Motoristas relatam rotina de estresse após acidente na Grande BH
Motorista de ônibus há 25 anos, o homem que não quis ser identificado dirigiu 14 horas por dia durante uma década. O tempo trouxe experiência e estresse, já que o motorista é responsável por tudo que acontece em uma viagem.
— Tem gente que entra e desce sem pagar passagem, surfa em cima do ônibus, quebra vidro, ameaça a gente.
Segundo o denunciante, exames periódicos só são feitos uma vez por ano, antes das férias. Em maio, ele foi trabalhar e passou mal.
— Quando cheguei na estação eu vi que estava tonto e não tinha condições. Quando eu desci do carro, que eu caí, eu segurei numa árvore. Aí sim providenciaram u um “rendimento” para mim. Eu saí e fui para o médico.
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Se não tivesse parado, o motorista poderia ter sido responsável por um desastre, como o que aconteceu na última terça-feira, quando um homem morreu e 20 pessoas ficaram feridas. O condutor da linha 3212 (Betim/Belo Horizonte), desmaiou ao volante e perdeu o controle da direção.
Desgovernado, o ônibus atingiu o ponto que estava lotado na avenida Cardeal Eugênio Pacelli, no bairro Cidade Indutrial, em Contagem. Pelo menos cinco pessoas que estavam no abrigo foram parar embaixo do veículo. Evandro de Jesus Alcântara, de 48 anos, chegou a ser socorrido mas não resistiu aos ferimentos.
Pouco tempo depois do acidente, o motorista tentou explicar o que aconteceu.
— Eu senti um mal-estar e desmaiei no volante. Só acordei no acidente.
As circunstâncias da batida ainda serão investigadas, mas quem viaja de coletivo por Belo Horizonte e região metropolitana diariamente percebe as dificuldades enfrentadas pelos motoristas.
O condutor que está há 25 anos na profissão está há quatro meses afastado. Ele continua com os mesmos sintomas: depressão, crises de ansiedade, irritação, insônia e desmaios. Para o INSS, ele está apto para voltar a trabalhar.
— Eu não tenho condições de trabalhar no trânsito, desse jeito, com ônibus mais.
Fonte: R7 - Minas Gerais