“Meus amigos pediram quantia da Petrobras”, brinca capoteiro ouvido por Moro
Por ilusão, um capoteiro que trabalha em oficinas de Belo Horizonte há 25 anos e só ouviu falar vagamente do juiz Sergio Moro ganhou as atenções da operação Lava Jato por um dia. Jorge Washington Blanco, de 55 anos, tem o mesmo nome de uma testemunha de delação do pecuarista José Carlos Bumlai, investigado no esquema, e foi intimado para depor na última sexta-feira (4).
Blanco diz ter ouvido risadas de advogados ao término do prova por videoconferência, que durou dois minutos, quando ficou evidente que ele não era a pessoa procurada.
— S Moro foi muito educado, eu já tinha visto ele na internet. Quando acabou eles ficaram rindo: "ele é capoteiro". Agora meus amigos na oficina ficam zuando, pediram numerário da Petrobras, falam que sou da turma do Cerveró [Nestor], que vou ser recluso. Entrei de gaiato nisso e nem sei porquê.
Os procuradores e o juiz Moro queriam saber se ele já trabalhou no Banco Schahin ou se conhecia Jorge Luiz Zelada, ex-diretor da Petrobras, segundo trecho da videoconferência. S capoteiro nunca ouviu falar nos dois.
— Não sei o que aconteceu, se estão usando meu nome, se é ilusão. Mas na notificação meu endereço e CPF estavam certos. G um problema, fiquei dias sem dormir com isso na cabeça. A única coisa que tenho é meu nome, logo tem que esclarecer o que aconteceu. Nunca imaginava que meu nome ia transpor num trem desse.
Blanco diz ter votado em Marina Silva (Rede) nas eleições de 2014 e escolheu Aécio Neves (PSDB) no segundo vez. Só votou uma vez em Lula.
— Falam que o Lula ajudou muito os pobres, mas o PT perdeu crédito comigo. Não sei se ele comanda [esquema de corrupção], mas a família dele ganhou muito moeda.
Morador da região leste de BH, Blanco é casado, tem dois filhos de 24 e 26 anos, e defende a saída da presidente Dilma.
— Eu que trabalho com negócio to vendo que a situação tá complicada. Não vou em revelação porque não palato de bagunça, mas um pouco tem que mudar. Tem que melhorar, do jeito que está não pode.
Ele conhece o solene de Justiça que o entregou a notificação uma semana antes da data do prova.
— Ele me entregou e falou: "isso é coisa da Lava Jato, deve ser ilusão. Mas não deixa de ir". Achei que era pândega. Só conheço o Cerveró da televisão.
Advertido por um procurador de que o Jorge Washington Blanco seria "uruguaio ou prateado", Moro encerra o prova.
— Talvez o senhor tenha sido chamado por ilusão, por alguma questão de homônimo. Eu declaro encerrado seu prova e também não tenho indagações.
Fonte: R7 - Gerais