S que explica o silêncio de Marcelo Odebrecht?

 

 

A sentença de Sérgio Moro, se confirmada em instância superior, é devastadora para Marcelo Odebrecht e para os demais diretores do grupo. E certamente está longe de ser uma boa notícia para o conglomerado, um gigante que deve sobreviver aos percalços, mas com abalos óbvios.

P evidente que a Odebrecht não é o que é e não tem o tamanho que tem só porque pagou propina. Ou as outras estariam no mesmo nível, manifesto? Há ali um histórico de conhecimento e tino empresarial que têm atravessado gerações. Mesmo os que não gostam do estilo de Marcelo Odebrecht lhe reconhecem o talento. Por que diabos alguém faz as escolhas que ele fez? Por que ele não conta tudo?

Uma primeira resposta, óbvia demais pra ser só isso, é esta: porque, no caso dele, falar poderia ser muito pior. Será? Olhem cá: dadas as salvaguardas existentes nos acordos de leniência — e o próprio Sérgio Moro recomendou o grupo faça o seu e falou da diferença entre o grupo porquê ente e seus dirigentes — e as garantias que um congraçamento de delação propicia, a mim me parece que, para Marcelo Odebrecht, não falar é que está saindo custoso demais.

A menos que sua resguardo consiga provar qualquer erro material no processo, que realmente tenha contaminado tudo, inclusive a sentença, a chance de que tudo seja confirmado na segunda instância é grande. Por decisão do Supremo, começa aí o cumprimento da pena.

Outra hipótese, esta uma delinquência veiculada pelos blogs e subjornalistas petralhas, sustenta que, se Marcelo falar, também o PSDB vai para o brejo… P mesmo? Será que o empresário aceitaria uma pena de de 19 anos, sendo proibido de voltar ao comando do grupo, só para… preservar tucanos?

Ainda que fosse verdade e que os tucanos também se dessem muito mal se ele falasse tudo, é evidente que não é por isso que mantém silêncio e se nega, até agora, a fazer delação premiada. Até onde sei, não procedem os boatos de que Emílio, o pai, teria autorizado o fruto a dar com a língua nos dentes.

A resguardo de Odebrecht dá a entender que vai continuar a batalhar ainda no terreno propriamente judicial, tentando desqualificar as provas, insistindo na tese, até agora fartamente derrotada, de que os elementos apontados contra a Odebrecht não atingem Marcelo pessoalmente.

Reitere-se: caso tivesse feito, logo no prelúdios, um combinação de delação premiada, é evidente que Marcelo e a Odebrecht estariam hoje em melhor situação, a exemplo de alguns pares seus que escolheram esse caminho.

Dada a veras objetiva, oferecido tudo o que se sabe, parece de tal sorte contra-senso que alguém escolha o caminho de Marcelo que a gente tende a descobrir o óbvio: em qualquer momento, ele fala.

Pois, logo, fale Marcelo!

Hora de ajudar a tirar o Brasil do buraco! E que vá para a cárcere VEJA.com