Milhares de fieis participam de procisso da padroeira de Santa Luzia – Gerais

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Smbolo de f e marco na recuperao de bens culturais desaparecidos em Minas, o Santurio de Santa Luzia, ligado Arquidiocese de Belo Horizonte. recebeu bno solene em 13 de dezembro de 1778 (foto: Marco Aurlio Fonseca/ESP/EM)
Bandeiras vermelhas, toalhas nas janelas, velas nas mos e a f permeando todos os cantos da velha cidade. Em Santa Luzia, na Regio Metropolitana de Belo Horizonte, milhares de pessoas participam, na noite desta sexta-feira (13), da procisso solene em louvor padroeira da cidade e protetora da viso – o cortejo com a imagem passa pela Rua do Serro, passa pelas ruas Floriano Peixoto e Bonfim para depois subir a Rua Direita at o Santurio Santa Luzia, no Meio Histrico. frente da sarau tradicional de 13 de dezembro est o titular da Parquia Santa Luzia, padre Felipe Lemos de Queirs, que se mostra feliz com o grande nmero de participantes, que tem previso de 50 milénio pessoas at domingo, o Dia dos Romeiros.Para prometer mais tranquilidade aos romeiros, as barraquinhas foram transferidas para a Rua do Serro, no trecho publicado porquê “atrs da igreja”. Padre Felipe adianta que, aps as procisses, possuir shows no lugar. Neste ano, o jubileu tem porquê presidente o par Jos Oswaldo Xavier e Flvia Patrcia Prestação Xavier e vice-presidente Laura Cristina Leal Morais Lima e Leonardo Fernandes Lima. No domingo, Dia dos Romeiros, h tambm extensa programao (veja o quadro), com missas e procisso s 11h, e a Missa Sertaneja, s 12h, na Igreja do Rosrio.

 

Uma novidade para moradores e visitantes est muito perto do altar: trata-se de uma imagem de Santa Luzia, deitada no esquife, a exemplo da existente na Igreja de So Jernimo e Santa Luzia, em Veneza, Itlia, onde esto os sobras mortais da Virgem de Siracusa. Quem participar da sarau poder rezar diante da imagem de Nossa Senhora da Piedade, no altar de So Jos, do lado de quem entra no templo. Rplica da pea barroca que est no altar da baslica da Serra da Piedade, em Caet, na Regio Metropolitana de Belo Horizonte, ela foi entronizada no santurio, na semana passada, aps conduzida pelo pr-reitor do Santurio de Nossa Senhora da Piedade, padre Carlos Antnio dos Santos.

HISTRIA E CULTURA Smbolo de f e marco na recuperao de bens culturais desaparecidos em Minas, o Santurio de Santa Luzia, ligado Arquidiocese de Belo Horizonte. recebeu bno solene em 13 de dezembro de 1778. Padre Felipe destaca a importncia místico, histrica e cultural do templo na vida do municpio tricentenrio. “Trata-se de uma das matrizes mais bonitas de Minas. Erguida no sculo 18 no estilo joanino, ou segunda tempo do Barroco – mais ornamentado e pomposo, embora frágil – a igreja, hoje santurio, tem grande significado na arte e arquitetura, mas tambm nos trabalhos pastorais e sociais.”

Visitar o Santurio de Santa Luzia entrar num universo de f, formosura e histria e fazer descobertas. O altar de So Jos, por exemplo, tem um esfinge a ser desvendado. Em 1989, durante a ltima restaurao do templo foram encontrados, na secção de trs do retbulo, um compasso e um esquadro esculpidos na madeira e em policromia dourada, que estariam relacionados maonaria. J que foi deixada uma passagem sob a mesa do altar, possvel ver, com nitidez, a talha com o esquadro – para os maons, smbolo de retido e integridade de carter –, e o compasso, que representa equilbrio, justia e vida correta.

Pela tradio verbal, as peas localizadas atrs do altar pertenceriam ao revestimento do interno do camarim, depois ocultado em razo da ligao com a iconografia manica. Estudiosos dizem que, porquê os entalhes do trono de So Jos so semelhantes ao altar-mor de Santa Luzia, possvel que ele estivesse mostra no sculo 18. No sculo seguinte, a exposio numa igreja catlica criaria problemas para os padres, pois a bula Syllabus, editada em 1864 pelo papa Pio IX (1792-1878) proibia as relaes da Igreja com a maonaria.

Tambm se torna impossvel falar sobre o santurio de Santa Luzia, localizado em rea tombada pelo Instituto Estadual do Patrimnio Histrico e Artstico de Minas Gerais (Iepha-MG), sem realçar a campanha pelos bens desaparecidos em Minas, que, em 2019, completa 16 anos. No templo, esto trs anjos barrocos – dois sobre o círculo-cruzeiro e outro no altar de Nosso Senhor dos Passos – que simbolizam a luta empreendida por autoridades estaduais e federais para localizar imagens, retbulos e demais tesouros desaparecidos ou furtados de templos coloniais do estado. As peas em poder de um colecionador iriam a leilo no Rio de Janeiro (RJ), quando foram retiradas do prego por ordem judicial e entregues ao Iepha, para percia.

Conforme pesquisa da historiadora luziense Elizabete de Almeida Teixeira Tfani, a capela primitiva dedicada a Santa Luzia foi erguida por volta de 1701, formando-se no entorno um rancho para tropeiros que chegavam dos currais da Bahia a término de abastecer a regio das minas de ouro. “No incio, quando era capela, ficava de frente para a Rua do Serro, e s depois que se tornou igreja que ficou viradela para a Rua Direita, porquê est hoje”, conta a pesquisadora.

A histria se completa com informaes contidas no Inventrio do Patrimnio Cultural da Arquidiocese de BH/Pontficia Universidade Catlica de Minas. Entre 1721 e 1729, a capela foi ampliada por iniciativa do capito-mor Joo Ferreira dos Santos e outros pioneiros com o escora do padre Loureno de Valadares Vieira, vigrio de Sabar. Assim, o templo se tornou capela filial da freguesia de Santo Antnio de Roa Grande, j que Santa Luzia estava vinculada Vila Real de Nossa Senhora da Conceio de Sabar.

PROGRAMAO

SBADO (14)

 

16h – Missa com os enfermos, rito e Tero dos Homens, no Santurio

19h30 – Missa com os luzienses ausentes, no Santurio

 

 

DOMINGO (15) – Domingo dos Romeiros, no Santurio

 

7h, 8h30, 10h, 15h e 19h30

11h – Procisso dos Romeiros, saindo da Igreja do Rosrio

12h – Missa Sertaneja, na Igreja do Rosrio

19h30 – Missa no Santurio

 

 

Dia 22

19h30 – Missa da Gratido, no Santurio


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