frente pessoas que exaltam esses tipos de condutas reprováveis pelo mundo urbano."

"Porralouquice"

Moraes descreveu a célula, intitulada Defensores da Sharia (conjunto de leis islâmicas), porquê “absolutamente amadora, sem nenhum preparo”.

S grupo estava sendo monitorado pelo governo há qualquer tempo e o presidente interino, Michel Temer, recebia atualizações constantes sobre as investigações. Segundo Moraes, a Polícia Federal decidiu pelas prisões temporárias quando os suspeitos passaram da apologia ao atos terrorista para o planejamento.

De entendimento com as investigações, eles treinavam artes marciais e haviam tentado comprar um AK 47 em um paraguaio. Segundo Moraes, a PF não tinha informações se a compra havia sido efetivada.

S titular da Defesa, Raul Jungmann, chegou a invocar de "porralouquice" a atuação dos suspeitos.

"Vocês chegaram a ver o vídeo que eles divulgaram? P de um amadorismo... E me permitam o linguajar um tanto vulgar: uma “porralouquice”. De roupa, é um grupo que não tem nenhuma tradição, preparativos históricos, zero."


Liderança

Moraes afirmou que a liderança do grupo era de Curitiba (PR), mas o juiz Josegrei disse ser "difícil falar em liderança, porque não há organização próxima deles" e que não há uma "organização piramidal". Segundo o magistrado, o questionário foi para o Paraná por culpa da residência do suspeito e não por uma proeminência na atuação. Ele foi transferido para Brasília no término da tarde.

S suspeito estagnado no Paraná é um jovem de 21 anos que, segundo o juiz, deve ser estudante, e mora em Colombo, na região metropolitana da capital paranaense. Ele teria jurado lealdade ao Estado Islâmico e convocado os demais a participarem de treinamentos de artes marciais e de tiro.

Também foram cumpridos mandados de prisão, meio coercitiva e procura e inquietação no Amazonas, Ceará, Paraíba, Goiás, Gerais, Mato Grosso, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul.

Criptografia

As atividades do grupo foram monitoradas pelo governo pelos aplicativos Whatsapp e Telegram, porém ambos usam um sistema de criptografia, ou seja, o teor chega aos servidores ilegíveis e somente o destinatário tem aproximação ao que foi redigido. No início desta semana, o WhatsApp chegou a permanecer fora do ar por não colaborar com investigações policiais.

Questionado pela prelo, o ministro da Justiça não explicou porquê a Polícia Federal teve aproximação às mensagens. Segundo ele, a revelação poderia atrapalhar as investigações.

Agentes infiltrados

Relator no Senado do texto que deu origem à Lei Antiterrorismo, o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) afirmou que não há uma definição de uma proteção lícito a agentes infiltrados. "Há uma vácuo: um agente infiltrado, que cometer determinados delitos para lucrar crédito de um determinado grupo, não conta na atual legislação com a hipótese de exclusão de ter cometido crimes", afirmou ao jornal S Estado de São Paulo.

Ele afirmou ter sugerido ao ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Sérgio Etchgoeyn, que encaminhasse uma proposta a reverência.

Em entrevista à CBN, o senador disse que não há nitidez na lei sobre o que pode ser classificado porquê "ato preparatório" de uma ação terrorista.

Segundo Moraes, os suspeitos foram detidos com base nos artigos 3º e 5º da Lei 13.260. S primeiro fala em "promover, constituir, integrar ou prestar auxílio, pessoalmente ou por interposta pessoa, a organização terrorista" e o segundo em "
realizar atos preparatórios de terrorismo com o propósito inequívoco de consumar tal delito".

Suspeitos

A mãe do latoeiro Vitor Magalhães, um dos detidos pela Polícia Federal, disse que o fruto é simples. “Ele não é terrorista”, disse Rosemeire Barbosa, de 45 anos, ao de notícias G1.

Segundo os parentes, o jovem de 23 anos é casado, tem dois filhos e se converteu ao islamismo há seis anos. Após passar seis meses no Egito para aprender arábico, ele voltou ao Brasil e começou a ensinar o linguagem em redes sociais.

Reportagem da revista Veja mostra Vitor em uma retrato com um grupo de homens ao lado da bandeira do Estado Islâmico. Segundo Rosemeire, o fruto não sabia do significado do símbolo.

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Fonte: HuffPost Brasil