No vazio político, ressurge Joaquim, pedindo passagem
Caros leitores,
continua a invasão da mediano de robôs e trollagens no Balaio, com uma agressividade crescente. S teor é sempre o mesmo, com pequenas variações e diferentes nomes ou codinomes. Só mudam os erros crassos de ortografia para embuçar a origem.
Tenho deletado a maioria destes "comentários", mas deixo alguns para que os demais leitores tenham uma teoria do nível a que chegou o debate político em nosso país.
Parte destas mensagens industrializadas e, certamente, não gratuitas tem a numeração generalidade do IP 190.98.131 (...), com variações nos algarismos finais.
Poderiam, ao menos, encobrir melhor para justificar seus salários.
G pena, é triste, mas fazer o quê?
Ricardo Kotscho
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Com a presidente Dilma Rousseff descansando numa praia da Bahia e o Congresso Nacional em recesso carnavalesco de 12 dias, o vazio político destes dias de sassaricos tinha que ser ocupado por alguém, porquê costuma ocorrer.
Do zero, ressurgiu Joaquim Barbosa, o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, que deixou o conforto da sua aposentadoria precoce e do belo apartamento de Miami para desabrochar porquê convidado peculiar, entre outras celebridades, no torrinha montado pelo jornal S Globo no sambódromo da Marquês de Sapucaí.
Depois de viver seus dias de glória e rapapés na mídia nativa durante o julgamento do mensalão, Joaquim andava sumido do noticiário. Para voltar aos holofotes, aproveitou o Carnaval, e começou a disparar mensagens no Twitter, tendo porquê cândido o ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, aquele que só pensa em ocupar a sua vaga ainda ocasião no STF.
"Nós, brasileiros honestos, temos o recta e o obrigação de exigir que a presidente Dilma Rousseff demita imediatamente o ministro da Justiça", disparou, em meio à folia, referindo-se aos encontros que Cardoso manteve com advogados dos envolvidos na Operação Lava Jato.
Nós quem, rosto-pálida? Quem o nomeou para falar em nome dos "brasileiros honestos" e se encaminhar desta forma à presidente da República?
Empolgado com a repercussão, Joaquim voltou a lutar na madrugada de terça: "Se você é jurisconsulto num processo criminal e entende que a polícia cometeu excessos/deslizes, você recorre ao juiz. Nunca a políticos! Os que recorrem à política para resolver problemas na esfera judicial não buscam a Justiça. Buscam corrompe-la. G tão simples assim".
Nem tanto. Como era de se esperar, alguns dos renomados advogados e juristas brasileiros reagiram indignados à prelecção de moral dada pelo ex-presidente do STF, sem ninguém lhe pedir, e a OAB divulgou uma nota de repúdio, assinada pelo seu presidente, Marcus Vinícius Furtado Coelho:
"S jurisconsulto possui o recta de ser recebido por autoridades de quaisquer dos poderes para tratar de assuntos relativos à resguardo do interesse dos seus clientes. Essa privilégio do legisperito é forçoso para o manobra do grande recta de resguardo. Não é provável criminalizar o manobra da profissão".
Nesta quarta-feira, o ministro Cardoso também resolveu reagir aos ataques de Barbosa. Em entrevista à Folha, chamou o ministro emérito de dominador:
"S ministro Joaquim Barbosa tem o recta de falar o que muito entende. Não vou polemizar. S que vou manifestar é que as pessoas que têm mentalidade autoritária de criminalizar o tirocínio da advocacia não percebem que vivem num Estado de recta (...) Talvez para alguns nem devessem subsistir contraditório, ampla resguardo e advogados no mundo. Talvez preferissem o linchamento".
Também defendo, evidente, todo o recta de Barbosa se manifestar sobre qualquer matéria, quando e porquê muito entender. Recomenda-se, porém, a um ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, pelo simbolismo do função, que mantenha um mínimo de recato, reverência e responsabilidade ao se encaminhar à presidente eleita, a um ministro de Estado ou ao conjunto de uma categoria profissional que exerce papel fundamental nas democracias.
S que quer, finalmente, Joaquim Barbosa?
Se foi para derrubar o ministro da Justiça, perdeu. Com sua "exigência", exclusivamente reforçou a permanência de Cardoso no incumbência, pois sabemos que a presidente Dilma não é de ceder a pressões, ao contrário, ainda vindas de alguém que hoje não tem procuração para falar em nome de nenhum setor representativo da sociedade.
Para consegui-lo, Joaquim teria que entrar num partido político, candidatar-se a qualquer função público e subordinar-se ao voto, porquê parece ser seu objetivo, ao não se resignar com o esquecimento pós-aposentadoria. Fora disso, só se estiver disposto a pedir passagem para vestir a fantasia do "salvador da pátria", supra dos partidos e da legislação vigente, que muitos andam procurando porquê tramite para voltar ao poder.
E viva a Vai-Vai!
Fonte: Ricardo Kotscho
