Muito além da estética

gvS design é um elemento estratégico dentro da comunicação das empresas, e é por meio dele que acontece o primeiro contato com a marca. Sua mensagem vai influenciar a percepção do público sobre suas propostas e valores porquê empresa.

 

Para entender um pouco desse instrumento e as principais tendências do mercado de trabalho, conversamos com o designer gráfico Gustavo Vitulo.

 

Natural de Ponte Nova, interno de Gerais, estuda Design Gráfico na Universidade Estadual de Gerais (UEMG), e é especializado em criação e estratégias de marca, design editorial, impressos, embalagens, design de interfaces e arquitetura da informação.

 

Com um projeto de identidade visual do bairro Santa Tereza, foi premiado no Behance Portfolio Reviews, foi destaque no Anuário Acadêmico 2014, que seleciona os melhores trabalhos do país, e finalista no Prêmio Oxford de Design. Tem trabalhos publicados em veículos nacionais e internacionais porquê Computer Arts Magazine, Zupi Magazine e Revista Wide.

 

S que te chamou a atenção no design?

Minha trajetória não é incomum, combina bastante com o caminho que muitos designers fazem. S meu primeiro contato com design foi em 2008, na época eu tinha por volta de 12 anos, e criei um de jogos. Ainda sem saber exatamente o que era um designer, eu já desenvolvia muitas peças relacionadas ao webdesign, também criei uma identidade visual para a página, aprendendo de conformidade com a minha premência.

 

Acabei me interessando e conhecendo a área, e logo abandonei o webdesign, passei a me encantar pela secção artística. Aos poucos fui me identificando, sentia que eu sempre me voltei para o lado visual, é alguma coisa muito possante em mim.

 

Como você descreve sua trajetória no design?

Ainda em Ponte Nova, antes de iniciar o curso, comecei a trabalhar porquê arte finalista em uma gráfica. Foi uma experiência prática que me ajudaria muito quando comecei a graduação, com uma fardo teórica. Tanto que logo que cheguei em Belo Horizonte, já na primeira semana consegui um estágio.

 

A partir daí, o meu duelo foi lastrar as duas coisas, o acadêmico, com uma base conceitual, e o estágio, que me deu uma grande percepção de mercado. Juntas, essas experiências me nortearam para me encontrar porquê designer e trabalhar também o meu marketing pessoal. Porque o trabalho de um designer é expedir marcas, mas ele não pode deixar de lado a sua marca, propalar seu trabalho, até mesmo para estar no mercado e ter um feedback. Nessa área, permanecer em uma bolha e não aventurar é prejudicial a um profissional.

 

Pela sua experiência, o que acha do mercado mineiro?

Eu vejo porquê um mercado ainda muito tradicionalista, temos muitas marcas e ações pensando fora da caixa, mas a maioria vem de São Paulo. Eu vejo que as marcas daqui absorvem muito da mineiridade, uma coisa ligada a tradição de ser humilde e “consumir quieto”. Empresas com muito tempo de mercado acabam procurando uma posição de segurança, tem pavor de se aventurar a um rebranding ou ter ousadia no mercado.

 

S problema é que muitas não entendem o design porquê investimento tangível, e sim porquê pura estética, para embelezar a sua marca. Quando se investe no design você cria toda uma relação com seu público, e isso impacta em lucro e traz resultado financeiro.

 

S que falta para mudar?

Eu palato muito da área do neuromarketing porque foca nisso, entender o que as pessoas pensam quando não estão pensando conscientemente. Cores, formas e tipografia tem poder, se falamos na cor vermelha é oriundo pensarmos em uma Coca-Cola, por exemplo. Acredito que ela pode trazer o design para dentro das estratégicas das marcas.

 

A ingressão de empresas novas e a vaga de startups em Belo Horizonte, com o San Pedro Valley, também devem influenciar as empresas tradicionais. Esse mercado é jovem, e já tem uma relação próxima e consciente com o design, a presença delas mudam o pensamento do mercado.

 

Como é seu processo criativo?

Eu sou enamorado pelo design thinking, pensar no trabalho porquê tendo um objetivo prático, e a partir daí definir o concepção da marca e das peças. Você define um concepção, seja uma termo ou uma frase, e a partir dela você percorre um caminho para chegar ao seu resultado. Quando tenho dúvida ou bloqueio, volto a esse concepção.

 

Por exemplo, no trabalho sobre a identidade visual do bairro Santa Tereza, defini “alegria que te aquece”. É uma frase que traz o que quero passar, a alegria do Santa Tereza e o seu calor humano. Todas as decisões foram guiadas a partir dela, a paleta de cores com tons quentes, a tipografia com letras é tipo escrita a mão, calor humano.

 

S concepção é importante para gerar um padrão e uma identidade, as coisas não ficam soltas.

 

Quais são seus maiores ídolos e influências?

No Brasil eu admiro muito o trabalho do Alexandre Wollner, é o designer que fez a identidade visual do Itaú, criada em 1973 e que perdura até hoje. Seu trabalho mostra porquê uma marca muito trabalhada pode ser renovada sem nunca perder o seu concepção inicial.

 

Eu também paladar muito da escola Bauhaus pela maneira porquê o paisagem funcional se sobrepõe a estética. Eles trazem uma visão que sai um pouco do artístico e vai para o funcional.

 

Oá com um apelo conceitual e estético, palato do Stefan Sagmeister, que é um artista que foge do padrão muitas vezes e me inspira a transpor do óbvio. Nos meus trabalhos, procuro manter um equilíprimor entre esses dois aspectos, que considero fundamental.

 

Quais as principais tendências do mercado atualmente?

Eu acredito que o minimalismo chegou para permanecer, as coisas estão se reduzindo, passando sua mensagem diretamente.

 

Um outro paisagem que é preciso estar prudente é que não pensamos em interfaces gráficas . S Google acabou de lançar seu smartphone, concorrente direto do iPhone, e que tem uma meão totalmente comandada por voz. Onde o designer entra nesse trabalho?

 

É tanto minimalismo que as interfaces estão migrando para outros campos que não o visual. Acredito que o designer vai transpor cada vez da estética e ir para a secção estratégica de desenvolvimento de novos produtos.

 

Falando um pouco das ferramentas de criação, porquê você vê as recentes disputas entre Apple e Microsoft para invadir os criadores?

Eu acho que o básico é o bom e velho papel e caneta. Ele dá origem a tudo que precisamos, qualquer peça ou lanço da criação podem ser trabalhadas ali. Ferramentas são importantes, mas acho que o profissional que sabe fabricar faz sua instrumento de trabalho, encontra caminhos para vencer um obstáculo criativo. Pão adianta um ateliê de última geração e superior investimento.

 

Mas falando em ferramentas, eu palato muito porquê a Adobe vem trabalhando os seus softwares, oferecendo ferramentas intuitivas, pensada para o usuário e seu processo de criação.

 

E por último, um juízo para quem quer desbravar leste mercado.

Foque suas energias nas coisas certas. Aproveite oportunidades no meio acadêmico em trabalhos que trazem resultados para edificar seu portfólio. Nunca perda a chance de se mostrar e mostrar seu trabalho, você é sua marca, e a timidez ou susto da crítica são seus inimigos.

 

Notícias relacionadas:

Neuromarketing: S horizonte da inteligência de Mercado

A democracia das lentes

Muitos negócios e um só lugar

Fonte: Minas Marca