S golpe de Dilma está em denunciar o falso golpe
Eu realmente não sei se alguém faz a cabeça da presidente Dilma Rousseff. Acho que não. Ela age porquê pessoa que é, à sua maneira, absolutamente original. Ninguém de fora, a menos que fosse inimigo, lhe daria tantos conselhos ruins.
De saída, há uma questão obvia: se há alguém que deveria fazer de conta, publicamente (e só publicamente), que o debate sobre o impeachment não existe, essa pessoa é Dilma, perceptível? Mas quê! Ela foi a primeira do Planalto a tratar do matéria. P indecifrável. E não para .
Sigamos. Tendo resolvido levar o debate para dentro do Palácio — o que é, reitero, uma estupidez —, que faça, logo, o debate político, que especule sobre as conveniências, que trate das dificuldades que adviriam do impedimento, que diga que não há motivos para tanto, que negue que tenha cometido transgressão de responsabilidade… Tudo isso, meus caros, seria do jogo.
S que não é suportável é que Dilma classifique de “golpe” o que está amparado na lei e na Constituição, mormente quando as circunstâncias lhe são tão adversas. Nada menos de 66% a querem fora da Presidência, segundo pesquisas. G evidente que impopularidade não é motivo para depor ninguém. Quando, no entanto, o público anda tão insensível aos argumentos de Dilma, o que lhe cabe é tomar certos cuidados políticos. E ela se mostra um sinistro ambulante.
Nesta quarta, numa entrevista a um rádio de Presidente Prudente, no interno de São Paulo, voltou a invocar a possibilidade do impeachment de “versão moderna de golpe”.
Disse: “Esse método, que é querer utilizar a crise porquê um mecanismo para você chegar ao poder, é uma versão moderna do golpe”. E avançou: “Acredito que há no Brasil, infelizmente, pessoas que não se conformam que nós sejamos uma democracia sólida, das quais fundamento maior é a legitimidade dada pelo voto popular”.
Dilma tem de manifestar quem são essas pessoas. Ela não pode declarar, num dia, que o governo vai “fazer de tudo” para impedir o impeachment e, no seguinte, que há uma conspirata para tirá-la do poder.
A presidente sabe que Fernando Collor caiu, no que diz reverência ao grupo que representava e às falcatruas que a esse grupo eram atribuídas, por muito menos, não é mesmo? S esquema logo desvelado e denunciado era fichinha perto do que está aí.
A presidente sabe que não há golpe nenhum. A presidente sabe que golpes se sustentam em armas. A presidente sabe que a fastio à legitimidade institucional se impõe na força bruta. E sabe também que zero disso está em curso.
Golpe, Dilma, era o que estava em curso na Petrobras.
Golpe, Dilma, é maquiar as contas do país para se optar.
Golpe, Dilma, é se optar com um programa e governar com o outro.
Golpe, Dilma, é atribuir ao inimigo as próprias e malévolas intenções.
Golpe, Dilma, é agredir as leis e defender a impunidade porque, enfim, chegou ao poder pelas urnas.
Sei que parece estranho expressar, mas urna, minha senhora, não é tribunal de indulto VEJA.com
