Ministério Público ouvirá empresas envolvidas em supostas fraudes no metrô em SP

Ana Flávia Oliveira

Empresas que são parte dos consórcios serão convocadas para prestar esclarecimentos, disse promotor em coletiva

As empresas contratadas para reformar os trens da linha 1-azul e 3-vermelha do Metrô entre 2008 e 2009 serão convocadas pelo Ministério Público (MP) para dar explicações sobre os termos dos contratos. Segundo o MP, há indícios de formação de cartel nos contratos.

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Por essa razão e a pedido do MP, o metrô suspendeu, nesta segunda-feira (3), quatro dos dez contratos com consórcios que venceram licitação para reformar 98 trens, quase a totalidade dos equipamentos que circulam nas linhas azul e vermelha. Foram suspensos os contratos com os consórcios MP Trens, da empresa MPE projetos especiais; Mober Trens, das empresas Alstom e Siemens; Reformas Metrô, da Alstom e da IESA, e o consórcio BDT Trens, da Bombardier.

"Há indícios que esses contratos eram viciados e que tinham ausência de competitividade", afirmou o promotor de Justiça do Patrimônio Público e Social, Marcelo Camargo Milani. Segundo ele, até o momento, foram reformados 46 trens, dez estão em manutenção e 42 permanecem rodando sem reformas.  

Se as empresas se negarem a prestar contas ou a devolver o dinheiro, elas podem ser alvo de inquérito para dissolução dos consórcios. "A partir de amanhã vamos convocar todas as empresas que participaram e pedir a entrega imediata desses dez trens que estão nos pátios das fábricas", disse Milani. Segundo o promotor, os contratos causaram prejuízos de pelo menos R$ 800 milhões aos cofres públicos.

Trens 'fantasmas'

O MP também recomendou a suspensão do contrato para implementar o sistema CTBC nos trens. O sistema, implantado na linha amarela, permite que os trens andem sem operador, sendo operados remotamente.

De acordo com o promotor, essa mudança no sistema operacional seria implementado nas linhas 1, 2, 3 do metrô.  Os trens em que esse sistema já foi implatados são chamados de "fantasma", porque quando eles abrem as portas para embarque e desembarque, eles somem do sistema. 

O MP recomenda que o secretário de Transporte Metropolitano do Estado de São Paulo, Jurandir Fernandes, suspenda o contrato que prevê a modificação do sistema operacional dos trens. Ele tem até o dia 30 de fevereiro para decidir.

Fonte: Notícias do Último Segundo: o que acontece no Brasil e no Mundo